Agronegócio
Entenda como funcionam os serviços de inspeção dos produtos de origem animal

Divulgação
Você sabia que os produtos de origem animal que chegam à mesa da sua casa, dependendo de onde ele será comercializado e da natureza do produto passam por rigorosos serviços públicos de inspeção? Se o processo de fabricação estiver em conformidade com as regulamentações sanitárias, ele recebe um selo na embalagem que indica que a fiscalização foi realizada no empreendimento e que o produto pode ser consumido sem receio.
São diversos os tipos de selo, como o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), o Serviço de Inspeção Estadual (SIE), o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e o Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA). Todos eles atendem à obrigatoriedade da legislação brasileira para os produtos de origem animal, como as carnes, os pescados, o leite e seus derivados, os ovos, o mel e a cera de abelha.
O selos atendem à obrigatoriedade da legislação brasileira para os produtos de origem animal, como os pescados, por exemplo: Foto: Divulgação SEAPA
É o próprio serviço de inspeção que orienta os estabelecimentos para o cumprimento das normas, assegurando a qualidade e prevenindo a transmissão de doenças por meio do consumo dos alimentos.
Coforme explica o assessor técnico da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA), Matheus Fernandes de Castro, cada selo tem um nível diferenciado de exigências a serem cumpridas e isso determina a abrangência territorial de comercialização do produto. “O SIM é emitido por um órgão público municipal e a comercialização dos produtos com este selo só pode ser feita no município”, complementa.
Em Minas Gerais, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) é o órgão público responsável pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) e os produtos podem ser comercializados entre os municípios do estado. Já o SIF, de responsabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), permite a comercialização em todo o país e também para a exportação.
O SISBI-POA é o selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, do Ministério da Agricultura. Os produtos com esta identificação podem ser comercializados em todo o país, sem que haja a necessidade de possuir o SIF, mas não podem ser exportados.
Na prática, a partir da criação do SISBI, o Ministério da Agricultura permitiu a adesão de estados e municípios, de forma individual ou por meio de consórcios, para a realização dos serviços de inspeção equivalente ao realizado pelo ministério.
Processo
Para a equivalência, os órgãos municipais devem se cadastrar no sistema eletrônico e-Sisbi, gerenciado pelo MAPA, e comprovar que têm condições de executar a inspeção e fiscalização de produtos de origem animal, seguindo normas harmonizadas e com a mesma eficiência do ministério.
“Assim o Serviço de Inspeção Municipal ou o IMA, por exemplo, podem oferecer o Selo SISBI aos estabelecimentos fiscalizados, com a permissão de comercializar em todo o território nacional”, comenta Castro.
Todos os órgãos municipais devem se cadastrar no sistema eletrônico e-Sisbi, gerenciado pelo MAPA. Foto: Diego Vargas/SEAPA
Atualmente, Minas Gerais é o estado com o maior número de municípios integrados ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal. Ao todo, 293 cidades do Estado já fazem parte desse sistema, de forma consorciada ou individual com o reconhecimento do serviço municipal para a equivalência ao SISBI.
Em Minas, também há o projeto “Diga Sim ao SIM”, desenvolvido pela Secretaria de Agricultura com o objetivo de fortalecer os Serviços de Inspeção Municipal (SIM), de forma individual ou consorciada. “O objetivo é fortalecer a criação e institucionalização do serviço de inspeção em pequenos municípios, com redução de custos com equipe técnica e infraestrutura. A meta é chegar a 50% dos municípios integrados ao SISBI até 2026”, informa o assessor.
Fonte: Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Assessoria de Comunicação Social
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Brasil inicia safra de laranja 2026/27 sob incerteza de preços

Imagem: reprodução
O Brasil inicia a safra de laranja 2026/27 em um ambiente de incerteza sobre preços, contratos e capacidade de absorção da indústria, em meio a um cenário de oferta ainda elevada, mas pressionada por fatores climáticos e fitossanitários. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta baixa visibilidade nas negociações neste início de ciclo.
No principal polo produtor — o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, responsável pela maior parte da produção nacional —, o mercado segue sem definição clara de volumes e preços. A expectativa é de que as negociações avancem apenas em maio, com a divulgação de novos dados oficiais de safra pelo Fundecitrus, que tradicionalmente balizam os contratos entre produtores e indústria.
Etanol de milho avança no agro
A indefinição ocorre após o encerramento da safra 2025/26 em 292,94 milhões de caixas de 40,8 quilos. O volume representa alta de 26,9% em relação ao ciclo anterior, mas ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial, refletindo perdas relevantes ao longo da temporada. Ainda assim, o resultado figura entre os maiores da série histórica da citricultura brasileira.
O desempenho da safra passada foi impactado por uma combinação de déficit hídrico e avanço do greening, principal doença da cultura. No cinturão citrícola, o acumulado de chuvas entre maio de 2025 e março de 2026 ficou em 1.135 milímetros, cerca de 13% abaixo da média histórica, com maior intensidade no norte paulista e no Triângulo Mineiro.
As perdas no campo foram expressivas. A taxa média de queda de frutos chegou a 23,2%, acima do previsto inicialmente, resultando em perdas estimadas em 88,49 milhões de caixas. Desse total, 49,59 milhões de caixas foram atribuídas ao greening, que segue como principal fator de pressão estrutural sobre a produtividade dos pomares.
Além disso, a safra foi marcada por colheita mais tardia e maior participação de frutos de segunda florada, especialmente nas variedades destinadas à indústria. Esse perfil elevou a exposição a pragas e adversidades climáticas, reduzindo o rendimento e afetando a qualidade da matéria-prima.
Para a safra 2026/27, a tendência é de estabilidade ou leve queda na produção, ainda que o volume permaneça elevado. O ciclo deve repetir o padrão tardio, com maior concentração da colheita na segunda florada, o que mantém a incerteza sobre o ritmo de oferta ao longo da temporada.
Do lado da demanda, o principal ponto de atenção está no mercado internacional de suco. O Brasil, maior produtor e exportador global, inicia o ciclo com estoques considerados confortáveis e enfrenta dificuldades no escoamento, especialmente para a Europa, tradicional destino das exportações. Esse cenário limita a capacidade de absorção da nova safra e reduz o poder de barganha do produtor nas negociações com a indústria.
Neste mês, em abril de 2026, a laranja pera vem sendo comercializada, em média, a R$ 28,76 por caixa no mercado paulista, referência nacional de preços. O patamar é considerado moderado diante dos custos de produção e do avanço dos riscos sanitários, que continuam pressionando a rentabilidade no campo.
O Brasil mantém liderança global na citricultura, respondendo por cerca de 32,8% da produção mundial de laranja e aproximadamente 62% do suco consumido no mundo. Com cerca de 800 mil hectares cultivados, a produção segue concentrada no eixo São Paulo–Minas Gerais, mas com presença relevante também em estados do Nordeste.
Na prática, o produtor entra no novo ciclo sem referência consolidada de preços e com maior dependência do comportamento da indústria e das exportações. Em um ambiente de custos elevados e risco fitossanitário crescente, a definição dos contratos nas próximas semanas será determinante para o ritmo da safra 2026/27.
Com Feagro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Peixe SP alerta para os perigos econômicos e sanitários da importação de tilápia do Vietnã

Foto: Pixabay
A importação de tilápia do Vietnã segue ameaçando a piscicultura brasileira. “Um dos sinais de alerta está na economia. A tilápia importada chega ao Brasil com preços significativamente mais baixos por não ter de lidar com a carga tributária que enfrentamos, exigências ambientais rigorosas e custos extremamente elevados com ração, energia e licenciamento”, explica Marilsa Patricio, executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP).
Em três meses, foram importadas mais de 3.500 toneladas de tilápia do Vietnã. Outro sinal de alerta é a queda do preço pago ao produtor brasileiro, que passa a sofrer com margens ainda mais apertadas e aumento da oferta de maneira exponencial, o que pressiona ainda mais o mercado e inviabiliza pequenos e médios piscicultores.
Também é preocupação o alto risco sanitário devido à possível disseminação do Tilápia Lake Vírus (TiLV). “Historicamente, o Vietnã sofre com o TiLV, que pode causar até 90% de mortalidade dos peixes. Nós não temos esse vírus em nosso país e a importação de tilápia com origem desconhecida pode colocar em risco décadas de controle sanitário em um dos setores que mais crescem entre as proteínas animais no Brasil”, destaca Marilsa Patrício.
Além dos impactos econômicos e sanitários, a importação de tilápia não tem fundamento em termos produtivos. O Brasil é o quarto maior produtor da espécie no mundo, com mais de 700 mil toneladas por ano. Em dez anos, a oferta interna cresceu mais de 58%, resultado dos investimentos cada vez maiores em tecnologia, genética, gestão e processamento. “A continuidade da importação coloca em risco o contínuo desenvolvimento da piscicultura nacional e pode resultar em redução crítica de investimentos”.
Os impactos sociais são tão devastadores quanto os demais. A maioria dos produtores de tilápia no Brasil são de pequeno ou médio porte. A piscicultura é responsável pela geração de renda, empregos e desenvolvimento de áreas rurais. “Permitir a importação representa dificultar a sobrevivência das propriedades e enfraquecer o cooperativismo, colocando em xeque milhares de famílias”.
Por fim, a Peixe SP indica ao consumidor que verifique a procedência do filé que está comprando. “Essa é uma forma de zelarmos pela indústria brasileira, bem como pelos empregos, economia e toda a cadeia produtiva da piscicultura”, finaliza Marilsa.
AGROLINK & ASSESSORIA
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Pecuária de Goiás: fator China e cenário global podem impulsionar exportações recordes

Foto: Divulgação
Com demanda internacional aquecida e possível flexibilização de cota chinesa, setor goiano vive expectativa de novo boom
A pecuária de corte em Goiás vive um momento estratégico no cenário internacional. Com o Brasil consolidado como maior produtor e exportador mundial de carne bovina, o estado, responsável por cerca de 12,5% das exportações nacionais, acompanha de perto os desdobramentos do mercado global, especialmente o chamado “fator China”, que pode redefinir os rumos do setor nos próximos meses.
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil já ultrapassou a marca de 4 bilhões de dólares em exportações de carne bovina. Goiás segue esse ritmo. Segundo dados do ComexStat, o estado faturou US$ 496,7 milhões no período, sem miúdos, com valorização da carne em US$ 5,55 por quilo, alta de 15% em dólar. Já o AgroStat aponta que o volume exportado no primeiro bimestre cresceu 20% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 62,2 mil toneladas e receita de US$ 345,4 milhões em equivalente carcaça.
Apesar do desempenho positivo, o mercado internacional ainda impõe incertezas. A China estabeleceu para 2026 uma cota de salvaguarda de 1,1 milhão de toneladas para a carne brasileira, volume 500 mil toneladas inferior ao praticado em 2025. No entanto, o país asiático enfrenta desafios sanitários, como casos de febre aftosa, o que pode levar à revisão dessa restrição para garantir o abastecimento interno.
De acordo com Marcelo Penha, analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, o IFAG, há uma possibilidade concreta de suspensão da cota. “Se essa salvaguarda for retirada, podemos ver um dos maiores ciclos de exportação da história recente. Existe uma demanda reprimida significativa, e o Brasil, especialmente Goiás, está bem posicionado para atender esse mercado”, afirma.
A movimentação global também reflete mudanças estruturais. Enquanto Estados Unidos e países europeus reduzem sua produção, ampliando a dependência de importações, o Brasil ganha espaço. No primeiro bimestre, os principais destinos da carne goiana foram os Estados Unidos, com 29,78%, China, com 21,9%, mesmo sob restrições, e Rússia, com 8,85%.
No campo, os efeitos já são sentidos. As escalas de abate em Goiás estão em apenas 6,8 dias, indicando oferta restrita diante de uma demanda aquecida. Esse cenário pressiona os preços e valoriza os animais. Entre janeiro e março de 2026, o preço do bezerro subiu 11,91%, chegando a R$ 3.212,00 por cabeça. Já o boi gordo registrou alta de 10,34%, com o chamado boi China alcançando R$ 350,00 por arroba nas principais praças do estado.
“Essa combinação de oferta ajustada e demanda internacional firme sustenta os preços em patamares elevados. O produtor precisa estar atento, porque o mercado pode reagir rapidamente a qualquer mudança no cenário externo, especialmente envolvendo a China”, destaca Marcelo Penha.
Diante desse contexto, a possível flexibilização das importações chinesas, somada à escassez global de proteína bovina, pode consolidar 2026 como um ano histórico para as exportações brasileiras.
Imagem: divulgaçãoComunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag
FAEG – FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA DO ESTADO DE GOIÁS
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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