Mato Grosso
Ex-ministro da agricultura Antônio Cabrera aponta gargalos logísticos e critica burocracia como entraves ao avanço do agro

Assessoria
O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera ministrou a palestra “O Agro brasileiro: perspectivas e desafios” durante a programação do 3º dia da 17ª Parecis SuperAgro, em Campo Novo do Parecis. Na apresentação, Cabrera avaliou o atual cenário do setor, destacou desafios enfrentados pelos produtores e defendeu que o Brasil precisa avançar em decisões estratégicas para garantir competitividade e soberania.
Cabrera, que foi ministro entre os anos de 1990 e 1992, afirmou durante a palestra que o agronegócio atravessa um momento de crise, mas que o cenário também representa uma oportunidade de aprendizado. “É um momento de muito desafio para o produtor, mas também de lições. Eu tenho um velho ditado que diz que a gente nunca deve desperdiçar uma crise”, declarou.
Entre os principais pontos abordados, o ex-ministro citou a dependência brasileira de fertilizantes e criticou a demora para explorar reservas nacionais. Segundo destacou, o Brasil possui grandes reservas de cloreto de potássio, mas ainda enfrenta entraves para iniciar a extração. “O Brasil tem as maiores reservas de cloreto de potássio e, no entanto, há 15 anos está judicializada a abertura da primeira mina. Essa burocracia não pode continuar impedindo a geração de riquezas”, afirmou.
Cabrera também criticou a falta de planejamento do Governo Federal em políticas de biocombustíveis, destacando que o país possui o maior programa do mundo, mas não avança conforme previsto em lei. Ele citou como exemplo a ampliação da mistura do biodiesel no diesel, que deveria ter passado de B15 para B17 neste ano. “O governo não fez isso. Apareceu agora dizendo que precisa fazer testes. Se precisasse, por que isso não foi feito no ano passado?”, questionou.
Outro destaque foi a defesa de investimentos em infraestrutura logística, especialmente hidrovias e ferrovias. Cabrera classificou como “absurdo” o baixo aproveitamento dos rios brasileiros para transporte. “Apenas 4,5% da produção brasileira é trafegada por vias fluviais. Nós temos o maior potencial hidroviário ainda a ser explorado do mundo”, disse.
Sobre ferrovias, ele voltou a citar a Ferrogrão como exemplo de projeto estratégico travado por impasses. Para Cabrera, além de reduzir custos logísticos, a ferrovia também teria impacto ambiental positivo. “Se a Ferrogrão estivesse operando hoje, ela estaria reduzindo em 77% as emissões de CO2. É o maior projeto de descarbonização da economia do mundo”, afirmou.
O ex-ministro também avaliou que a obra é fundamental para a soberania nacional, ao integrar a região Norte e garantir capacidade de mobilização logística em cenários de crise. “A Ferrogrão não vai apenas favorecer o agronegócio, ela vai ser uma obra de integração para garantir essa soberania”, destacou.
Cabrera ainda defendeu que o agro precisa melhorar sua comunicação com a sociedade e combater narrativas negativas. Segundo ele, o setor não tem contado sua própria história e acaba sendo atacado por organizações contrárias ao agronegócio. “Alguém está contando a história, são ONGs. A gente não está contando. Talvez a gente precise de um cineasta para contar a nossa história”.
O ex-ministro também argumentou que parte das críticas internacionais estaria relacionada a interesses econômicos de concorrentes. “Antes, ninguém ligava para a gente. Agora o Brasil tomou o mercado. Nós estamos sendo convidados para um ringue, onde o pessoal está batendo abaixo da cintura”, disse.
Apesar de sua análise crítica da atual conjuntura, Cabrera deixou uma mensagem de otimismo aos produtores e reforçou que o Brasil tem potencial para ser ainda mais protagonista no cenário global. “O Brasil não tem problemas. O Brasil tem o bilhete sorteado da loteria global. O problema são as decisões erradas, sistemáticas. Quando esse país tiver a bússola certa, o céu é o limite”, concluiu.
17ª Parecis SuperAgro
A Parecis SuperAgro é uma realização do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e conta com o patrocínio da Aprosoja – MT, Senar – MT, Aster (Concessionária JD), Sicoob Credisul e Sicredi, além do apoio da Prefeitura de Campo Novo do Parecis e da Câmara Municipal de Campo Novo do Parecis.
Plenário MT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Decisão do STF traz mais segurança jurídica ao produtor rural de Mato Grosso, avalia Famato

Divulgação Famato
A Famato avaliou como positiva a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que extinguiu a ação responsável por suspender os efeitos da Resolução Consema nº 45/2022.
Segundo a entidade, a medida traz mais previsibilidade e reduz a insegurança jurídica enfrentada por produtores rurais de Mato Grosso, especialmente nas regiões do Araguaia e do Guaporé, onde a pecuária possui forte presença econômica.
A Federação informou que acompanhou de perto toda a discussão envolvendo o tema junto ao STF e considera que a decisão contribui diretamente para dar maior estabilidade ao setor produtivo em questões ligadas ao licenciamento ambiental e à regularização das atividades rurais.
Para a Famato, o principal efeito prático da decisão é oferecer mais segurança ao produtor no planejamento da atividade, na realização de investimentos e na continuidade da produção agropecuária.
A entidade destaca que medidas amplas, com potencial de impactar processos de licenciamento e regularização, precisam considerar as características produtivas das diferentes regiões do estado.
Segundo a Federação, as regiões do Araguaia e do Guaporé concentram importante parcela da pecuária mato-grossense. Dessa forma, debates relacionados às regras ambientais nessas áreas acabam refletindo diretamente na atividade econômica, na geração de renda e na segurança de produtores que atuam dentro da legalidade.
A Famato também ressaltou que a decisão do STF não impede a discussão ambiental, mas reforça a necessidade de que esse debate ocorra com base técnica, responsabilidade institucional e respeito às normas constitucionais.
Na avaliação da entidade, esse equilíbrio é essencial para conciliar proteção ambiental, segurança jurídica e continuidade da produção agropecuária em Mato Grosso.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Dia D para o agro de Mato Grosso: Fachin cede à pressão e pauta julgamento da Ferrogrão no STF após forte embate nos bastidores

Luiz Edson Fachin pauta os trilhos de Mato Grosso
Julgamento da ADI 6553, marcado para esta próxima quarta-feira (20 de maio de 2026), definirá o futuro logístico e a competitividade das exportações de grãos em Mato Grosso.
Uma decisão de última hora nos bastidores de Brasília promete sacudir as estruturas do agronegócio de Mato Grosso nesta semana. Após um intenso embate com o ministro Gilmar Mendes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, pautou para a sessão plenária da próxima quarta-feira (20 de maio de 2026) o julgamento da Ferrogrão, obra considerada a espinha dorsal da logística do Centro-Oeste.
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A inclusão do processo ocorre após o decano Gilmar Mendes cobrar publicamente o andamento de ações estratégicas para o país. Em mensagens privadas, o ministro chegou a acusar a presidência da Corte de promover uma obstrução na pauta. Diante da pressão institucional, Fachin liberou o caso que ditará o ritmo dos investimentos em infraestrutura e o futuro do escoamento da safra de grãos nos próximos anos.
O que está em jogo no julgamento da Ferrogrão?
O STF vai analisar a constitucionalidade da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6553), que questiona a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. Essa modificação territorial é o passo jurídico indispensável para viabilizar o traçado dos trilhos da ferrovia que ligará Sinop aos portos de Miritituba.
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O placar atual do julgamento está favorável ao setor produtivo de Mato Grosso:
*Voto do Relator: O ministro Roberto Barroso votou a favor da manutenção dos novos limites do parque para permitir a construção da ferrovia;
*Acompanhamento: O ministro Alexandre de Moraes seguiu o relator, abrindo o placar em 2 a 0;
*Devolução de Vista: A análise havia sido suspensa por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que liberou o processo no último mês;
*Expectativa do Setor: O agro aguarda o fechamento do julgamento nesta quarta-feira para garantir a segurança jurídica necessária para o início das obras.
Impacto direto no agro e na Reforma Trabalhista
Além da infraestrutura logística, o pacote de julgamentos pautado por Fachin traz outra matéria que impacta diretamente os custos operacionais do agronegócio: as regras de acesso à gratuidade na Justiça do Trabalho. A Corte vai julgar a validade de trechos da Reforma Trabalhista que limitaram a concessão desse benefício.
Para os produtores rurais e agroindústrias instaladas em Lucas do Rio Verde e Sorriso, a manutenção das regras atuais é vista como crucial. A exigência de comprovação de insuficiência econômica ajudou a reduzir drasticamente a litigância trabalhista predatória e trouxe maior estabilidade jurídica para as contratações no campo, equilibrando as relações de emprego em grandes complexos agroindustriais.
Tensões internas e o calendário do STF
O clima no STF azedou após Fachin defender publicamente a criação de um Código de Conduta para os magistrados ainda em 2026. Gilmar Mendes lidera a ala contrária, argumentando que debater regras éticas em ano eleitoral expõe o tribunal a ataques externos desnecessários.
Apesar da falta de consenso sobre as sanções do código, Fachin utilizou sua prerrogativa exclusiva de fechar a pauta física para acelerar os temas mais sensíveis da República, colocando a Ferrogrão no topo das prioridades nacionais desta semana.
Por que Mato Grosso paralisa para assistir ao STF?
A Ferrogrão é projetada para transportar mais de 30 milhões de toneladas de grãos por ano, aliviando o tráfego pesado da BR-163 e cortando os custos do frete em até 30%. O projeto se conecta diretamente à estratégia de expansão das multinacionais de biocombustíveis e processadoras instaladas no estado.
A sessão desta quarta-feira definirá se Mato Grosso dará um salto rumo à modernidade logística ou se continuará dependente do asfalto precário. O CenárioMT fará a cobertura completa em tempo real para trazer os desdobramentos desse julgamento histórico para o produtor rural.
Com informações do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Mato Grosso abre 37 mil empresas e registra alta de 20% no primeiro trimestre

Cuiabá liderou o ranking estadual de abertura de empresas no primeiro trimestre, com 8.551 novos negócios formalizados – Foto por: Tonico Pinheiro – Vini Balosio/Secom-MT
Mato Grosso registrou a abertura de 37.138 empresas entre janeiro e março de 2026, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram formalizados 30.970 novos negócios no Estado. Os dados são da Junta Comercial do Estado (Jucemat).
O avanço na abertura de empresas acompanha o desempenho da geração de empregos formais. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Mato Grosso teve saldo positivo de 22.106 vagas com carteira assinada no primeiro trimestre deste ano.
O setor de serviços liderou tanto a abertura de empresas quanto a criação de empregos no Estado. Entre janeiro e março de 2026, foram abertas 26.795 empresas no segmento, frente a 21.993 no mesmo período de 2025, alta de 21,8%.
Na geração de empregos, os serviços também ficaram na primeira posição, com saldo positivo de 9.444 vagas formais no trimestre.
A indústria apresentou o maior crescimento proporcional na abertura de empresas em Mato Grosso. O setor saltou de 2.241 novos negócios no primeiro trimestre de 2025 para 2.918 em 2026, avanço de 30,2%. O comércio também registrou crescimento positivo, passando de 6.736 para 7.426 empresas abertas, aumento de 10,2%. A geração de emprego de janeiro a março também seguiu a alta de novas empresas, com 2.739 novos postos na indústria e 2.015 empregos formais criados no comércio.
Cuiabá liderou o ranking estadual de abertura de empresas no primeiro trimestre, com 8.551 novos negócios formalizados e crescimento de 22,4% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Várzea Grande aparece em seguida, com 3.118 empresas abertas e alta de 25,4%. Na sequência estão Sinop, com 2.816 novos empreendimentos, Rondonópolis com 2.579 e Sorriso com 1.529 empresas abertas no trimestre.
Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, os números refletem o momento de expansão econômica vivido por Mato Grosso, impulsionado pelo agronegócio, crescimento industrial, fortalecimento logístico e aumento da demanda por serviços e consumo em diferentes regiões do estado.
“A abertura de novas empresas e a geração de empregos mostram que Mato Grosso vive um ambiente econômico favorável para quem quer investir, empreender e crescer. Os números refletem a força da nossa economia, além do trabalho do Governo do Estado na atração de investimentos, melhoria da infraestrutura e desburocratização para estimular novos negócios”.
Débora Siqueira | Sedec-MT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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