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Agricultura

Ferramenta digital orienta produtores no controle da ferrugem asiática da soja

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Foto: Pedro Singer

Cientistas brasileiros desenvolveram uma plataforma para o diagnóstico da ferrugem asiática da soja, uma das doenças mais severas da cultura. A tecnologia integra inteligência artificial à análise combinada de dados climáticos, agronômicos e de imagens digitais. Hospedado em nuvem, o sistema avalia o risco de ocorrência da doença e gera relatórios com recomendações técnicas de manejo, contribuindo para decisões mais precisas no campo. Agora, os pesquisadores buscam parceiros privados para viabilizar a transferência da solução ao setor produtivo.

O modelo reúne dados de sensores ambientais, imagens digitais das folhas e parâmetros agronômicos, como cultivar, espaçamento e calendário de plantio. Os resultados são apresentados em um painel on-line, que permite aos agricultores acompanhar séries temporais de dados climáticos e imagens das plantas.

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projeto Ferramenta Digital Avançada para o Gerenciamento de Riscos Agrícolas , apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A iniciativa integrou parte do doutorado do cientista da computação Ricardo Alexandre Neves na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob a orientação do pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP) Paulo Cruvinel.

O estudo A Cloud-Based Intelligence System for Asian Rust Risk Analysis in Soybean Crops foi publicado em julho de 2025 pelo periódico AgriEngineering .

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Gravidade da doença gera prejuízos

A soja tem importância econômica global, devido às suas características. No Brasil, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento ( Conab ) para a safra 2025/26 é de cerca de 177,6 milhões de toneladas, um aumento de 3,6% na área cultivada, totalizando 49,1 milhões de hectares.

O grão é matéria-prima para alimentos, ração animal e biocombustíveis. Mas dados da Embrapa apontam que a ferrugem asiática, provocada pelo patógeno Phakopsora pachyrhizi , pode causar até 80% de perdas na mão-de-obra e gerar custos com o controle, que podem ultrapassar US$ 2 bilhões por safra.

A propagação da doença é feita pelo vento, que pode espalhar o fungo na própria mão de obra, em áreas vizinhas ou distantes. Portanto, dificulta seu controle.

O controle utiliza fungicidas químicos, mas a ferrugem asiática é cada vez mais resistente a diversas classes desses defensivos. “Para obter uma mão-de-obra livre da ferrugem asiática, pode haver excesso de aplicações. Isso implica em prejuízos ao meio ambiente e aos produtores, uma vez que impacta nos custos de produção”, afirma Cruvinel.

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A doença se manifesta inicialmente com manchas amareladas ou alaranjadas. No estágio intermediário, essas manchas se expandem e formam áreas avermelhadas maiores. Na fase avançada, as áreas afetadas tornam-se castanhas e cobrem grandes porções da folha, que perecem.

A fusão de dados facilita o diagnóstico

Os cientistas desenvolveram o sistema de pesquisa on-farm – pesquisa a campo diretamente no ambiente de produção -, em um modelo que utiliza temperaturas climáticas, dados relacionados às plantas de soja, e informações obtidas a partir de imagens digitais de folhas de soja. As variáveis ​​climatológicas foram observadas no período de monitoramento na área da cultura.

“A tecnologia classifica a favorabilidade da doença em três níveis, baixo, médio e alto, a depende da combinação do conjunto das variáveis ​​relacionadas ao estágio de infestação. Com isso, é possível realizar diagnósticos e prognósticos de controle da doença, com maior eficácia e precisão”, complementa Neves. Segundo ele, o nível de favorabilidade é definido por inferência estatística em função do comportamento do conjunto das variáveis ​​consideradas e relacionadas à ocorrência da doença.

Os pesquisadores explicaram que o sistema funciona a partir da maioria dos dados. Os principais viabilizam a análise de fatores essenciais ao desenvolvimento do fungo, como o período de molhamento foliar – umidade relativa acima de 90%, na faixa de temperatura entre 18°C ​​e 26,5°C – ou o ponto de orvalho.

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O trabalho utiliza técnicas avançadas e específicas de processamento para extrair informações das imagens digitais de folhas de soja. Padrões de cor, como verde, amarelo e marrom, estão associados aos estágios de evolução da doença.

Cruvinel conta que, para a fusão desses dados, o estudo avaliou dois métodos. O sistema, por fim, utiliza o modelo de Cadeias Ocultas de Markov, que oferece robustez, eficácia e eficiência ao processo de suporte à decisão. Essa metodologia se mostrou superior à lógica Fuzzy (difusa), alcançando 100% de acerto na correspondência dos cenários avaliados sobre riscos de ocorrência de ferrugem asiática em áreas de cultura de soja.

“O modelo desenvolvido para a fusão de dados de diferentes variáveis ​​oportunizou estruturar uma base de regras completa, que considera sistematicamente diferentes situações em que seja provável que a doença ocorra”, diz o pesquisador.

Durante o estudo de quatro anos com a cultivar convencional BRS 537 da Embrapa Soja (PR), os pesquisadores utilizaram mais de 2 gigabytes de dados por ciclo de cultura, considerando informações coletadas em trabalho real durante o cultivo, em parcelas georreferenciadas na região de Poxoréu (MT) e fotografadas sob índices de iluminação conhecidos.

Dados à disposição dos produtores na web

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Os relatórios analíticos disponibilizados no painel de controle foram constituídos com base em um histórico de vinte anos e possibilitam avaliar períodos de ciclos da cultura. O sistema possui interface amigável para navegação, organizada, com informações básicas e de interesse para produtores e potenciais usuários.

De acordo com Cruvinel e Neves, os relatórios gerenciais buscam apoiar as tomadas de decisão do produtor quanto à gestão das áreas de plantio, possibilitando avaliar a ocorrência ou não da ferrugem asiática e o estágio de severidade da doença. Além disso, apresentamos recomendações agronômicas baseadas no diagnóstico para o controle da doença.

Cruvinel acrescenta que esses relatórios se encontram na aba “Recomendações Agrícolas” do painel de controle, onde há também um link para o site AGROFIT , banco de informações sobre os produtos agroquímicos e afins registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ), para consultas e seleção de fungicidas recomendados para o controle da ferrugem asiática.

Solução reduz uso de fungicidas

Os pesquisadores afirmam que o sistema viabiliza o monitoramento da presença ou não da ferrugem asiática da soja, bem como a avaliação da dinâmica de ocorrência da doença, em seus diferentes estágios de severidade e risco no processo agrícola produtivo.

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“O ponto-chave da pesquisa foi criar um método que integra dados heterogêneos para oferecer um diagnóstico mais confiável. Depender apenas de imagens ou apenas de dados climáticos isolados não é suficiente para uma avaliação precisa, o que pode levar a diagnósticos falsos-positivos. Além disso, a solução oferece prevenção e uso racional de fungicidas”, afirma Neves, que atualmente é professor do Instituto Federal de São Paulo ( IFSP ), campus de São João da Boa Vista.

Sistema é validado por especialistas

Para Bernardo Halfeld-Vieira e Katia Nechet , fitopatologistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) a solução é de grande valia para o produtor, pois cruzou dados obtidos de imagens de folhas de soja com ferrugem asiática, sintomas e severidade foram avaliados por especialistas, e dados climáticos encontrados por sensores ambientais.

Os pesquisadores pontuaram que o modelo desenvolvido e validado tem como mérito fornecer estimativas mais precisas para prever a propensão climática à progressão da doença.

“Na prática, o método propicia a tomada de medidas de controle em campo antes que a doença atinja alta severidade, uma vez que permite aos produtores decidirem, de forma antecipada, o melhor momento para utilização de medidas de controle”, ressaltam Vieira e Nechet, que participaram da validação do modelo, em conjunto com outros especialistas.

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Aprendizado estimula futuros profissionais

Neves observa ainda que “esse resultado tem impacto direto na formação de estudantes, uma vez que passou a ser utilizado como caso prático e avançado em sala de aula, ajudando a demonstrar como tecnologias de computação podem solucionar problemas agrícolas complexos e desafios de outros setores da indústria”.

Para o pesquisador, esta aplicação pedagógica contribui para enriquecer o aprendizado e a preparação de futuros profissionais com visão interdisciplinar, inclusive em Ciência da Computação. (com Assessoria/Joana Silva)

Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

Pesquisa da Fundação Rio Verde busca ampliar eficiência no combate ao bicudo-do-algodoeiro

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Pesquisa da Fundação Rio Verde busca ampliar eficiência no combate ao bicudo do algodoeiro

Uma das principais ameaças à cotonicultura brasileira, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), segue mobilizando pesquisadores e produtores em busca de alternativas mais eficientes para o manejo da praga. No Mato Grosso, um dos maiores polos produtores de algodão do país, a Fundação Rio Verde realiza pesquisa em busca de ampliar o conhecimento sobre o comportamento do inseto nas condições locais e gerar informações que possam fortalecer o controle nas lavouras.

Coordenado pelo setor de Entomologia da Fundação, o estudo é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e integra uma dissertação de mestrado conduzida pela assistente de pesquisa, Naiara Dias dos Santos, sob orientação técnica da pesquisadora e coordenadora de Entomologia da Fundação Rio Verde, Jéssica Gorri.

Segundo Jéssica, o objetivo é aprofundar o entendimento sobre a biologia do bicudo-do-algodoeiro no ambiente produtivo mato-grossense, confrontando dados obtidos em campo com informações já disponíveis na literatura científica.

“Grande parte das referências existentes é baseada em estudos com mais de 15 anos e que não representam totalmente a realidade do nosso ambiente produtivo. Mato Grosso é referência na produção de algodão e precisamos entender como essa principal praga se comporta nas condições específicas da nossa região”, explica.

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Entre os pontos analisados pela pesquisa estão os parâmetros biológicos do inseto, a sobrevivência entre safras, movimentação no ambiente e comportamento em períodos de transição climática, especialmente durante a saída do período chuvoso e entrada da estiagem.

Um dos aspectos que chama a atenção é a permanência do bicudo em áreas agrícolas mesmo fora do período tradicional da cultura do algodão. De acordo com a pesquisadora, a literatura tradicional aponta que, após a colheita, a tendência é o inseto entrar em um período de dormência, conhecido como ‘diapausa’, permanecendo em áreas de vegetação até o retorno da cultura. No entanto, os levantamentos realizados pela equipe indicam um cenário diferente na região.

“Estamos observando a permanência do bicudo-do-algodoeiro em culturas de primeira safra, em plantas voluntárias, tigueras e até mesmo em áreas de vegetação. Queremos entender por que, na nossa região, esse comportamento pode estar acontecendo de forma diferente do que a literatura tradicional apresenta”, destaca Jessica.

Além do entendimento biológico, a proposta da pesquisa também busca integrar informações relacionadas à tecnologia de aplicação, eficiência de produtos químicos e biológicos e futuras estratégias ligadas ao melhoramento genético. A ideia, de acordo com a pesquisadora

é construir uma base técnica mais robusta para orientar o manejo da praga e ampliar a eficiência das ferramentas já utilizadas pelos produtores.

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“Atualmente, o monitoramento contínuo e o manejo preventivo seguem sendo fundamentais no combate ao bicudo-do-algodoeiro, e a pesquisa busca justamente trazer mais argumentos técnicos para fortalecer o posicionamento no manejo, unindo biologia da praga, tecnologia de aplicação, eficiência de produtos e inovação genética”, reforça Jéssica.

Os estudos desenvolvidos pela Fundação Rio Verde representam a construção de soluções adaptadas à realidade mato-grossense.

Para mais informações entre em contato com a Fundação Rio Verde de segunda à Sexta-feira, das 7:30 às 11:30 e das 13:00 às 17:30, pelos telefones (65) 9 9995-7407 e (65) 9 9997-3597 e converse com o Setor de Entomologia.

Fundação Rio Verde está localizada na Rodovia da Mudança – MT449, km 08 em Lucas do Rio Verde – MT.

com Assessoria/Verbo Press

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Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

O erro que pode deixar o produtor fora do próximo Plano Safra

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O erro que pode deixar o produtor fora do próximo Plano Safra. Foto: Assessoria – Aprosoja

O encerramento da safra de soja 2025/2026 expôs a forte pressão financeira enfrentada pelo produtor rural brasileiro. Com a quebra de safra por fatores climáticos, a queda acentuada na rentabilidade da oleaginosa e os reflexos imediatos na safrinha de milho, os índices de endividamento no campo atingiram patamares alarmantes.

Dados recentes da Serasa Experian revelam que os pedidos de recuperação judicial no agronegócio deram um salto de 56,4%, enquanto a inadimplência no setor atingiu o nível histórico de 8,3% da população rural, concentrada majoritariamente em débitos bancários. Nesse cenário de escassez de liquidez, as portas para o próximo Plano Safra correm o risco de se fechar para muitos agricultores que, embora tenham produção ativa, cometeram erros graves na gestão do passivo.

Para o advogado especialista em agronegócio, Pedro Henrique Oliveira Santos, o maior erro do produtor rural no momento atual é a falta de uma gestão jurídica estratégica da sua operação.

“O principal erro é justamente a falta de gestão jurídica da operação. Em que sentido? Deixar as dívidas vencerem e tentarem renegociar sozinhos junto ao banco. Esse é o momento onde o banco faz uma renegociação que chamamos de ‘operação mata-mata’: aumenta os juros, emite uma nova cédula para quitar a outra, e a dívida vai virando uma bola de neve, só adiando o problema e aumentando o valor”, alerta o advogado.

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O especialista explica que, mesmo quando o produtor consegue fechar um acordo direto com a agência, o impacto no médio prazo costuma ser desastroso para o negócio.

“Acaba que, quando chega no próximo Plano Safra, às vezes, por mais que eles renegociaram direto com o banco, uma renegociação nesses moldes compromete o score, compromete o nome e também o limite de crédito. E aí muitas vezes eles não conseguem acessar o financiamento”, pontua Santos.

O perigo de esperar o crédito abrir

Um vício cultural do setor é deixar para organizar a vida financeira apenas quando as linhas de crédito oficiais são liberadas. Contudo, as novas exigências de governança e sustentabilidade dos bancos tornaram o processo de conformidade (compliance) muito mais rigoroso.

Para o produtor evitar o travamento bancário ou a negativa do crédito na hora de assinar o novo financiamento, Pedro Henrique aponta que existem pendências que precisam ser sanadas imediatamente:

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Restrições e limpeza de nome: A prioridade total deve ser reestruturar financeiramente os contratos vigentes — tanto com os bancos quanto com as revendas de insumos — para organizar o fluxo de caixa. “A principal medida é reestruturar financeiramente, reestruturar os contratos, tanto com os bancos como com as revendas, para organizar ali o fluxo de pagamento e também limpar o nome, entrando com as medidas cabíveis: prorrogação da dívida, alongamento, fazendo ali um novo cronograma de pagamento para dar baixa nas restrições”, orienta o especialista.

Proteção do Score e Limite de Crédito: Regularizar a situação antes do vencimento ou por meio de vias técnicas adequadas evita que o produtor caia em renegociações prejudiciais. O objetivo é impedir que a conta entre em prejuízo cadastral, o que destrói a capacidade de pagamento e o limite de crédito do produtor perante o sistema financeiro.

Compliance Ambiental e Multas: O crédito rural moderno é verde. O produtor precisa garantir que não possui nenhuma pendência ambiental ativa que bloqueie o CNPJ ou a Inscrição Estadual (IE) da fazenda. “A questão ambiental também conta muito: não ter nenhuma pendência ambiental, nenhum desmatamento, nenhuma notificação, nenhum processo ambiental em curso, multas… Enfim, essas questões ambientais são as principais situações que travam o crédito”, adverte o advogado.

Como fazer a blindagem jurídica da fazenda

Para os agricultores que enfrentam dificuldades após a colheita, a recomendação jurídica é agir com antecipação. Em vez de aceitar as condições impositivas dos bancos no balcão da agência, o produtor deve buscar o alongamento de suas dívidas com base no Manual do Crédito Rural (MCR), que garante o direito de prorrogação em casos de frustração de safra ou de mercado.

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A reestruturação feita com suporte especializado garante que o nome do produtor permaneça limpo e apto a tomar os juros controlados e subsidiados do governo, garantindo a compra de insumos e a sobrevivência da próxima safra.

“O produtor não pode esperar o edital do próximo Plano Safra sair para descobrir que está com as portas fechadas. O momento de auditar o passivo, organizar as certidões e buscar o alongamento legal das dívidas da safra que passou é agora, entre maio e junho. A reestruturação feita com antecedência e suporte jurídico especializado não é apenas para resolver um problema financeiro atual, é a única garantia de que o agricultor terá limites de crédito disponíveis e um score saudável para financiar e colocar a próxima safra de pé”, conclui Pedro Henrique.

Fonte: Assessoroa

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

Goianá inaugura biofábrica de insetos para incentivar o controle biológico de pragas nas lavouras

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Foto: Divulgação

A prefeitura de Goianá, cidade localizada na Zona da Mata mineira que tem a pecuária leiteira como uma das principais atividades econômicas, inaugurou, na última sexta-feira, dia 22 de maio, a Biofábrica de Insetos para Controle Biológico. O evento foi realizado no Centro de Apoio à Agricultura e reuniu produtores rurais e representantes de instituições públicas e privadas ligadas ao setor agropecuário. A biofábrica é resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Goianá, Embrapa Milho e Sorgo, a Emater-MG, o Grupo de Estudos da Agricultura Familiar da Universidade Federal de Minas Gerais e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

“O projeto nasce para resolver um gargalo logístico e financeiro crucial para os produtores locais de milho e hortaliças: o acesso ao controle biológico. Antes da biofábrica, as vespinhas do gênero Trichogramma – utilizadas para o manejo natural de pragas – vinham pelos Correios. Qualquer atraso na entrega colocava em risco a lavoura. Agora, com a produção local, os agricultores ganham autonomia, reduzem os custos de produção e diminuem drasticamente a dependência de inseticidas químicos”, explica Vinícius Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo.

Segundo ele, a concretização do espaço é resultado de uma jornada construída a muitas mãos, liderada por autênticos representantes da pesquisa pública brasileira. “No coração dessa trajetória estão o pesquisador Ivan Cruz e o engenheiro agrônomo Luciano Cordoval de Barros (recém-aposentados), descritos pelas lideranças locais como os verdadeiros ‘esteios’ do projeto, responsáveis por provar, na prática, que a ciência é capaz de transformar vidas no campo”, disse Guimarães. “A sensibilidade de Cordoval foi a peça chave para integrar as ações de campo e conectar as demandas dos produtores aos especialistas em controle biológico. Ao lado dele, um time de ‘Embrapianos’ históricos da Embrapa Milho e Sorgo deu o suporte técnico essencial desde os primeiros passos, os colegas Walter Matrangolo, Ivênio Rubens de Oliveira e Sinval Resende Lopes”, completou.

Segundo Filipe Russo, secretário de Agricultura, Pecuária, Meio Ambiente e Segurança Alimentar de Goianá, o modelo que está sendo experimentado na região deverá será expandido para o município de Porteirinha, no Norte de Minas Gerais. De acordo com ele, a Embrapa está possibilitando criar uma experiência única que poderá ter desdobramentos muito positivos para a agricultura da região. “A biofábrica é mais do que uma estrutura física. Ela representa um marco para a agrobiodiversidade regional e é o resultado de uma demanda que partiu da base, os produtores e extensionistas da Zona da Mata”, disse.

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Segundo Vinícius Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo, essa é uma ação que conta com a colaboração de outras Unidades da Embrapa, “com agradecimentos especiais aos pesquisadores Fernanda Samarini e Marcos Vinícius Gualberto, da Embrapa Gado de Leite, e Alessandra de Carvalho Silva, da Embrapa Agrobiologia, e João Paulo Guimarães Soares, da Embrapa Cerrados”.

Abaixo, leia um texto de autoria do chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo Vinícius Guimarães sobre a importância da inauguração da biofábrica no município de Goianá.

“A estratégia ganha ainda mais musculatura com o apoio do Projeto Crioulo, que atua diretamente na preservação de sementes tradicionais e no fortalecimento da identidade agrícola do território.

A iniciativa da Prefeitura Municipal de Goianá transformou a ideia em realidade, viabilizando a cessão da área pelo Incra para o município e consolidando o alinhamento estratégico com lideranças e empreendedores, como o produtor Lucas Sousa do Projeto Crioulo Brasil, que validaram a confiança no projeto.

Com a biofábrica em funcionamento, a Zona da Mata Mineira se posiciona como uma referência em transição ecológica para a agricultura familiar, mostrando que o futuro do campo se constrói com preservação ambiental, economia para o bolso do produtor e ciência de ponta”.

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Embrapa

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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