Agronegócio
Safra recorde e alta de recuperações judiciais marcam o agronegócio em 2025

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Produção de grãos deve crescer 13% em 2025
Apesar dos desafios financeiros, o agronegócio brasileiro se encaminha para uma safra histórica. A estimativa é de que a produção nacional de grãos atinja 336,1 milhões de toneladas em 2025 — um crescimento de 13% em relação ao ciclo anterior, impulsionado principalmente pelas condições climáticas favoráveis, exceto no Rio Grande do Sul.
Alta nos pedidos de recuperação judicial preocupa setor
Em contrapartida ao bom desempenho no campo, o número de pedidos de recuperação judicial (RJ) no setor agropecuário disparou. Segundo dados da Serasa Experian, foram 1.272 solicitações em 2024 — um aumento de 58,4% em relação ao ano anterior. Entre pessoas físicas, o salto foi ainda mais expressivo: de 127 para 566 casos, alta de 345,7%.
O Banco do Brasil, maior financiador rural do país, também registrou reflexo direto dessa crise. A inadimplência no setor rural alcançou 3,04% no primeiro trimestre de 2025, frente a 1,9% no mesmo período de 2024.
Causas da crise financeira: commodities, clima e endividamento
Consultores apontam que a queda nos preços das commodities, associada a perdas causadas por eventos climáticos extremos, agravou o endividamento dos produtores. Muitos ampliaram investimentos durante o período de preços elevados e foram surpreendidos pela posterior desvalorização.
A saca da soja, por exemplo, caiu de R$ 184,40 em janeiro de 2022 para R$ 128,32 no início de 2025 — retração de 30,4%. Segundo a Conab, a produção da safra 2023/2024 foi 6,7% menor que a anterior, o que reduziu ainda mais a rentabilidade no campo.
Margens apertadas e queda na receita agrícola
Entre 2019 e 2022, o agro viveu anos de alta lucratividade, com forte geração de caixa. No entanto, esse cenário estimulou compras de terras e equipamentos, gerando imobilização de capital e aumento das dívidas.
A receita agrícola caiu de R$ 931 bilhões em 2022 para R$ 887 bilhões em 2023 e R$ 881 bilhões em 2024, segundo o economista Fábio Silveira. Para 2025, a expectativa é de retomada, com projeção de R$ 969 bilhões.
Rio Grande do Sul sofre impactos mais severos
O estado gaúcho enfrenta dificuldades recorrentes causadas por extremos climáticos. Nos últimos cinco anos, quatro safras foram comprometidas pela seca. Em 2024, a situação se agravou com inundações que causaram perda de 2,5 milhões de toneladas de soja, segundo a Aprosoja-RS.
“Mesmo com financiamento, os produtores acumulam dívidas que se tornam impagáveis no curto prazo”, alerta Ireneu Orth, presidente da entidade.
Especialistas pedem cautela ao analisar números de RJs
Apesar do crescimento das recuperações judiciais, especialistas afirmam que o número ainda é pequeno diante da dimensão do crédito rural no país. “Foram apenas 560 pedidos de produtores entre 1,5 milhão de transações”, ressalta Marcelo Pimenta, diretor da Serasa Experian.
Pimenta pondera, no entanto, que casos de grande visibilidade, como o da Agrogalaxy — rede de revenda de insumos que entrou em RJ com dívida de R$ 4,6 bilhões —, contribuem para a sensação de instabilidade no setor.
Nova legislação impulsiona aumento de pedidos
Desde 2021, produtores pessoas físicas também podem recorrer à recuperação judicial. A mudança, segundo especialistas, popularizou o instrumento, especialmente entre os médios produtores, como explica Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA.
“Em Mato Grosso, onde o processo ganhou força, muitos perceberam que a RJ é cara e restringe o acesso ao crédito, o que tem levado à redução dos pedidos no Estado em 2025.”
Dados da Serasa indicam que, em 2024, 30,6% dos pedidos de RJ por pessoas físicas vieram do Mato Grosso. Já no Rio Grande do Sul, esse percentual foi de apenas 2,7%.
Recuperação pode vir com nova safra e maior rigor no crédito
O Banco do Brasil informou, em conferência com investidores, que espera melhora nos índices de inadimplência ao longo de 2025, com a previsão de safra recorde. O banco também alertou para a litigância predatória, com advogados prometendo soluções milagrosas aos produtores.
“O produtor que opta pela recuperação judicial perde acesso ao crédito no setor financeiro”, destacou o diretor financeiro do BB, Geovanne Tobias.
Além disso, a atual instabilidade elevou as exigências dos credores, que agora demoram mais para aprovar financiamentos, exigem garantias mais robustas e liberam valores menores.
Perspectiva para o agro em 2025
Apesar dos desafios econômicos e climáticos recentes, o agronegócio brasileiro deve retomar parte de sua força em 2025, amparado por uma safra promissora e pela reavaliação dos mecanismos de crédito e endividamento. Especialistas apontam que o setor está em fase de adaptação a um novo cenário de margens mais enxutas e condições de financiamento mais criteriosas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Frango fica mais barato que carnes de boi e porco

Imagem: Freepik
O preço do frango resfriado subiu 6,6% na primeira quinzena de abril, passando de cerca de R$ 6,73/kg em março para R$ 7,18/kg, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A alta foi puxada principalmente pelo aumento do frete, pressionado pelo diesel, e pela melhora no consumo no início do mês.
Na comparação com a carne bovina, o frango voltou a ganhar vantagem. Hoje, enquanto o frango gira em torno de R$ 7/kg, o boi no atacado (carcaça) opera na faixa de R$ 20 a R$ 22/kg, o que coloca a relação em cerca de 3 vezes mais caro para a carne bovina. É o maior diferencial dos últimos anos, o que favorece a troca no consumo: quando o boi sobe, o consumidor migra para o frango.
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Já frente à carne suína, o cenário é inverso. A carcaça suína caiu e hoje gira próxima de R$ 12 a R$ 13/kg, reduzindo a diferença para o frango e tornando o suíno mais competitivo. Na prática, o frango ganha mercado do boi, mas perde espaço para o porco.
No campo, o impacto vai além do preço da carne. O aumento do frete pesa diretamente no custo da cadeia — do transporte de ração ao escoamento da produção — e limita ganhos maiores ao produtor.
O Brasil é um dos maiores players globais da proteína de frango. Em 2025, a produção ficou próxima de 15 milhões de toneladas, com exportações ao redor de 5 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal. Isso significa que cerca de 65% a 70% da produção fica no mercado interno, que segue como principal destino da carne de frango.
O consumo doméstico continua elevado. O brasileiro consome, em média, 45 a 47 quilos de carne de frango por ano, o maior entre as proteínas. Esse volume explica por que pequenas variações de preço têm impacto direto no mercado.
Para o produtor, o momento é de atenção. O preço reage, mas os custos — principalmente transporte e insumos — seguem pressionados. Para o consumidor, o frango continua sendo a proteína mais acessível frente ao boi, mas começa a disputar espaço com o suíno, que ficou mais barato nas últimas semanas.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Alta dos hortifrúti eleva cesta básica ao maior preço já registrado

Divulgação
Com crescimento semanal de 33,5% para o tomate e de 11,8% para a batata, a cesta básica em Cuiabá apresentou aumento expressivo de 4,34% em seu valor nesta terceira semana de abril, atingindo, em média, R$ 862,76, o maior valor da série histórica apurado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
Após um período de estabilidade registrado nas últimas semanas, a cesta básica voltou a apresentar alta, com o valor atual ficando 2,22% acima dos R$ 844,04 observados no mesmo período de 2025.
O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, destaca o avanço no custo da cesta, que compromete o consumo das famílias, especialmente de itens considerados essenciais.
“O aumento expressivo do valor médio da cesta básica, ultrapassando a marca de R$ 860, interrompe o período recente de estabilidade e reflete pressões intensas concentradas em itens específicos, levando o indicador ao maior patamar da série histórica”, afirmou o presidente.
O levantamento do instituto aponta ainda que a forte elevação dos hortifrutigranjeiros demonstra a alta sensibilidade desses produtos a choques de oferta, contribuindo significativamente para a volatilidade da cesta básica.
É o caso do tomate, que, mesmo após registrar recuo na semana passada, apresentou aumento expressivo e passou a custar, em média, R$ 11,87/kg. A variação pode estar associada ao período de entressafra, visto que a safra de verão está no fim da colheita e a de inverno recém iniciou a produção, reduzindo a quantidade de frutos disponíveis.
Da mesma forma, os preços da batata subiram 11,80%, atingindo média de R$ 5,20/kg. O aumento pode estar associado à baixa oferta do produto, já que a demanda da Semana Santa, somada ao período de chuvas que atrasam as colheitas, reduziu a disponibilidade no mercado.
A alta também foi registrada na farinha de trigo, de 2,08%, que atingiu o preço médio de R$ 5,06/kg. A variação pode estar associada à elevação do preço do trigo, que se encontra em fim de safra, com custos de importação elevados, somados ao aumento dos custos de produção, como fertilizantes e logística.
O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
Blog do Valdemir
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Brasil inicia safra de laranja 2026/27 sob incerteza de preços

Imagem: reprodução
O Brasil inicia a safra de laranja 2026/27 em um ambiente de incerteza sobre preços, contratos e capacidade de absorção da indústria, em meio a um cenário de oferta ainda elevada, mas pressionada por fatores climáticos e fitossanitários. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta baixa visibilidade nas negociações neste início de ciclo.
No principal polo produtor — o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, responsável pela maior parte da produção nacional —, o mercado segue sem definição clara de volumes e preços. A expectativa é de que as negociações avancem apenas em maio, com a divulgação de novos dados oficiais de safra pelo Fundecitrus, que tradicionalmente balizam os contratos entre produtores e indústria.
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A indefinição ocorre após o encerramento da safra 2025/26 em 292,94 milhões de caixas de 40,8 quilos. O volume representa alta de 26,9% em relação ao ciclo anterior, mas ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial, refletindo perdas relevantes ao longo da temporada. Ainda assim, o resultado figura entre os maiores da série histórica da citricultura brasileira.
O desempenho da safra passada foi impactado por uma combinação de déficit hídrico e avanço do greening, principal doença da cultura. No cinturão citrícola, o acumulado de chuvas entre maio de 2025 e março de 2026 ficou em 1.135 milímetros, cerca de 13% abaixo da média histórica, com maior intensidade no norte paulista e no Triângulo Mineiro.
As perdas no campo foram expressivas. A taxa média de queda de frutos chegou a 23,2%, acima do previsto inicialmente, resultando em perdas estimadas em 88,49 milhões de caixas. Desse total, 49,59 milhões de caixas foram atribuídas ao greening, que segue como principal fator de pressão estrutural sobre a produtividade dos pomares.
Além disso, a safra foi marcada por colheita mais tardia e maior participação de frutos de segunda florada, especialmente nas variedades destinadas à indústria. Esse perfil elevou a exposição a pragas e adversidades climáticas, reduzindo o rendimento e afetando a qualidade da matéria-prima.
Para a safra 2026/27, a tendência é de estabilidade ou leve queda na produção, ainda que o volume permaneça elevado. O ciclo deve repetir o padrão tardio, com maior concentração da colheita na segunda florada, o que mantém a incerteza sobre o ritmo de oferta ao longo da temporada.
Do lado da demanda, o principal ponto de atenção está no mercado internacional de suco. O Brasil, maior produtor e exportador global, inicia o ciclo com estoques considerados confortáveis e enfrenta dificuldades no escoamento, especialmente para a Europa, tradicional destino das exportações. Esse cenário limita a capacidade de absorção da nova safra e reduz o poder de barganha do produtor nas negociações com a indústria.
Neste mês, em abril de 2026, a laranja pera vem sendo comercializada, em média, a R$ 28,76 por caixa no mercado paulista, referência nacional de preços. O patamar é considerado moderado diante dos custos de produção e do avanço dos riscos sanitários, que continuam pressionando a rentabilidade no campo.
O Brasil mantém liderança global na citricultura, respondendo por cerca de 32,8% da produção mundial de laranja e aproximadamente 62% do suco consumido no mundo. Com cerca de 800 mil hectares cultivados, a produção segue concentrada no eixo São Paulo–Minas Gerais, mas com presença relevante também em estados do Nordeste.
Na prática, o produtor entra no novo ciclo sem referência consolidada de preços e com maior dependência do comportamento da indústria e das exportações. Em um ambiente de custos elevados e risco fitossanitário crescente, a definição dos contratos nas próximas semanas será determinante para o ritmo da safra 2026/27.
Com Feagro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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“O aumento expressivo do valor médio da cesta básica, ultrapassando a marca de R$ 860, interrompe o período recente de estabilidade e reflete pressões intensas concentradas em itens específicos, levando o indicador ao maior patamar da série histórica”, afirmou o presidente.


































