Agricultura
Jatobá: O Ciclo da Vida

Divulgação
Eu me considero uma pessoa mais do que abençoada. Tenho na minha chácara ou mata cerca de 25 árvores de jatobá, grandes e formadas, que dão frutos e muitas sementes. Inclusive, já fiz uma doação de 1200 sementes de chimbuva e jatobá, colhidas por mim. Há até um vídeo no meu canal mostrando essa doação, feita para o horto florestal de Cuiabá, MT. Além disso, tenho centenas de árvores e mudinhas em crescimento na minha mata.
O jatobá é um anti-inflamatório, antibiótico e antisséptico muito bom para aumentar a imunidade do corpo, tornando-o forte e robusto, de cor avermelhada. É muito utilizado para problemas respiratórios, como asma, tosse, bronquite, rouquidão, gripes fortes, faringite e garganta. Também é eficaz contra dores no corpo, pernas, cãibras, intestinos lentos ou problemáticos, e infecções urinárias. O jatobá é indicado para vários tipos de câncer, principalmente da próstata, ajudando a prevenir o câncer sanguíneo.
Você pode fazer uso do licor fazendo um buraco na madeira com um trado ou arco de PVA. A cada 20 ou 30 dias, colha o xarope e tome de 2 a 3 vezes ao dia. Outra opção é ferver as cascas do jatobá e tomar o chá. É possível utilizá-lo em bolos, bolachas, sopas, sucos, pão com leite, leite em pó e até leite condensado. A farinha com a parte amarela que cobre as sementes é um aliado contra anemias profundas, especialmente em crianças e idosos. Combine o licor ou xarope de jatobá com tônico e mel para alimentar os glóbulos vermelhos, combatendo fraquezas, tonturas e diversas anemias.
O jatobá, juntamente com o arco de pua d’alho roxo, é excelente para a memória. A mistura com babaçu serve como tônico para o sistema cerebral, limpando e fortalecendo o cérebro. Além disso, a combinação de jatobá com jambu, tamarino e mel de abelha é eficaz contra asma e possui propriedades afrodisíacas. É indicado para pneumonia aguda, depura o sangue e trata diversas inflamações e infecções. A resina do jatobá é útil para aumentar a imunidade do corpo, pois contém muitas vitaminas e sais minerais, como ferro, fósforo e magnésio. Ferva as cascas para fazer o chá.
Uma dica interessante é que os índios Bakairi de Paranatinga, MT, retiram as cascas quase inteiras do jatobá para confeccionar belíssimas canoas, uma tradição passada de pai para filho por muitas gerações. Sua madeira de lei é utilizada na fabricação de tornos e carros de boi, preservando assim a cultura.
No entanto, é importante ressaltar que nem eu, como influenciador digital, nem vocês, como seguidores deste canal, deveram fazer uso de qualquer medicamento sem o conhecimento ou indicação médica.
O ciclo da vida do jatobá está registrado em vídeo no meu canal no YouTube, Natureza na Veia, uma linda e justa homenagem a esta árvore tão importante para nós, seres humanos, e para a natureza em si.
Jatobá, sinta-se abraçado.
Por Ademir Galiztki
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Cuba avalia importada maçã do Rio Grande do Sul

Foto: Agrolink
O governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), acompanhou nesta quinta-feira (9) a visita de uma missão internacional conduzida pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária (ONPF), de Cuba, no município de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra.
Durante a agenda, a Associação Brasileira de Produtores de Maçã apresentou dados da cadeia produtiva, enquanto pesquisadores da Embrapa abordaram as principais pragas que afetam a cultura. A Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapi detalhou aos visitantes o processo de certificação fitossanitária. A missão também visitou duas empresas exportadoras para conhecer o sistema de produção local e avaliar o atendimento às exigências sanitárias.
Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) da Seapi, Deise Feltes Riffel, a atuação do órgão tem sido determinante para garantir a conformidade do setor. “O trabalho desenvolvido pela Secretaria junto aos produtores trouxe o respaldo que os técnicos cubanos estavam buscando, da rastreabilidade, de saber que tudo está de acordo com as normas. E é importante para o estado, para a cadeia produtiva, a abertura de novos mercados, para garantir o escoamento dos produtos que são de excelente qualidade”, afirmou.
O Rio Grande do Sul é o maior exportador de maçã do Brasil e embarca para 36 países, com destaque para Índia, Portugal e Irlanda. Em 2025, o estado produziu 567,40 mil toneladas, com concentração nos municípios de Vacaria, Bom Jesus e Caxias do Sul, conforme dados da publicação Radiografia da Pecuária Gaúcha 2025, da Seapi.
A missão cubana está no Brasil desde o início da semana para avaliar as condições de abertura do mercado à importação de frutas brasileiras. A agenda incluiu visitas em São Paulo, com análise de programas estaduais de certificação fitossanitária e sanidade de citros, além de áreas produtivas no Vale do São Francisco voltadas à exportação de uva.
A programação foi encerrada com reunião entre auditores da ONPF e representantes do Mapa, quando foram discutidos os resultados da auditoria e os próximos passos para a possível abertura do mercado cubano.
AGROLINK – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
O contraste do agronegócio brasileiro: Safras recorde e dívida alta

Imagem: Freepik
O agronegócio brasileiro está enfrentando um contraste cada vez mais evidente: enquanto mantém posição de liderança global na produção e nas exportações, enfrenta um quadro de pressão financeira dentro da porteira, marcado por endividamento elevado, crédito mais restrito e margens comprimidas.
O setor fechou 2025 com cerca de R$ 879 bilhões em exportações e superávit de aproximadamente R$ 775 bilhões, respondendo por quase metade das vendas externas do país. Ao mesmo tempo, o endividamento rural alcança patamares estimados em torno de R$ 188 bilhões, o equivalente a aproximadamente duas safras e meia de geração de caixa — uma relação que indica perda de fôlego financeiro mesmo em um ambiente de produção elevada.
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Na prática, o produtor passou a operar com uma equação mais apertada. O custo de produção segue pressionado por insumos, fertilizantes e combustíveis, enquanto o crédito ficou mais caro com a alta dos juros. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos, como estiagens e enchentes, reduziram produtividade em regiões importantes, comprometendo receitas e ampliando o risco das operações.
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, os desembolsos somaram R$ 207,3 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões a menos que no mesmo período do ciclo anterior. O recuo foi puxado principalmente pelo custeio, que caiu de R$ 135,1 bilhões para R$ 117 bilhões, e pelos investimentos, que recuaram de R$ 65 bilhões para menos de R$ 50 bilhões, um sinal claro de retração na capacidade de expansão do setor. Ao mesmo tempo, a inadimplência no campo avançou para 8,3% no terceiro trimestre de 2025, indicando dificuldade crescente para fechar a conta.
O efeito já se espalha pela cadeia. A demanda por máquinas desacelera, fornecedores de insumos enfrentam maior risco de crédito e o produtor passa a reduzir pacote tecnológico para preservar caixa — movimento que tende a impactar produtividade nas próximas safras.
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Tensão no Oriente Médio reduz oferta global de uréia

Imagem: reprodução/pensaragro
A escalada das tensões no Oriente Médio (apesar do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira, 07.04) segue pressionando o mercado global de fertilizantes e mantém as cotações da ureia em patamares elevados, com alta acumulada próxima de R$ 1.500 por tonelada desde o fim de fevereiro. O movimento reflete a redução da oferta e as incertezas logísticas em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento mundial.
Em março, cerca de 2 milhões de toneladas deixaram de circular no mercado internacional, entre paralisações de unidades produtivas e cargas retidas em rotas marítimas. O impacto foi imediato sobre os preços e ainda não foi totalmente absorvido, o que sustenta o atual nível de valorização.
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A situação é agravada por restrições em importantes polos produtores. O Irã, que teve unidades afetadas, responde por parcela relevante das exportações globais e também das importações brasileiras. Ao mesmo tempo, outros mercados seguem pressionados por fatores paralelos, como limitações na oferta de gás para fertilizantes e ajustes na produção em países exportadores.
A demanda internacional também contribui para o aperto. Grandes compradores continuam ativos no mercado para recompor estoques, mantendo a disputa por volumes disponíveis em um cenário de oferta reduzida.
No Brasil, o efeito é direto. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e, no caso da ureia, a dependência externa é ainda mais elevada. O consumo anual gira entre 7 e 8 milhões de toneladas, principalmente para culturas como milho, cana-de-açúcar e pastagens.
Os preços internos acompanham o movimento internacional. A ureia já é negociada próxima de R$ 3.800 por tonelada, mantendo tendência firme, enquanto outros nitrogenados também registram elevação, refletindo a menor disponibilidade global.
No cenário global, o consumo de fertilizantes nitrogenados supera 110 milhões de toneladas por ano, o que amplia a sensibilidade do mercado a qualquer interrupção relevante na oferta.
Para o produtor, o cenário reforça a necessidade de cautela no planejamento da próxima safra. A alta dos fertilizantes ocorre em um momento de crédito mais restrito, juros elevados e margens pressionadas, o que aumenta o risco na formação de custo.
Enquanto não houver recomposição efetiva da oferta global, o mercado tende a seguir volátil, mantendo o fertilizante como um dos principais pontos de atenção dentro da porteira.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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