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Encontro consolida a força da Rede de Sementes do Xingu, a maior rede de coletores do Brasil

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Encontrão da Rede de Sementes do Xingu, a maior rede de coletores do Brasil, aconteceu em São Félix do Araguaia (MT) Foto: Bianca Moreno/ARSX
Com o objetivo de promover a troca de conhecimentos, fortalecer práticas de restauração ecológica e celebrar a cultura dos povos que compõem seu território, a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) realizou em São Félix do Araguaia (MT), nos dias 7 e 8 de setembro, o Encontrão 2024.

Apesar da fumaça que ainda dominava a região, a 18ª edição do evento – que acontece a cada dois anos – confirmou a força da maior rede de coletores de sementes nativas do Brasil na resistência diante da crise climática e seu papel na conservação da biodiversidade.

Ao reunir cerca de 80 coletores, além de convidados de outras redes de sementes do país e parceiros estratégicos – como o Instituto Socioambiental (ISA), as iniciativas Redário e Caminhos da Semente e Operação Amazônia Nativa (OPAN) – o Encontrão 2024 reafirmou a importância da articulação e da cooperação no enfrentamento dos desafios impostos pelo atual cenário socioambiental.

A programação, elaborada a partir das demandas dos próprios grupos coletores, incluiu cantos tradicionais, apresentação institucional da Rede de Sementes do Xingu e da Juventude da Rede, estações de saberes, feira de troca de sementes e de venda de artesanato, além de espaços para dúvidas sobre beneficiamento das sementes, segurança no trabalho e a restauração ecológica das áreas de coleta.

encontrão da rede de sementes do xingu
Encontrão da Rede de Sementes do Xingu reuniu coletores, convidados de outras redes de sementes do país e parceiros estratégicos 📷 Bianca Moreno/ARSX
encontro da rede de sementes do xingu
encontro da rede de sementes do xingu
Articulações

O Encontrão também foi marcado pelas “estações de troca de saberes”, através das quais os participantes compartilharam técnicas de beneficiamento, armazenamento, gestão do Fundo Rotativo Solidário e práticas de restauração. Representantes do ISA e da Xingu Soluções Ambientais enriqueceram as discussões com suas experiências e conhecimentos.
Lara Costa, técnica do ISA, destacou a importância da colaboração entre organizações para o sucesso das iniciativas de restauração. “Ao trabalhar em parceria com o Instituto Socioambiental e utilizar as sementes coletadas pela Rede de Sementes do Xingu, conseguimos ampliar o impacto das ações de restauração no Mato Grosso. Essa união de esforços é fundamental para a recuperação dos ecossistemas locais e a promoção de práticas sustentáveis.”

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Por sua vez, Renato Nazário, técnico da ARSX, ressaltou as atividades de restauração que a Rede vem promovendo desde 2019. “Temos feito um trabalho intenso de restauração e nossa expectativa é expandir ainda mais esses esforços nos próximos anos. A participação e o engajamento da comunidade são essenciais para o fortalecimento dessa iniciativa, que visa conservar a biodiversidade e valorizar o conhecimento tradicional”, completou.

encontro da rede de sementes do xingu
Participantes compartilharam técnicas de beneficiamento de sementes 📷 Bianca Moreno/ARSX
encontro da rede de sementes do xingu
Encontrão fortaleceu conhecimentos e usos de sementes como a do milho 📷 Bianca Moreno/ARSX
“A Rede de Sementes do Xingu é uma inspiração para outras redes. Nesse contexto, foi muito proveitosa a oportunidade de o Redário trazer para o Encontrão da ARSX representantes de redes que estão sendo capacitadas nos princípios da articulação da iniciativa, além das já articuladas, como a Rede de Sementes do Cerrado – ativa também na governança da rede das redes”, analisou Beatriz Murer, técnica do ISA e responsável pelo Projeto ARCA, patrocinador do Encontrão 2024, juntamente com o Instituto Clima e Sociedade (ICS).

“Foi muito importante estar no Encontrão da Rede de Sementes do Xingu em São Félix do Araguaia, conhecer ainda mais a rede e novos parceiros e entender o território mais detalhadamente, uma questão fundamental no contexto do projeto ARCA, que desenvolverá várias atividades nos próximos anos”, afirmou Murer.

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Beatriz Murer, técnica do ISA, auxilia Ana Júlia, filha de Marcos Lima e Milene Alves, da ARSX e do Redário 📷 Bianca Moreno/ARSX
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Da esquerda para a direita, Milene Alves, do Redário e Bruna Ferreira e Claudia Araújo, diretoras da Rede de Sementes do Xingu 📷 Bianca Moreno/ARSX
Semeando

Às vésperas do Encontrão 2024, jovens de diferentes territórios da área de atuação da ARSX se reuniram no IV Encontro de Jovens da Rede de Sementes do Xingu, também em em São Félix do Araguaia (MT), para  discutir o papel das novas gerações na liderança da Rede, trazendo à tona a importância da transição geracional e a potência transformadora da juventude.

Realizado nos dias 5 e 6 de setembro, o Encontro de Jovens aqueceu o espaço que, logo em seguida, receberia representantes de todos os Grupos Coletores da Rede com reflexões de esperança para o futuro do planeta. Entre os participantes, marcou presença a juventude dos Grupos Coletores xinguanos Kuyuwi, Matipu, Samauma, Kwarujá, além dos indígenas Xavante da TI Marãiwatsédé e das aldeias Ripá e Novo Paraíso, assim como representantes da agricultura familiar de Poxoréu, São Félix do Araguaia e Santa Cruz do Xingu.

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Jovens de diferentes territórios da área de atuação da ARSX se reuniram no IV Encontro de Jovens da Rede de Sementes do Xingu 📷 Bianca Moreno/ARSX
encontro da rede de sementes do xingu
rede de sementes do xingu
“Foi um período em que a fumaça estava baixa e todos inalando fumaça o tempo inteiro. O caos climático e a ebulição global estavam sendo muito concretamente vivenciados. Então, foi possível perceber como estas questões engajam tanto a Rede quanto a juventude da rede de sementes. O Encontro de Jovens foi o momento de chamar a juventude para assumir seu papel, quando as atuais lideranças estão assumindo outras responsabilidades. Ao mesmo tempo em que o mais novo tinha 13 anos, várias pessoas de 20 e tantos anos trouxeram muito sobre a história da rede e sobre a importância e a potência de transformação que a ela traz consigo”, afirmou Beatriz Murer.

Durante uma roda de conversa conduzida por Cláudia Araújo, coordenadora do núcleo de Fortalecimento da Sociobiodiversidade e responsável pelo acompanhamento dos Grupos Coletores  da ARSX, e por Paulo Sammarco, o futuro da Rede foi discutido com foco na sucessão e na participação das novas gerações.

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Andrea Ono – Jornalista do Redário

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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FedEx encerra transporte doméstico no Brasil e concentra operações no transporte internacional

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A FedEx anunciou o encerramento de seu serviço de transporte doméstico no Brasil, em comunicado enviado a clientes e parceiros. A decisão faz parte da estratégia da companhia de concentrar suas operações no País no transporte internacional, tanto aéreo quanto rodoviário, e em serviços de supply chain, incluindo POS, máquinas de cartão de crédito.

De acordo com comunicado emitido pela FedEx, essas áreas continuam sendo essenciais para conectar seus clientes no Brasil e nos mercados globais.

O encerramento será feito de forma gradual e terá conclusão no dia 6 de fevereiro. As coletas e entregas já contratadas serão mantidas até o final do prazo. Segundo a empresa, as mudanças respondem “proativamente às dinâmicas do mercado”.

“A FedEx permanece totalmente comprometida com o cumprimento de todas as obrigações contratuais e com a prestação de um serviço confiável aos seus clientes, bem como em apoiar empresas em todo o País com soluções logísticas e de supply chain confiáveis, seguras e eficientes que refletem os mais altos padrões da FedEx”, diz a empresa. 

Imagem: Divulgação

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Exportações de carne bovina atingem patamar histórico em 2025 e reforçam protagonismo do Brasil no mercado global

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Divulgação

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com um resultado inédito na pecuária de corte. Mesmo em um ano marcado por tensões comerciais e ajustes tarifários em mercados estratégicos, as exportações de carne bovina alcançaram níveis recordes, consolidando o Brasil como principal fornecedor mundial da proteína.

Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sistematizados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o país embarcou 3,50 milhões de toneladas de carne bovina ao longo do ano. O volume representa um crescimento de 20,9% em relação a 2024, evidenciando a capacidade de adaptação do setor mesmo diante de mudanças no cenário internacional.

Em termos financeiros, o avanço foi ainda mais expressivo. A receita cambial atingiu US$ 18,03 bilhões, alta de 40,1% na comparação anual. A carne bovina in natura respondeu pela maior parte desse desempenho, com faturamento de US$ 16,61 bilhões, refletindo tanto o aumento da demanda quanto a valorização do produto brasileiro no exterior.

Esse movimento tem reflexos diretos na realidade do campo em Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional de bovinos e concentra parte significativa da oferta exportável. O desempenho recorde fortalece a renda do produtor, estimula investimentos em genética, manejo e infraestrutura e impulsiona cadeias associadas, como transporte, insumos e indústria frigorífica. Mais informações sobre o cenário regional podem ser acompanhadas no contexto econômico de Mato Grosso.

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China mantém liderança, mas outros mercados ganham peso

O Brasil ampliou sua presença internacional e passou a vender carne bovina para mais de 170 países. A China permaneceu como principal destino, absorvendo cerca de 48% de todo o volume exportado. No entanto, 2025 foi marcado por uma diversificação relevante dos compradores, reduzindo a dependência de um único mercado.Cenário Agro

A União Europeia apresentou crescimento expressivo nas compras, com avanço superior a 130% em volume. Países do Norte da África e do Oriente Médio também se destacaram, como Argélia e Egito, que registraram aumentos acima de 200%. Mesmo enfrentando ajustes tarifários, os Estados Unidos ampliaram as importações em 18,3%, consolidando-se como o segundo maior destino da carne bovina brasileira.

Tarifas e ajustes: setor reage com estratégia e eficiência

Ao longo do ano, o setor precisou lidar com barreiras comerciais e revisões tarifárias em mercados relevantes. Ainda assim, a resposta foi rápida. Segundo a Abiec, frigoríficos e produtores ajustaram fluxos logísticos, redirecionaram embarques e investiram em diferenciação de produto para manter competitividade.

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Para o presidente da entidade, Roberto Perosa, o resultado demonstra maturidade institucional da cadeia produtiva. A avaliação é que, mesmo com impactos pontuais, a pecuária brasileira conseguiu transformar desafios em oportunidade, ampliando mercados e agregando valor à produção.

Dezembro confirma ritmo forte até o fim do ano

O último mês de 2025 confirmou a consistência do desempenho anual. Em dezembro, foram exportadas 347,4 mil toneladas, com faturamento de US$ 1,85 bilhão. China, Estados Unidos e Chile lideraram as compras no período, mantendo o fluxo elevado até o encerramento do ano.

Perspectivas para 2026 apontam crescimento mais seletivo

Após dois anos de expansão acelerada, a projeção do setor para 2026 é de estabilidade em níveis elevados, com foco em mercados de maior valor agregado. Negociações seguem em andamento para ampliar o acesso a destinos estratégicos como Japão, Coreia do Sul e Turquia.

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A expectativa é que o próximo ciclo seja marcado menos por volume e mais por qualificação das exportações, o que tende a beneficiar produtores brasileiros — especialmente em estados líderes como Mato Grosso — com maior previsibilidade de renda e fortalecimento da posição do Brasil no comércio global de proteínas.

Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Reforma tributária amplia peso do enquadramento rural

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A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso – Foto: Pixabay

 

A Reforma Tributária prevista para 2026 impõe novos desafios ao produtor rural e amplia a importância das decisões ligadas ao enquadramento fiscal da atividade. Segundo a contadora Liciene França, a escolha entre atuar como pessoa física ou pessoa jurídica deixa de ser apenas uma definição operacional e passa a ter impacto direto na estratégia do negócio rural.

Com as mudanças no sistema de tributos, a tendência é de aumento na diferença de carga tributária entre os dois modelos, o que exige atenção redobrada por parte dos produtores. Um enquadramento inadequado pode resultar em perda de créditos tributários, elevação do custo fiscal e reflexos negativos no resultado financeiro da atividade, afetando desde o fluxo de caixa até a capacidade de investimento.

A avaliação entre pessoa física e pessoa jurídica ganha peso em um cenário no qual o planejamento tributário se torna indispensável. A decisão incorreta pode comprometer a competitividade do produtor no mercado e gerar efeitos duradouros sobre o patrimônio construído ao longo dos anos. Por outro lado, uma escolha bem fundamentada permite maior previsibilidade dos custos e melhor aproveitamento das regras do novo sistema.

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A partir de 2026, o planejamento deixa de ser uma alternativa e passa a ser uma necessidade para quem atua no campo. A definição do enquadramento mais adequado funciona como uma ferramenta de proteção do resultado econômico da produção rural, ajudando a reduzir riscos e a sustentar a atividade em um ambiente tributário mais complexo. A decisão entre pessoa física ou jurídica deve ser encarada como parte central da gestão do negócio, com foco na preservação do caixa, da competitividade e da segurança patrimonial do produtor.

AGROLINK – Leonardo Gottems

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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