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Agronegócio

Cientistas usam fruto amazônico para enriquecer farinha de mandioca

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FOTO: Ronaldo Rosa

 

Pesquisadores brasileiros constataram que a adição de camu-camu à farinha de mandioca amarela é capaz de enriquecê-la nutricionalmente, torná-la mais atraente ao paladar e agregar valor ao produto. Desidratados sob diferentes métodos tecnológicos, como a liofilização e naturalmente à luz do sol, os resíduos agroindustriais de frutos de camu-camu, adicionados à farinha de mandioca, incrementaram significativamente os produtos finais, com destaque para a coloração e concentração de antioxidantes.

O estudo sobre o “Desenvolvimento de produtos à base de frutos e resíduos beneficiados do processamento de camu-camu” foi conduzido por Pedro Vitor Pereira Guimarães durante o seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte (Belém, PA), em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), Embrapa Roraima (RR) e Embrapa Instrumentação (SP), além da Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas, em Manaus (AM). De acordo com Guimarães, a pesquisa teve o objetivo de formular e caracterizar as farinhas sob diferentes métodos de secagem, oriundas de frutos ou de resíduos agroindustriais de camu-camu.

Com base nos experimentos realizados, os pesquisadores acreditam que a farinha de camu-camu tem potencial para enriquecer outras farinhas e alimentos, com boa aceitação regional e potencial internacional. O produto desenvolvido e suas possibilidades de uso podem fortalecer a economia local, gerar emprego e renda, principalmente para a agricultura familiar e programas destinados às mulheres rurais da região. Além disso, é capaz de contribuir de forma significativa com a segurança alimentar e nutricional ao proporcionar dietas com alto valor nutricional, enriquecidas à base de produtos nativos e populares.

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Guimarães ressalta que testes futuros ainda devem ser realizados para aprimorar a elaboração das farinhas oriundas de camu-camu e a sua adição a novos alimentos, bem como a verificação da aceitabilidade desses novos produtos, avaliados pioneiramente na pesquisa.

 

Foto: Ronaldo Rosa

Formulações testadas

O camu-camu, fruto vermelho-arroxeado, típico da região amazônica, é fonte natural de minerais e antioxidantes, com destaque para os altos teores de vitamina C. Conhecido também como caçari ou araçá d’água, a árvore de pequeno/médio porte, cresce em áreas de várzea, lagos e rios, com galhos e raízes submersas, com alto potencial para a economia local e relativamente pouco explorado.

Para Guimarães, os maiores desafios da pesquisa foram evidenciar as possibilidades de aproveitamento de resíduos e materiais orgânicos, alinhar o estudo à política nacional de resíduos sólidos, possibilitando destinos ambientalmente adequados, principalmente, para esse tipo de material de interesse biotecnológico, com alto potencial nutricional e para ser adicionado a outros processos produtivos.

O pesquisador constatou que, com base na validação estatística, a farinha de mandioca enriquecida com diferentes doses de farinha de camu-camu foi afetada de forma positiva e significativa, com destaque para incremento na coloração dos produtos finais, assim como nos teores de sólidos solúveis e totais, e nos conteúdos de antioxidantes, entre eles, os ácidos ascórbicos e cítricos.

Os resultados do estudo apontaram que as doses testadas podem ser modelos com qualidades organolépticas desejáveis. As formulações foram produzidas com farinha de mandioca adicionadas de cinco doses percentuais de farinhas de camu-camu: 0% (testemunha/controle), 5%, 25%, 50% e 100%.

“As farinhas obtidas do processamento de camu-camu apresentaram concentração satisfatória de macro e microelementos, superando resultados comumente referenciados na literatura quanto a resíduos agroindustriais de polpas de frutas congeladas, de frutas in natura, de produtos em pó bioprocessados e de outros frutos”, afirma Guimarães.

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Com isso, os pesquisadores esperam a obtenção de um alimento enriquecido e estável que possa ser consumido de diferentes formas, considerando as propriedades organolépticas, funcionais e agroindustriais desejáveis que o camu-camu possui.

 

FOTO: Pedro Guimarães

Diferentes processos

Os frutos foram coletados às margens do Lago da Morena, no município de Cantá, em Roraima, e transportados para a Embrapa Roraima, em Boa Vista, onde foram selecionados, higienizados, sanitizados, beneficiados, processados e caracterizados.

O estudo focou na possibilidade de aproveitamento integral de material em diferentes níveis tecnológicos e diversos processos de secagem, atendendo à demanda de agroindústrias familiares locais no desenvolvimento de produtos funcionais, além de enriquecer um alimento já reconhecidamente bem aceito na região amazônica.

Embora diferentes técnicas tenham sido testadas, a farinha de camu-camu obtida por meio do processo de liofilização apresentou os melhores resultados. A liofilização é um método de desidratação no qual a água congelada de um alimento é evaporada sem passar pelo estado líquido. Ou seja, é a transição direta da fase sólida para a gasosa, sem perder as propriedades.

Nesse estudo, no entanto, como forma de ampliar as possibilidades quanto às tecnologias acessíveis à agroindústria familiar, os frutos e os resíduos agroindustriais gerados na produção de polpa e suco também foram desidratados naturalmente ao sol, utilizando-se forno solar artesanal, bem como forno elétrico e estufa elétrica convencional, possibilitando a replicação em diferentes níveis tecnológicos.

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Métodos eficazes

Tanto os métodos mais simples e de baixo custo quanto a desidratação via liofilização resultaram em formulações padronizadas com boas características farináceas, com qualidades desejáveis para o mercado interno e externo.

“Esses resultados destacam a eficácia de diferentes métodos de secagem do camu-camu como método de conservação, com destaque para a liofilização, facilitando a criação de produtos de alta qualidade e valor agregado, com maior apelo de mercado e prazo de validade prolongado”, enfatiza o recém-doutor.

O pesquisador da Embrapa  Edvan Alves Chagas, orientador da pesquisa, acredita que a secagem solar pode ser uma alternativa econômica para frutos de camu-camu e resíduos gerados no processamento, devido ao seu baixo custo e alta qualidade, principalmente em áreas com disponibilidade de sol durante todo o ano, como as regiões produtoras de camu-camu.

“A secagem de forma natural permitiu notável redução no teor de água, tanto dos frutos de camu-camu como nos resíduos orgânicos gerados durante o processamento, resultando em uma consistência semelhante à farinha. Isso não só aumenta o seu prazo de validade, mas também reduz o impacto ambiental, minimizando o desperdício”, afirma Chagas.

FOTO: Pedro Guimarães

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Industrialização do fruto

Para a pesquisadora da Embrapa Instrumentação (SP) Maria Fernanda Berlingieri Durigan, coorientadora do estudo, os métodos de processamento da farinha à base de frutos inteiros ou de resíduos agroindustriais de camu-camu são uma excelente alternativa para a industrialização desse fruto, principalmente em regiões naturalmente produtoras, sendo um aproveitamento viável de suas qualidades agroindustriais e nutricionais.

“Acreditamos que os produtos secos obtidos e avaliados nessa pesquisa possuem atributos interessantes e podem ser uma importante oportunidade econômica para aplicação nas indústrias agrícola e alimentícia roraimenses e amazônicas, principalmente para as agroindústrias familiares e projetos relacionados às mulheres rurais”, diz a pesquisadora.

Ela acrescenta ainda que a farinha de camu-camu, como aditivo alimentar e ou ingrediente nutricional, possui inúmeras possibilidades de utilização, tanto individual como incorporado a receitas diversas.

O estudo foi apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Embrapa. Artigos de Guimarães já estão disponíveis em sistemas da Embrapa, como este. Um dos trabalhos está na revista Cuadernos de Educación y Desarrollo, da Europub European Publications, com sede em Portugal, envolvendo autores de diferentes instituições de pesquisa e ensino do País.

Redação Sou Agro

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Produção de leite cresce em Goiás em 2025

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Foto: Divulgação

De acordo com a edição de janeiro do informativo mensal Agro em Dados, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a produção de leite em Goiás manteve desempenho positivo ao longo de 2025, embora o aumento da oferta tenha pressionado os preços pagos ao produtor a partir do segundo semestre.

Segundo dados do IBGE citados no informativo, no primeiro semestre de 2025 foram industrializados 1,1 bilhão de litros de leite no estado, crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, a produção nacional avançou 6,7%. Já no terceiro trimestre de 2025, a captação de leite em Goiás atingiu 593,1 milhões de litros, o que representa alta de 10,6% na comparação com 2024.

O avanço da produção, no entanto, resultou em desvalorização das cotações ao longo do ano, especialmente a partir de julho. Conforme o levantamento, em novembro foi registrada a menor média mensal de 2025, com preço de R$ 2,02 por litro. O informativo aponta que esse movimento está relacionado, entre outros fatores, à ampliação da oferta no mercado.

Como medida de apoio ao setor, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a compra emergencial de leite em pó no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), voltada a associações e cooperativas da agricultura familiar. Para Goiás, estão previstos R$ 6 milhões destinados à aquisição de aproximadamente 143 toneladas do produto. De acordo com a Seapa, a iniciativa contribui para a sustentação da renda dos produtores, a estabilidade da atividade leiteira no estado e o atendimento à população em situação de vulnerabilidade social.

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Paralelamente, foi sancionada em Goiás a Lei nº 23.928/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó de origem importada para comercialização como leite fluido no estado. A norma se aplica a indústrias, laticínios e demais pessoas jurídicas, com previsão de sanções em caso de descumprimento. Segundo a Secretaria, a legislação busca organizar o mercado, fortalecer a cadeia produtiva do leite e ampliar o controle sobre a origem e a qualidade do produto oferecido ao consumidor.

No comércio exterior, o setor lácteo goiano apresentou sinais de reequilíbrio em 2025. Entre janeiro e novembro, as exportações somaram 609,1 toneladas, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período de 2024. No sentido oposto, as importações totalizaram 804 toneladas, queda de 57,1% na mesma base de comparação. Apesar de ainda haver diferença entre volumes importados e exportados, o informativo destaca que o descompasso vem sendo gradualmente reduzido, refletindo mudanças no fluxo comercial do estado.

Diante desse cenário, a projeção para 2026 aponta para redução do déficit da balança comercial de lácteos em Goiás, além de incremento na captação e na industrialização do leite, conforme a análise apresentada no Agro em Dados.

AGROLINK – Seane Lennon

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Menor safra e tarifa dos EUA reduzem exportações de café

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Foto: Divulgação

 

Apesar de uma retração no volume exportado, o Brasil fechou 2025 com receita cambial recorde no setor cafeeiro. Segundo dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 40,049 milhões de sacas de 60 kg ao longo do ano, o que representa uma queda de 20,8% em comparação a 2024. No entanto, o valor arrecadado com essas exportações foi de US$ 15,586 bilhões — aumento de 24,1% e o maior já registrado na série histórica.

O recuo no volume já era previsto pelo setor, após o desempenho excepcional de 2024 e a menor disponibilidade de café devido a adversidades climáticas durante a safra. Além disso, a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos agravou a retração, impactando diretamente um dos principais mercados consumidores do café brasileiro.

Entre agosto e novembro, período de vigência das tarifas de 50% impostas pelos EUA, as exportações para aquele país caíram 55%. Com isso, os Estados Unidos perderam a liderança no ranking de maiores compradores do café brasileiro, cedendo lugar à Alemanha, que importou 5,409 milhões de sacas — ainda assim, um recuo de 28,8% em relação ao ano anterior.

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A infraestrutura portuária deficiente também prejudicou o desempenho logístico. Segundo o Cecafé, a lentidão e os atrasos nas operações geraram um prejuízo estimado de R$ 61,4 milhões às exportadoras até novembro de 2025, devido a armazenagens extras e custos operacionais adicionais.

Apesar dos entraves, a valorização da saca no mercado internacional e os investimentos contínuos em qualidade por parte dos produtores brasileiros sustentaram o bom resultado financeiro. O café arábica manteve a liderança nas exportações, representando 80,7% do total, mesmo com uma queda de 12,8% no volume. Já o café solúvel sofreu impacto direto das tarifas americanas, encerrando o ano com 3,688 milhões de sacas exportadas, o equivalente a 9,2% do total.

Os cafés diferenciados, que incluem selos de sustentabilidade e qualidade superior, também ganharam destaque. Representaram 20,3% das exportações, com uma receita de US$ 3,525 bilhões — crescimento de 39,1% no faturamento, apesar da queda de 10,9% no volume.

No ranking dos países que mais compraram cafés diferenciados do Brasil, os Estados Unidos ainda lideraram, com 1,316 milhão de sacas, seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália. No entanto, novos mercados ampliaram sua participação, como China e Turquia, que foram os únicos entre os 10 maiores importadores a registrar aumento nas aquisições em 2025. Quanto à logística, o Porto de Santos respondeu por quase 79% de todo o volume embarcado, seguido pelo Rio de Janeiro (17,7%) e Paranaguá (0,9%). A concentração nos portos principais reflete tanto a preferência comercial quanto as limitações de infraestrutura do país para cargas conteinerizadas.

CECAFÉ

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Morango tem produção irregular nas regiões do RS

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Foto: Pixabay

De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (15), a cultura do morango apresenta comportamentos distintos nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, com variações na produção, incidência de pragas e preços de comercialização.

Na região administrativa de Caxias do Sul, em Nova Petrópolis, os volumes colhidos recuaram em relação à semana anterior, embora sigam em patamar elevado. A redução das temperaturas favoreceu o ambiente de cultivo e contribuiu para o metabolismo das plantas, refletindo na emissão de flores e na frutificação. O informativo registra que houve “ótima circulação de insetos polinizadores, em especial abelhas”. Em Gramado, foi observada a ocorrência de mosca-das-frutas em algumas lavouras, mas o controle tem sido considerado efetivo com a adoção de práticas como retirada de frutos maduros, uso de armadilhas e controle químico. Parte dos produtores iniciou trabalhos de manutenção, reforma e construção de novas estufas visando o próximo plantio. Os preços pagos aos produtores permanecem estáveis, variando conforme o canal de comercialização e a forma de apresentação do produto.

Na região de Lajeado, em Feliz, a cultura está na fase final de colheita. Conforme a Emater/RS-Ascar, observa-se redução no calibre dos frutos, comportamento esperado para o período. Produtores que cultivam em solo estão concluindo a colheita, enquanto aqueles que utilizam bancadas elevadas ainda mantêm produção por mais tempo. No entanto, a produtividade apresenta queda gradual em função das altas temperaturas. Os preços praticados no período variam entre R$ 20,00 e R$ 25,00 por quilo.

Na região administrativa de Pelotas, a produção segue em queda, com registro de forte ataque de pragas, principalmente mosca-das-frutas, mosca-da-asa-manchada (Drosophila suzukii) e tripes, o que tem afetado o desempenho das lavouras. Os preços de comercialização apresentam variação entre os municípios, refletindo diferenças de oferta e demanda locais.

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Na região de Santa Maria, continua a colheita das cultivares de dias neutros. As condições edafoclimáticas e o manejo adotado têm permitido a manutenção dos níveis produtivos e a continuidade da oferta. No entanto, o informativo aponta que há expressiva variação nos preços praticados em Agudo, influenciada pelo canal de comercialização e pelo local de venda. Os valores mais elevados são registrados em pontos situados às margens da BR-287, onde há maior fluxo de consumidores.

AGROLINK – Seane Lennon

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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