Economia
EUA impõem tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, mas impacto em MT deve ser limitado, diz governador

Demanda supera R$ 1 trilhão e impulsiona crédito no agro – Foto ilustrativa: Secom-MT
As exportações de Mato Grosso para os Estados Unidos representaram apenas 1,1% do total embarcado pelo estado no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Comex Stat, plataforma do Governo Federal. O número reforça a baixa dependência do mercado norte-americano e justifica a avaliação do governador Mauro Mendes (União), que minimizou os efeitos da nova tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros.
“O ‘tarifaço’ é um problema grave que vai afetar a todos, mas nosso agronegócio é competitivo e, com o nosso apoio, sem dúvidas, vai encontrar outros mercados para compensar as perdas”, declarou Mendes nesta quarta-feira (16), em nota.
Apesar da recente medida anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que entrará em vigor no dia 1º de agosto, a avaliação do governo de Mato Grosso é de que o impacto direto sobre a economia local deve ser limitado, uma vez que os principais destinos das exportações do estado são China (46%), Vietnã (5,8%), Tailândia (4,6%), Turquia (4%) e Indonésia (4%).
Agronegócio lidera pauta de exportações
O agronegócio segue como carro-chefe das exportações mato-grossenses. No primeiro semestre deste ano, os principais produtos enviados ao exterior foram:
Soja: 58%
Algodão bruto: 12%
Carne bovina: 10%
Milho não moído: 3,5%
Em 2024, Mato Grosso foi o segundo estado brasileiro que menos exportou para os Estados Unidos, com apenas 1,5% da sua produção destinada ao mercado norte-americano. Os maiores fornecedores brasileiros para os EUA naquele ano foram São Paulo (19%), Maranhão (13%), Minas Gerais (11%) e Rio Grande do Sul (8,5%).
Frigoríficos monitoram cenário e reduzem ritmo
Responsáveis por 10% das exportações totais de Mato Grosso em 2024, os frigoríficos estão em alerta diante da incerteza sobre o alcance da nova taxação. De acordo com o presidente do Sindifrigo, Paulo Belincanta, algumas unidades começaram a reduzir a produção ou armazenar a mercadoria.
“Não está claro se a taxa vai incidir apenas sobre novos embarques a partir de agosto ou também sobre produtos já em trânsito. Até que saibam, é difícil carregarem, porque está sujeito à oscilação de preço absurda. O impasse é grande”, explicou Belincanta.
Em 2024, o estado exportou cerca de US$ 148,5 milhões em carne bovina para os EUA. No primeiro semestre de 2025, foram cerca de 37 mil toneladas, totalizando um faturamento de aproximadamente US$ 119 milhões, com destaque para carnes desossadas, frescas, refrigeradas ou congeladas.
Estados Unidos: grandes fornecedores, mas não grandes compradores
Embora sejam destino secundário das exportações de Mato Grosso, os Estados Unidos estão entre os maiores fornecedores do estado. Em 2024, 11% das importações feitas por Mato Grosso vieram dos EUA, ficando atrás apenas da China, Rússia e Canadá.
MT é potência agrícola e pilar da economia brasileira
Líder nacional na produção de soja, milho, algodão e rebanho bovino, Mato Grosso é uma potência agroexportadora. Em duas décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual saltou de R$ 14,8 milhões em 2000 para R$ 233,39 milhões em 2021, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A agricultura é responsável por mais de 50% do PIB estadual.
Mesmo com o cenário global de incertezas, Mato Grosso demonstra resiliência econômica e capacidade de diversificar seus mercados. Como reforça o governador Mauro Mendes, o estado está pronto para enfrentar os desafios impostos por medidas protecionistas e seguir fortalecendo sua posição no comércio internacional.
Fonte: CenarioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Dólar em queda pressiona soja no Brasil e mantém mercado travado

Divulgação
O mercado brasileiro de soja segue com pouca movimentação, pressionado principalmente pela queda do dólar, que limita a formação de preços e mantém os negócios travados no país
Câmbio mais baixo pesa nas cotações
A desvalorização da moeda americana frente ao real tem sido o principal fator de pressão sobre a soja no Brasil.
Como a commodity é negociada em dólar, o recuo do câmbio reduz a remuneração em reais, impactando diretamente:
Preços pagos ao produtor
Competitividade das exportações
Formação das cotações internas
Mesmo com algum suporte externo, o câmbio mais fraco tem prevalecido no curto prazo.
Mercado segue travado no país
O reflexo direto desse cenário é a baixa liquidez. O mercado apresenta:
Poucos negócios nos portos e no interior
Produtores retraídos, aguardando melhores preços
Tradings mais cautelosas nas compras
Com isso, a comercialização ocorre de forma pontual, sem grande volume negociado.
Chicago não compensa pressão interna
Apesar de leves altas na Bolsa de Chicago, o movimento não tem sido suficiente para impulsionar os preços no Brasil.
Isso porque:
O câmbio tem peso maior na formação do preço interno
Os prêmios seguem sem força para reagir
A combinação mantém o mercado sem direção clara
Produtor resiste a vender
Diante das cotações consideradas pouco atrativas, muitos produtores optam por segurar a soja, o que reduz ainda mais a liquidez.
Esse comportamento contribui para:
Travamento do mercado
Baixo volume de negócios
Estabilidade com viés de baixa nos preços
Tendência ainda é de cautela
No curto prazo, o mercado deve continuar dependente de fatores como:
Movimento do dólar
Comportamento da demanda externa
Oscilações em Chicago
Enquanto não houver melhora no câmbio ou mudança nos fundamentos, a tendência é de mercado lento e com dificuldade de reação.
CenárioRural
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Etanol hidratado atinge menor preço real desde 2024 no início da safra 2026/27

Reprodução
A média de preços do etanol hidratado em abril, primeiro mês oficial da safra 2026/27, registrou o menor patamar desde junho de 2024 em termos reais. O dado é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, que aponta o avanço da moagem como principal fator para a queda nas cotações.
Neste ano, o ritmo de processamento da cana-de-açúcar foi acelerado pelas condições climáticas, especialmente pelo baixo volume de chuvas, o que ampliou a oferta do biocombustível no mercado. Com mais produto disponível, os preços passaram a sofrer pressão ao longo do mês.
Apesar disso, o comportamento das negociações foi marcado por cautela. Segundo pesquisadores do Cepea, as vendas realizadas pelas usinas ocorreram de forma pontual, envolvendo volumes reduzidos. As distribuidoras, por sua vez, mantiveram-se mais afastadas das compras durante grande parte do período.
Ainda assim, o volume total comercializado apresentou crescimento expressivo. Em São Paulo, as vendas de etanol hidratado pelas usinas aumentaram 75,1% na comparação com março e 24,8% em relação a abril de 2025, refletindo a maior disponibilidade do produto no mercado.
O cenário, no entanto, é de atenção para o setor sucroenergético. De acordo com agentes consultados pelo Cepea, a combinação de preços mais baixos tanto do etanol quanto do açúcar acende um alerta sobre o desempenho da safra 2026/27 no Centro-Sul do país.
A conjuntura atual evidencia um momento de incerteza, em que o aumento da oferta, aliado à demanda ainda cautelosa, pressiona as margens do setor e exige ajustes estratégicos por parte das usinas ao longo do ciclo produtivo.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Ureia perde sustentação e inicia movimento de queda global

Imagem: nutrimosaic
Após dois meses de forte valorização, o mercado global de ureia começa a dar sinais claros de perda de fôlego, à medida que os preços atingiram níveis cada vez menos sustentáveis do ponto de vista da demanda. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, embora as restrições logísticas no Oriente Médio sigam como um fator estrutural de limitação da oferta, o enfraquecimento do consumo passou a exercer maior influência sobre a dinâmica de preços.
No Brasil, esse movimento já se reflete de forma concreta. Segundo o relatório semanal de fertilizantes, os preços da ureia registram a segunda semana consecutiva de queda, com negócios sendo fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada, cerca de 4% inferiores em relação às referências de duas semanas atrás.
Nesse cenário, recuos também foram observados nos Estados Unidos, na China, no Oriente Médio e no Egito, indicando um movimento mais amplo de enfraquecimento das cotações, alinhado a uma demanda global mais fraca.
Conforme compartilha o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, o contexto atual evidencia uma mudança relevante no vetor de formação de preços. “Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior na dinâmica do mercado, pressionando as cotações para baixo após um período de alta intensa”, realça.
Ainda assim, a expectativa é de que eventuais quedas adicionais ocorram de forma limitada no curto prazo. Isso porque os gargalos logísticos no Oriente Médio, região responsável por uma parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia, seguem restringindo a oferta internacional.
Nesse ambiente, os preços tendem a permanecer relativamente sustentados, mesmo diante de uma demanda mais fraca. Na avaliação de Pernías, o cenário é influenciado por fatores como o período de menor consumo em países-chave, relações de troca menos atrativas para o produtor e uma postura mais cautelosa por parte dos compradores, que têm evitado avançar em novas aquisições diante das incertezas do mercado.
Com StoneX
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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