Economia
Importações em alta derrubam preços dos fertilizantes em novembro; ureia e MAP lideram quedas

Foto: Cláudio Neves
O mês de novembro foi marcado por uma queda generalizada nos preços dos principais fertilizantes utilizados no Brasil. Segundo relatório da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a ureia foi cotada a R$ 3.445 por tonelada, apresentando redução de 2% no mês. O MAP (fosfato monoamônico) recuou 1%, para R$ 4.899/t, enquanto o cloreto de potássio (KCl) manteve-se em R$ 2.880/t.
A tendência de baixa é explicada pela menor demanda de grandes importadores — como Índia, Estados Unidos e o próprio Brasil — e pela liberação de novas cotas de exportação pela China, o que ampliou a oferta global.
Setor de nitrogenados reage, mas produtores buscam alternativas
No segmento de fertilizantes nitrogenados, o mercado apresentou reação após o anúncio de novas compras pela Índia, o que ajudou a conter parte da queda na ureia. Mesmo assim, o sulfato de amônio (SAM) vem ganhando espaço entre os agricultores brasileiros como alternativa mais econômica.
Já os fosfatados, como o MAP, seguem com baixa atratividade nas negociações, e os potássicos registram maior estabilidade nos preços.
Relação de troca ainda limita novas compras nas lavouras
Apesar da leve trégua nos preços, o custo de reposição continua alto para alguns cultivos, o que freia as decisões de compra.
No algodão, por exemplo, os produtores precisam de 40,9 arrobas para adquirir uma tonelada de MAP — uma relação considerada “muito desfavorável” pela CNA.
No caso do milho, o uso do SAM tem sido vantajoso: são necessárias 32,2 sacas por tonelada, contra 50,3 sacas no caso da ureia. Já para o café arábica, o cenário é mais positivo, sendo a única cultura com melhora consistente no poder de compra do produtor.
Importações e entregas de fertilizantes crescem em 2025
Até agosto, as entregas de fertilizantes no país somaram 30,5 milhões de toneladas, representando alta de 9% em relação a 2024. A expectativa da CNA é de novo recorde em 2025, ainda que o ritmo seja mais lento em alguns estados, como o Rio Grande do Sul.
As importações também avançaram, com 38,3 milhões de toneladas adquiridas entre janeiro e outubro, o que representa crescimento de 4,6% na comparação anual.
“O produtor brasileiro continua investindo nas lavouras, mesmo diante de margens apertadas e desafios de crédito. O aumento da área cultivada e a previsão de safra recorde devem sustentar a demanda”, destaca o boletim da CNA.
China assume liderança nas exportações de fertilizantes ao Brasil
Um dos pontos de destaque do relatório é a mudança no perfil dos fornecedores internacionais. A China ultrapassou a Rússia e se tornou o principal exportador de fertilizantes para o Brasil.
O país asiático lidera as vendas de sulfato de amônio (SAM) e formulações NPs, embora ainda não exporte cloreto de potássio (KCl) — produto em que Rússia, Canadá e Omã permanecem como os principais fornecedores.
Gargalos logísticos afetam desembarques no Porto de Paranaguá
O rápido crescimento das importações chinesas, no entanto, tem gerado congestionamentos logísticos. No Porto de Paranaguá (PR), há filas de navios e o tempo médio de espera para desembarque de fertilizantes chega a 60 dias, segundo a CNA.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Goiás fecha 2025 com superávit acima de US$ 8 bilhões

Foto: Pixabay
O Estado de Goiás encerrou 2025 com superávit superior a US$ 8 bilhões na balança comercial, conforme dados da Superintendência de Comércio Exterior e Atração de Investimentos Internacionais, divulgados pela Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC). No período, as exportações somaram US$ 13,4 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 5,3 bilhões, resultado que, segundo o levantamento, “evidencia a força do setor produtivo estadual e a competitividade dos produtos goianos no mercado internacional”.
Apenas em dezembro, o saldo comercial foi de US$ 613 milhões. No mês, Goiás exportou US$ 999 milhões e importou US$ 386 milhões. De acordo com a SIC, o desempenho mensal contribuiu para consolidar o resultado positivo observado ao longo de todo o ano.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o complexo soja liderou a pauta exportadora, respondendo por 46,55% do total embarcado pelo Estado. Na sequência, apareceram as exportações de carnes, com 18,07%, seguidas pelo complexo milho, com 7,48%. Também tiveram participação relevante as ferroligas, com 6,24%, o açúcar, com 4,84%, e os minérios de Cobre, com 3,76%.
Entre os municípios exportadores, Rio Verde ocupou a primeira posição em dezembro, concentrando 25,40% das exportações estaduais no período. Jataí respondeu por 8,42%, seguido por Mozarlândia, com 5,08%, Palmeiras de Goiás, com 4,64%, e Alto Horizonte, com 3,76% do total embarcado.
No recorte de janeiro a dezembro de 2025, a China manteve-se como principal destino das exportações goianas, absorvendo 43,36% do volume comercializado. Em seguida, figuraram os Estados Unidos, com 4,78%, o Irã, com 2,92%, o Vietnã, com 2,44%, e os Países Baixos, com 2,39%. No fluxo de importações, Anápolis destacou-se como o principal município importador, responsável por 40,27% do total estadual, desempenho atribuído, segundo a SIC, à “força de seu polo industrial, especialmente no setor farmacêutico”.
AGROLINK – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Agro paulista fecha 2025 com superávit de US$ 23 bilhões

Foto: Pixabay
O agronegócio paulista registrou superávit de US$ 23,09 bilhões no comércio exterior em 2025, mesmo com os impactos do tarifaço norte-americano no segundo semestre do ano. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as exportações do setor somaram US$ 28,82 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 5,73 bilhões. O levantamento foi elaborado pela Diretoria de Pesquisa do Agronegócio (APTA), vinculada à pasta estadual.
Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, entre janeiro e dezembro de 2025 o agronegócio respondeu por 40,5% de tudo o que foi exportado por São Paulo, o que, conforme o órgão, “reforça a relevância do setor para a economia paulista”. As importações do agro, por sua vez, representaram 6,6% do total estadual no período.
O complexo sucroalcooleiro liderou a pauta exportadora do agronegócio paulista em 2025, com participação de 31% e vendas de US$ 8,95 bilhões. Conforme os dados oficiais, 93% desse valor tiveram origem nas exportações de açúcar e 7% no etanol.
Na sequência, o setor de carnes respondeu por 15,4% das exportações, com US$ 4,43 bilhões, tendo a carne bovina como principal item, responsável por 85% do total. Os sucos representaram 10,4% da pauta, com US$ 2,98 bilhões, praticamente concentrados no suco de laranja, que respondeu por 97,9% das vendas do grupo.
Os produtos florestais totalizaram US$ 2,97 bilhões, equivalentes a 10,3% das exportações do agro paulista, com destaque para a celulose, que representou 55,8%, e o papel, com 35,5%. Já o complexo soja respondeu por 8% das exportações, somando US$ 2,32 bilhões, impulsionado principalmente pela soja em grão, com 77,9%, e pelo farelo de soja, com 16,7%.
De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, esses cinco grupos concentraram 75,1% das exportações do agronegócio paulista em 2025. Na sequência aparece o café, com participação de 6,3% e US$ 1,82 bilhão exportado, composto majoritariamente por café verde, que respondeu por 77%, e café solúvel, com 19,3%.
Na comparação com 2024, o levantamento da APTA aponta crescimento nas exportações de café, com alta de 42,1%, carnes, com avanço de 24,2%, e complexo soja, com incremento de 2%. Em sentido oposto, os grupos sucroalcooleiro, com queda de 28,4%, produtos florestais, com retração de 5,2%, e sucos, com recuo de 0,7%, apresentaram redução, refletindo oscilações de preços e volumes exportados.
A China foi o principal destino das exportações do agronegócio paulista em 2025, com participação de 23,9%, seguida pela União Europeia, com 14,4%, e pelos Estados Unidos, com 12,1%. Conforme a Secretaria, as vendas ao mercado norte-americano cresceram 0,6% em relação a 2024, apesar do impacto do tarifaço iniciado em agosto.
Segundo os dados oficiais, as exportações para os Estados Unidos recuaram 14,6% em agosto, 32,7% em setembro, 32,8% em outubro e 54,9% em novembro. Parte dessa queda foi compensada pela ampliação das vendas para mercados como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.
A retirada das tarifas sobre determinados produtos brasileiros foi anunciada em 20 de novembro. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, a isenção passou a valer para itens como café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, tomate e carne bovina.
No cenário nacional, o agronegócio paulista respondeu por 17% das exportações do setor no Brasil em 2025, ocupando a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso, com 17,3%, conforme o levantamento da APTA.
AGROLINK – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Safra 2026 deve exigir ajustes logísticos

Foto: Divulgação
O primeiro prognóstico da safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas para 2026 indica um cenário de ajustes para o setor logístico. De acordo com dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE, a produção nacional deve somar 332,7 milhões de toneladas no próximo ano, uma redução de 3,7% em relação à safra recorde de 2025, que alcançou 345,6 milhões de toneladas.
A retração prevista está concentrada principalmente em culturas com forte impacto logístico, como milho, trigo, arroz, sorgo e algodão, enquanto a soja apresenta projeção de crescimento de 1,1%. Mesmo diante desse cenário, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) segue como elemento central para o escoamento da produção agrícola, especialmente em regiões estratégicas como Londrina e o Norte do Paraná.
Segundo o presidente do SETCEPAR, Silvio Kasnodzei, a redução percentual deve ser analisada com cautela. “A safra de 2025 foi histórica e elevou a base de comparação. Mesmo com a queda prevista para 2026, o Brasil segue operando em um patamar de produção muito elevado, o que mantém o Transporte Rodoviário de Cargas fortemente demandado”, avalia.
Kasnodzei destaca que o impacto para o TRC não se resume apenas ao volume absoluto transportado. “A logística do agronegócio envolve escoamento, armazenagem, redistribuição de estoques e exportação. Em muitos casos, uma safra menor exige ainda mais planejamento, eficiência operacional e integração entre os elos da cadeia, o que reforça a importância do transporte rodoviário”, explica.
Na região de Londrina, a expectativa é de que o impacto da safra 2026 seja mais de adaptação do que de retração. O Norte do Paraná ocupa uma posição estratégica no mapa logístico nacional, conectando áreas produtoras a importantes corredores rodoviários e aos principais mercados consumidores e portos. “Londrina segue sendo um polo importante para o escoamento de grãos. A região possui infraestrutura, localização privilegiada e empresas preparadas para ajustar suas operações conforme a variação da produção”, afirma o presidente do SETCEPAR.
O dirigente ressalta ainda que as transportadoras da região já trabalham com planejamento sazonal, o que permite redistribuir frotas, ajustar rotas e otimizar custos em períodos de oscilação da safra. Além disso, a diversificação da matriz de cargas no Norte do Paraná contribui para reduzir os efeitos de eventuais quedas pontuais na produção agrícola.
Para Kasnodzei, o planejamento antecipado e a integração entre produtores, transportadoras, cooperativas e poder público são fatores decisivos para a eficiência logística. “Quando há diálogo e troca de informações, é possível antecipar gargalos, organizar fluxos de transporte, melhorar a infraestrutura e reduzir custos ao longo da cadeia. Isso fortalece não apenas o TRC, mas toda a competitividade do agronegócio”, destaca.
Enquanto entidade representativa do setor no Paraná, o SETCEPAR atua de forma contínua para preparar as empresas diante das variações naturais da safra. A atuação envolve capacitação, orientação técnica, acompanhamento de dados econômicos e produtivos e defesa institucional de políticas públicas que garantam melhores condições de operação. “Mesmo em cenários de retração produtiva, nosso foco é garantir eficiência logística, previsibilidade operacional e segurança jurídica, assegurando que o Transporte Rodoviário de Cargas continue cumprindo seu papel essencial no desenvolvimento econômico do Paraná e do Brasil”, conclui.
AGROLINK & ASSESSORIA
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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