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Agronegócio

Viticultura ganha força com novo roteiro

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Imagem: Faep

 

A viticultura estadual tem potencial para avançar nos próximos anos com a consolidação da Rota Uva & Vinho Paraná, iniciativa que estrutura o enoturismo como ferramenta de desenvolvimento regional. Ao reunir 60 propriedades em 31 municípios de diversas regiões do Estado, o circuito conecta produção, agroindústria e turismo rural em um modelo articulado, que fortalece a presença da uva e de seus derivados junto ao público consumidor. O Sistema FAEP é responsável pela articulação com produtores e sindicatos rurais, ampliando a capilaridade do projeto nos municípios participantes.

A proposta funciona como estratégia de valorização dos produtores rurais e demais elos da cadeia. Ao conectar empreendimentos, estimular a permanência de visitantes nas regiões produtoras e organizar a oferta de experiências, a iniciativa contribui para ampliar renda, diversificar atividades nas propriedades e consolidar novos canais de comercialização.

Guerra pressiona custos no campo

“O Sistema FAEP participa ativamente desse projeto, principalmente investindo na qualificação dos nossos produtores rurais para que fortaleçam o turismo rural”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O agro vai muito além da produção. Isso mostra a força, a pujança e o espaço que a viticultura tem na economia estadual. Por isso, nós trabalhamos para colocar os produtos na vitrine do Paraná e do Brasil”, complementa.

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O Sistema FAEP contribui diretamente para a qualificação dos produtores rurais deste segmento por meio de cursos voltados ao turismo rural e olericultura, como gestão de negócios, hospedagem, paisagismo, cultivo, entre outros temas, fortalecendo a profissionalização das propriedades. Gilmar Brizola, José Zanchetta e Elton Ricardo Pires participaram dos treinamentos de turismo rural e já estão aplicando o conhecimento na organização das propriedades e no atendimento aos visitantes.

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette prestigia lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná

Tradição e oportunidade

Filho e neto de imigrantes espanhóis e italianos, Brizola implantou videiras em uma área antes ocupada por pedras em Santo Antônio do Sudoeste. Além do cultivo das uvas e da agroindústria que produz vinhos, sucos e geleias, a família também atua no turismo rural, atividade que passou a integrar a rotina e incrementar a renda da propriedade. Para receber os visitantes, a família investiu em estrutura, com a construção de um pergolado coberto que, além de abrigar as placas solares, concentra as degustações.

“Já recebíamos visitas de maneira informal e tínhamos o hábito de acolher e compartilhar o que produzíamos. Foi assim que percebemos a possibilidade de ampliar a proposta de negócio e desenvolver o turismo rural”, conta Brizola. “A Rota pode aumentar a visibilidade das pequenas propriedades, como a nossa, e contribuir para a vinda de turistas e recursos para ampliar as atividades da propriedade”, reforça.

José e Gilmar Brizola entre a plantação de uvas

Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a propriedade de José Zanchetta tem 140 anos de história e cinco gerações dedicadas ao cultivo da uva. “Sou totalmente ligado às tradições, tive uma ligação forte com meu nono, que me ensinou a cultura da uva. A família se reunia na safra para fazer a colheita, fazer pizza, era um encontro, uma tradição”, conta o produtor, que hoje organiza a propriedade para receber pessoas e oferecer experiências ligadas à cultura da uva.

Entre as experiências que oferece está a Pisa da Uva. A propriedade também trabalha com o sistema colhe e pague. “A experiência permite que os visitantes participem do processo de colheita e vivenciem a cultura da uva”, afirma Zanchetta. Em 2019, o produtor recebeu um prêmio nacional como ‘negócio inovador’.

José e Sophia Zanchetta nas videiras da propriedade
José e Sophia Zanchetta nas videiras da propriedade

Depois disso, segundo o produtor, o turismo passou a representar uma parcela crescente da renda da família e atualmente tem papel importante em relação ao modelo tradicional de comercialização da uva, especialmente durante a safra, em dezembro e janeiro. “A demanda cresce principalmente na safra da uva, que é um atrativo. Dobra o número de clientes e também a procura por eventos relacionados à uva”, afirma.

Fora do período da colheita, a estratégia é manter o fluxo com almoços e recepção de grupos. “Com a vinda dos turistas, fazemos divulgação e mostramos que durante todo o ano temos os atrativos. Isso proporciona ao pessoal vir também fora da safra”, destaca o produtor.

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Em Marialva, a família Pires trabalha com uva desde 1992. Há dois anos, a propriedade passou a atuar com a modalidade colhe e pague, após anos de cultivo voltado à venda em atacado para todo o Brasil. “Hoje nosso foco é 100% no turismo rural. Fazemos o colhe e pague e também a venda de sucos e vinhos de produtores da região. A uva é o nosso forte”, conta o produtor.

Após a abertura ao turismo, a propriedade passou a receber até 400 clientes por dia. A expectativa com a Rota Uva & Vinho Paraná é ampliar ainda mais o fluxo. “Acredito que a rota seja vantajosa para divulgação, para atrair pessoas. É um roteiro turístico e uma experiência leva a outra”, avalia. “Espero fazer conexões com pessoas, ampliar a parte de sucos e vinhos. Quero fazer amizades que possam agregar ao nosso negócio” completa.

A propriedade de Elton Ricardo Pires, Recanto da Uva Fina, em Marialva

Lançamento da rota reuniu autoridades em Curitiba

lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná ocorreu em 24 de fevereiro, no Memorial de Curitiba, com a presença do governador em exercício Darci Piana; do secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes; do presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette; e do diretor presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, além de outras autoridades e representantes do enoturismo estadual.

Na ocasião, Piana destacou a articulação do Poder Executivo em relação ao ICMS incidente sobre os vinhos produzidos no Paraná. “O vinho do Paraná tinha um imposto igual ao vinho importado. Então, o governador Ratinho Junior concordou em reduzirmos de 28% para 18%”.

A Rota integra o Programa Estadual de Revitalização da Viticultura do Paraná (Revitis), lançado em 2019, que estabeleceu quatro eixos de atuação: incentivo à produção, reorganização da comercialização, apoio à agroindústria e desenvolvimento do turismo.

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“Cada pilar é formado por ações estratégicas específicas para proporcionar ao agricultor mais segurança desde o plantio até a comercialização. O programa e, agora, a rota permitem que pequenos produtores ampliem sua competitividade e se posicionem de forma sólida no mercado”, destaca Nunes.

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Comercialização da safra de algodão em Mato Grosso avança e preço sobe 4%

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foto: arquivo/assessoria

 

A comercialização da pluma para a safra 2024/25 atingiu 92,10% da produção do ciclo, avanço de 5,04 pontos percentuais ante fevereiro. O preço médio negociado, mês passado, foi de R$ 121,61/@, alta de 4,27% frente ao mês anterior. Para a safra 25/26 foi observado um avanço de 7,03 pontos percentuais, alcançando 65,60% da produção comercializada, a preço médio mensal de R$ 128,54/@, valorização mensal de 5,50%.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) também informou que o movimento nas safras foi sustentado pela alta dos contratos na bolsa de Nova Yorque e pelo cenário geopolítico, com o conflito no Oriente Médio elevando o petróleo e favorecendo a competitividade da pluma frente às fibras sintéticas.

Por fim, a dinâmica dos preços será crucial para definir o ritmo dos negócios nos próximos meses, considerando que o cotonicultor tem se planejado cada vez mais diante do estreitamento de suas margens de rentabilidade.

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Só Notícias

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Safra de laranja 2026/27 começa sob incertezas e preocupa setor citrícola

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Reprodução

O início da safra brasileira de laranja 2026/27, no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, se aproxima em meio a um cenário de incertezas que envolve desde a formação de preços até o comportamento da demanda, especialmente no mercado internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor ainda carece de sinais claros por parte da indústria quanto à formalização dos contratos de compra da fruta para a nova temporada.

Assim como ocorreu na safra anterior, a expectativa é de um ciclo mais tardio, com maior concentração da produção na segunda florada. Esse fator, por si só, já altera o ritmo de colheita e de processamento, impactando diretamente a dinâmica de negociação entre produtores e indústrias.

Definições devem ocorrer apenas em maio

De acordo com os pesquisadores, é provável que uma definição mais concreta sobre preços e volumes contratados só ocorra a partir do dia 8 de maio, quando o Fundecitrus divulgará seu tradicional levantamento de safra. Até lá, o mercado deve permanecer em compasso de espera.

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Em termos de volume, a safra 2026/27 tende a ser ligeiramente menor que a anterior, embora ainda seja considerada robusta. Mesmo assim, o cenário não traz alívio ao setor, já que o mercado enfrenta dificuldades no escoamento do suco de laranja, tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Estoques elevados e demanda externa preocupam

Outro ponto de atenção é o possível encerramento da safra 2025/26 com níveis elevados de estoques e com produto de boa qualidade. Esse contexto pode limitar a capacidade da indústria de absorver a nova produção, pressionando ainda mais as negociações.

A demanda internacional, especialmente da Europa, também gera preocupação. Tradicionalmente um dos principais destinos do suco brasileiro, o bloco ainda não adquiriu os volumes habituais até o momento, o que reforça o clima de cautela entre os agentes do setor.

Diante desse quadro, a citricultura brasileira inicia mais um ciclo produtivo sem visibilidade clara sobre preços, contratos e ritmo de consumo, o que exige atenção redobrada de produtores e indústrias na condução das estratégias para a nova safra.

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Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Preços dos ovos recuam após quaresma e acendem alerta no setor

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Reprodução EPTV

O mercado brasileiro de ovos encerrou a primeira quinzena de abril em queda, refletindo um cenário de consumo mais fraco do que o esperado para o período. Tradicionalmente, o início do mês costuma trazer uma recuperação na demanda, impulsionando as vendas, mas, desta vez, esse movimento não foi suficiente para sustentar os preços da proteína nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo mais lento das negociações aumentou a pressão por descontos, levando ao recuo generalizado das cotações. A procura por ovos ficou aquém das expectativas, o que impactou diretamente o desempenho do mercado neste início de abril.

Oferta desigual amplia pressão sobre o mercado

Do lado da oferta, o comportamento variou entre as regiões produtoras. Em algumas localidades, não houve aumento significativo dos estoques nas granjas, o que indica uma produção mais ajustada. No entanto, em outras praças, a menor saída do produto resultou em elevação da disponibilidade interna, ampliando a pressão sobre os preços.

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Esse desequilíbrio entre oferta e demanda acende um sinal de alerta para o setor, que precisará acompanhar de perto os próximos movimentos do mercado para evitar um cenário de maior desvalorização.

Tendência pós-quaresma preocupa produtores

O fim do período da Quaresma, tradicionalmente marcado por maior consumo de ovos em substituição a outras proteínas, também contribui para a mudança no comportamento do mercado. Levantamentos do Cepea indicam que, nos últimos dois anos, os preços da proteína recuaram por vários meses consecutivos após esse período, influenciados pelo aumento da oferta interna e pela redução na demanda.

Diante desse histórico, produtores e agentes da cadeia devem redobrar a atenção nos próximos meses, buscando estratégias para equilibrar produção e comercialização em um cenário que tende a ser mais desafiador para a sustentação dos preços.

Fonte: CenárioMT

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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