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Pecuária

Exportações sustentam mercado, mas consumo limita reação dos preços

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Imagem: reprodução/pensaragro

 

O mercado brasileiro do boi gordo atravessa um momento de ajuste. Depois de um início de ano marcado por preços firmes em várias praças pecuárias, as últimas semanas trouxeram recuos pontuais na arroba e um movimento de acomodação no atacado. A demanda externa continua dando sustentação ao setor, mas o consumo doméstico mais restrito tem limitado uma reação mais consistente das cotações.

Nas principais regiões produtoras, os preços da arroba registraram pequenas variações até 12 de março. Em São Paulo, a referência para a modalidade a prazo ficou em R$ 345 por arroba, queda de 1,43% em relação aos R$ 350 observados no fim da semana anterior. Em Goiânia, o valor permaneceu em R$ 330 por arroba, enquanto em Uberaba a cotação também se manteve em R$ 345.

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Outras praças apresentaram leve ajuste negativo. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a arroba recuou para R$ 335, ante R$ 340 na semana anterior. Já em Vilhena, em Rondônia, o preço caiu para R$ 310 por arroba. Em Cuiabá, no Mato Grosso, a referência permaneceu próxima de R$ 340.

O movimento reflete uma tentativa de frigoríficos de recompor margens após semanas de preços mais elevados do gado. Em algumas regiões, as indústrias passaram a testar compras em valores mais baixos, aproveitando o aumento da oferta de animais terminados.

Ao mesmo tempo, o mercado interno tem mostrado sinais de resistência a novos aumentos no preço da carne. No atacado, os cortes bovinos apresentaram acomodação ao longo da semana, indicando dificuldade de repasse ao consumidor.

O quarto dianteiro foi negociado em torno de R$ 20,50 por quilo, ante R$ 21 registrados na semana anterior. Já os cortes do traseiro permaneceram próximos de R$ 27 por quilo, sem mudanças relevantes no período.

A principal razão está no comportamento da demanda doméstica. Com a carne bovina em níveis considerados altos para grande parte da população, muitos consumidores têm migrado para proteínas mais baratas, como frango, ovos e embutidos. Esse deslocamento de consumo reduz a capacidade de reajuste dos frigoríficos no mercado interno.

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Se o consumo doméstico perdeu fôlego, o mesmo não ocorre no mercado internacional. As exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo forte neste início de ano. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, nos cinco primeiros dias úteis de março, o Brasil embarcou 59,9 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada.

O volume gerou receita de US$ 341,2 milhões no período, com média diária de US$ 68,2 milhões. O preço médio ficou em US$ 5.687 por tonelada.

Na comparação com março de 2025, o desempenho é superior. O valor médio diário exportado avançou 22,9%, enquanto o volume médio embarcado cresceu 5,9%. O preço médio da tonelada também subiu, com alta de 16,1% no período.

Esse desempenho externo tem sido um dos principais fatores de sustentação do mercado pecuário brasileiro. A demanda internacional continua absorvendo volumes relevantes de carne, ajudando a equilibrar a oferta em um momento em que o consumo doméstico mostra sinais de enfraquecimento.

Ainda assim, o setor acompanha com atenção possíveis impactos logísticos no comércio global de proteínas. O aumento das tensões no Oriente Médio e eventuais restrições de navegação em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, podem elevar custos de transporte e exigir ajustes nas rotas marítimas utilizadas pelos exportadores.

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No curto prazo, o mercado do boi gordo tende a permanecer influenciado por esse equilíbrio entre exportações firmes e demanda interna mais contida. Enquanto as vendas externas seguem dando suporte ao setor, a capacidade de reação dos preços no mercado doméstico depende principalmente de uma recuperação do consumo de carne bovina no país.

Com Pensar Agro

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Pecuária

Exigência europeia reacende debate sanitário

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A análise também aponta a existência de um componente político – Foto: Divulgação

A decisão europeia sobre a conformidade para exportação de proteínas animais colocou em debate a relação entre exigências regulatórias, rastreabilidade e competitividade no comércio internacional de alimentos. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, a exclusão do Brasil da lista da União Europeia de países com conformidade reconhecida não deve ser interpretada como um embargo imediato às carnes brasileiras.

A avaliação é que a medida está mais ligada à cobrança por comprovação documental do sistema produtivo do que à identificação de um risco sanitário comprovado. A União Europeia passou a exigir equivalência regulatória completa sobre o uso de antimicrobianos, incluindo controle veterinário, monitoramento e registros ao longo de toda a vida produtiva dos animais.

Nesse contexto, a rastreabilidade ganha peso central. O bloco europeu quer garantias de que os processos adotados nos países exportadores sejam equivalentes aos aplicados internamente, especialmente no controle de substâncias utilizadas na produção animal. O caso da monensina e de outros ionóforos passou a receber maior atenção justamente porque há questionamentos sobre a diferença entre o que a Europa permite em seu mercado interno e o nível de comprovação exigido de fornecedores externos.

A análise também aponta a existência de um componente político e comercial relevante. Produtores rurais europeus, especialmente franceses, têm pressionado por regras mais rígidas, em meio à preocupação com a competitividade das proteínas do Mercosul no mercado europeu. A discussão ocorre em paralelo ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia, em um cenário no qual exigências sanitárias podem funcionar, na prática, como barreiras não tarifárias.

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Apesar da preocupação, o impacto econômico imediato tende a ser limitado para o Brasil. A União Europeia representa hoje uma fatia menor das exportações brasileiras de proteína animal na comparação com mercados como China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático. Assim, não há indicação de colapso comercial no curto prazo, embora o país precise contornar a restrição iminente, prevista para começar em setembro.

Agrolink – Leonardo Gottems

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Pecuária

Brucelose acende alerta no campo e reforça vacinação obrigatória de bovinos e bubalinos no Brasil

Publicado

em

Foto: Freepik

 

O Sindan reforçou o alerta aos produtores rurais sobre a importância da vacinação contra a brucelose durante o mês da saúde animal, período marcado pela intensificação das campanhas sanitárias em diversas regiões do país. A imunização de fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de idade é obrigatória no Brasil e, em muitos estados, deve ser realizada até o dia 31 de maio.

A brucelose, também conhecida como febre mediterrânea, é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Brucella e considerada uma das zoonoses de maior relevância para a pecuária mundial. Além de comprometer a saúde dos animais, a enfermidade também representa risco à saúde humana, podendo ser transmitida pelo contato direto com animais infectados ou pelo consumo de leite e derivados não pasteurizados.

Doença provoca prejuízos à pecuária

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Entre os principais impactos da brucelose na produção pecuária estão abortos, infertilidade, redução da eficiência reprodutiva e queda na produtividade dos rebanhos. Esses fatores geram prejuízos econômicos importantes para os produtores e afetam diretamente a competitividade do setor.

O controle sanitário é considerado estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente porque o país ocupa posição de destaque entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne bovina, suína e de frango. A manutenção desse protagonismo depende de programas rigorosos de defesa agropecuária, vacinação e monitoramento constante das doenças animais.

Segundo o Sindan, a saúde dos rebanhos está diretamente ligada à qualidade dos alimentos, à produtividade no campo e ao cumprimento das exigências sanitárias dos mercados internacionais.

Zoonoses preocupam autoridades sanitárias

A preocupação com a brucelose também envolve a saúde pública. Dados da OMS indicam que existem mais de 200 enfermidades zoonóticas conhecidas atualmente. Já a entidade HealthforAnimals aponta que cerca de 60% das doenças existentes no mundo são zoonoses.

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Diante desse cenário, especialistas reforçam que o combate à brucelose vai além da proteção dos rebanhos e se torna uma medida essencial para garantir a segurança alimentar da população.

Vacinação é principal ferramenta de controle

A vacinação obrigatória segue sendo uma das estratégias mais eficazes para reduzir a circulação da bactéria nos rebanhos brasileiros. A imunização precoce, realizada dentro da faixa etária recomendada, contribui para diminuir os índices da doença e fortalecer os programas de erradicação sanitária no país.

Além do cumprimento do calendário vacinal, técnicos e especialistas recomendam a adoção de boas práticas de manejo, acompanhamento veterinário contínuo e monitoramento sanitário permanente nas propriedades rurais.

A integração entre produtores, médicos-veterinários e órgãos de defesa agropecuária é apontada como fundamental para ampliar o controle da doença, reduzir os riscos de transmissão e preservar a sustentabilidade da pecuária brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Pecuária

Pecuária intensiva avança no Brasil e estudo da Cargill analisa recorde de 2,7 milhões de animais confinados

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Foto: Cargill

 

A pecuária intensiva brasileira segue avançando em produtividade, tecnologia e gestão. A edição 2026 do Benchmarking Confinamento Probeef, desenvolvido pela Cargill Nutrição e Saúde Animal, registrou um novo recorde ao analisar 2,7 milhões de animais confinados, reforçando a dimensão e a tecnificação do setor no Brasil.

O levantamento representa cerca de 27% de todo o mercado nacional de confinamento bovino e consolida a maior base de dados sobre pecuária intensiva da América Latina.

Ao longo dos últimos dez anos, o estudo acumulou números expressivos:

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  • mais de 11,7 milhões de cabeças avaliadas;
  • cerca de 110 mil lotes monitorados;
  • participação de 300 confinamentos no Brasil, Bolívia e Paraguai.

A maior concentração dos rebanhos avaliados permanece nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, principais polos da pecuária de corte intensiva.

Brasil fortalece liderança global na produção de carne bovina

O avanço do confinamento acompanha a expansão da produção nacional de carne bovina.

Segundo os dados apresentados no estudo, o Brasil alcançou no último ano a posição de maior produtor mundial de carne bovina, com produção estimada em 12,35 milhões de toneladas.

No mesmo período, o confinamento brasileiro praticamente dobrou de tamanho, atingindo aproximadamente 10 milhões de cabeças terminadas em sistema intensivo.

De acordo com Felipe Bortolotto, gerente de Tecnologia para Gado de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal, a transformação da atividade nos últimos anos foi marcada pela adoção crescente de ciência, dados e tecnologia no manejo pecuário.

Pecuária intensiva ganha escala e eficiência operacional

A edição de 2026, baseada em dados consolidados de 2025, revela a diversidade do confinamento brasileiro, abrangendo desde estruturas com mil animais até operações superiores a 90 mil cabeças.

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Entre os principais indicadores observados no levantamento estão:

  • 89,75% dos animais confinados são machos;
  • peso médio de entrada de 377 quilos;
  • permanência média de 112 dias no cocho.
  • As raças predominantes seguem sendo:
  • Nelore;
  • cruzamentos industriais;
  • F1 Angus.
Tecnologia e gestão impulsionam produtividade no confinamento

O estudo mostra avanço significativo da profissionalização da pecuária intensiva brasileira, especialmente na gestão operacional e no uso de tecnologia.

Entre os destaques do Benchmarking Probeef estão:

  • Uso de softwares de gestão cresce no confinamento

Atualmente, 95% dos confinamentos analisados utilizam softwares de gestão operacional.

Nos sistemas mais eficientes do país, classificados entre os Top 10%, o índice de adoção tecnológica chega a 100%.

Produtividade da mão de obra aumenta 25%

A eficiência operacional também avançou nos últimos cinco anos.

A produtividade média por colaborador passou de 425 animais por funcionário em 2021 para 529 animais em 2025, crescimento de aproximadamente 25%.

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Bem-estar animal ganha espaço nas propriedades

O levantamento aponta ainda maior preocupação dos confinamentos com infraestrutura voltada ao bem-estar animal.

Entre os sistemas avaliados:

  • 55% possuem irrigação nos currais;
  • 54% dos confinamentos Top 10 utilizam automação de trato e controle operacional.
Dietas de alta energia avançam na pecuária intensiva

Outro destaque é o crescimento do uso de dietas de alta densidade energética.

Segundo o estudo, 25% das operações já utilizam a chamada Dieta Fast, estratégia nutricional sem uso de volumoso, focada em maior eficiência produtiva.

Confinamentos mais eficientes reduzem custos e aumentam desempenho

Os sistemas classificados entre os 10% mais eficientes apresentam indicadores superiores em diferentes áreas da operação.

Entre os diferenciais observados estão:

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  • maior espaço por animal nos currais;
  • protocolos mais longos de adaptação alimentar;
  • uso de leitura noturna de cocho;
  • maior controle operacional.

Segundo o levantamento, 77,3% dos confinamentos Top 10 utilizam 21 dias de adaptação alimentar, enquanto metade das operações adota leitura noturna de cocho para ajuste das dietas.

Como resultado, esses sistemas alcançam eficiência biológica 8% superior à média geral do estudo.

Além disso, a economia chega a 11,66 quilos de matéria seca por arroba produzida, o que representa redução aproximada de R$ 120 por cabeça nas condições atuais de mercado.

Inteligência de dados deve transformar ainda mais a pecuária brasileira

Para a Cargill, o futuro do confinamento brasileiro passa pela integração entre nutrição de precisão, inteligência de dados e inovação tecnológica.

A expectativa é de ampliação da base de informações do Benchmarking Probeef nos próximos anos, aprofundando análises que auxiliem produtores na tomada de decisões mais eficientes e sustentáveis.

O avanço da tecnificação reforça o movimento de modernização da pecuária brasileira, que busca aumentar produtividade, reduzir custos e ampliar competitividade no mercado global de carne bovina.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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