Agricultura
Goianá inaugura biofábrica de insetos para incentivar o controle biológico de pragas nas lavouras

Foto: Divulgação
A prefeitura de Goianá, cidade localizada na Zona da Mata mineira que tem a pecuária leiteira como uma das principais atividades econômicas, inaugurou, na última sexta-feira, dia 22 de maio, a Biofábrica de Insetos para Controle Biológico. O evento foi realizado no Centro de Apoio à Agricultura e reuniu produtores rurais e representantes de instituições públicas e privadas ligadas ao setor agropecuário. A biofábrica é resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Goianá, Embrapa Milho e Sorgo, a Emater-MG, o Grupo de Estudos da Agricultura Familiar da Universidade Federal de Minas Gerais e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
“O projeto nasce para resolver um gargalo logístico e financeiro crucial para os produtores locais de milho e hortaliças: o acesso ao controle biológico. Antes da biofábrica, as vespinhas do gênero Trichogramma – utilizadas para o manejo natural de pragas – vinham pelos Correios. Qualquer atraso na entrega colocava em risco a lavoura. Agora, com a produção local, os agricultores ganham autonomia, reduzem os custos de produção e diminuem drasticamente a dependência de inseticidas químicos”, explica Vinícius Guimarães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo.
Segundo ele, a concretização do espaço é resultado de uma jornada construída a muitas mãos, liderada por autênticos representantes da pesquisa pública brasileira. “No coração dessa trajetória estão o pesquisador Ivan Cruz e o engenheiro agrônomo Luciano Cordoval de Barros (recém-aposentados), descritos pelas lideranças locais como os verdadeiros ‘esteios’ do projeto, responsáveis por provar, na prática, que a ciência é capaz de transformar vidas no campo”, disse Guimarães. “A sensibilidade de Cordoval foi a peça chave para integrar as ações de campo e conectar as demandas dos produtores aos especialistas em controle biológico. Ao lado dele, um time de ‘Embrapianos’ históricos da Embrapa Milho e Sorgo deu o suporte técnico essencial desde os primeiros passos, os colegas Walter Matrangolo, Ivênio Rubens de Oliveira e Sinval Resende Lopes”, completou.
Segundo Filipe Russo, secretário de Agricultura, Pecuária, Meio Ambiente e Segurança Alimentar de Goianá, o modelo que está sendo experimentado na região deverá será expandido para o município de Porteirinha, no Norte de Minas Gerais. De acordo com ele, a Embrapa está possibilitando criar uma experiência única que poderá ter desdobramentos muito positivos para a agricultura da região. “A biofábrica é mais do que uma estrutura física. Ela representa um marco para a agrobiodiversidade regional e é o resultado de uma demanda que partiu da base, os produtores e extensionistas da Zona da Mata”, disse.
Segundo Vinícius Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo, essa é uma ação que conta com a colaboração de outras Unidades da Embrapa, “com agradecimentos especiais aos pesquisadores Fernanda Samarini e Marcos Vinícius Gualberto, da Embrapa Gado de Leite, e Alessandra de Carvalho Silva, da Embrapa Agrobiologia, e João Paulo Guimarães Soares, da Embrapa Cerrados”.
Abaixo, leia um texto de autoria do chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo Vinícius Guimarães sobre a importância da inauguração da biofábrica no município de Goianá.
“A estratégia ganha ainda mais musculatura com o apoio do Projeto Crioulo, que atua diretamente na preservação de sementes tradicionais e no fortalecimento da identidade agrícola do território.
A iniciativa da Prefeitura Municipal de Goianá transformou a ideia em realidade, viabilizando a cessão da área pelo Incra para o município e consolidando o alinhamento estratégico com lideranças e empreendedores, como o produtor Lucas Sousa do Projeto Crioulo Brasil, que validaram a confiança no projeto.
Com a biofábrica em funcionamento, a Zona da Mata Mineira se posiciona como uma referência em transição ecológica para a agricultura familiar, mostrando que o futuro do campo se constrói com preservação ambiental, economia para o bolso do produtor e ciência de ponta”.
Embrapa
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Sorgo pode substituir milho na silagem?

A pesquisa ressalta ainda a importância dos híbridos de duplo propósito – Foto: Pixabay
A busca por volumosos mais eficientes e competitivos tem ganhado espaço na pecuária intensiva, especialmente em sistemas de confinamento e semi-confinamento. Nesse contexto, o sorgo silageiro aparece como alternativa ao milho por reunir boa produção de biomassa, estabilidade fermentativa, equilíbrio nutricional e maior tolerância a condições de estresse climático e hídrico.
Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Instituto Federal Catarinense e Embrapa Amapá aponta que a silagem de sorgo pode atingir até 95% do valor nutritivo da silagem de milho. O trabalho também destaca boa digestibilidade da matéria seca, teores de proteína que podem superar os do milho, dependendo do híbrido e do manejo, além de adaptação a solos de menor fertilidade.
A pesquisa ressalta ainda a importância dos híbridos de duplo propósito, que combinam alta produção de massa verde com maior participação de grãos, favorecendo o valor nutricional e a eficiência alimentar dos ruminantes. A colheita entre os estádios de grão pastoso e farináceo é indicada como fator relevante para maior acúmulo de amido e fermentação mais eficiente.
“O Shullmax é um híbrido que chega ao mercado com um nível de validação muito sólido. Estamos falando de um material que já demonstrou, em condições reais de campo, alta produção de massa, excelente teor nutricional, estabilidade e segurança agronômica — características essenciais para o produtor que busca previsibilidade e resultado”, afirma Marcelo Pupim, diretor comercial da Shull Seeds.
O material é apresentado como alternativa para áreas em que o milho enfrenta maior limitação produtiva ou para sistemas que buscam resiliência, menor exigência de investimento e flexibilidade. O híbrido também possui perfil de adaptação a diferentes regiões, com destaque para áreas de Cerrado, Sul de Minas e Serra da Mantiqueira.
Agrolink – Leonardo Gottems
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Geadas elevam alerta no setor de hortifruti

A ocorrência de geadas nesses períodos pode comprometer tecidos vegetais – Foto: Divulgação
A chegada do inverno aumenta a atenção do setor de hortifruti no Sul do Brasil, diante do risco de geadas, frio mais intenso e previsão de um período mais chuvoso. O cenário pode afetar a produtividade, a qualidade dos alimentos e a regularidade da oferta ao consumidor.
Segundo Geferson Reis, especialista da Netafim, a região vem de um período de temperaturas elevadas, estiagem e chuvas irregulares, mas agora passa a enfrentar entradas mais fortes de massas de ar frio e formação de geadas. Entre as culturas mais sensíveis estão tomate, pimentão, pepino, morango e folhosas. Em áreas abertas, pêssego, ameixa, nectarina, uva e maçã também ficam mais vulneráveis, especialmente nas fases de floração e frutificação.
A ocorrência de geadas nesses períodos pode comprometer tecidos vegetais, reduzir a frutificação e provocar perdas no potencial produtivo. Os efeitos também podem chegar ao mercado, já que a menor oferta e o aumento de custos operacionais tendem a pressionar os preços ao consumidor.
Diante desse cenário, produtores reforçam o planejamento, o monitoramento climático e o uso de tecnologias. Uma das estratégias citadas é a irrigação anti-geada, por aspersão ou microaspersão, que forma uma camada controlada de gelo sobre a planta e ajuda a proteger flores, frutos e brotações durante a madrugada.
“O consumidor quer encontrar alimentos disponíveis nas gôndolas durante todo o ano, mas as condições climáticas têm tornado essa estabilidade cada vez mais desafiadora. Por isso, planejamento, monitoramento e
Agrolink – Leonardo Gottems
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Mercados agrícolas recuam na semana

Entre os principais destaques negativos, o cacau negociado na ICE de Nova York caiu 14,8% – Foto: Pixabay
Os mercados agrícolas internacionais encerraram a semana com queda, pressionados pela desvalorização de importantes commodities e por ajustes de posicionamento financeiro. Segundo o Rabobank, nos sete dias encerrados em 19 de maio de 2026, o S&P GS AG Index recuou 2,3% na comparação semanal, refletindo perdas em cacau, café, trigo, algodão, soja e milho, que superaram os ganhos registrados em boi e farelo de soja.
O movimento também foi acompanhado por redução na exposição comprada dos investidores não comerciais. De acordo com o levantamento, esse grupo vendeu 45.299 lotes líquidos no conjunto das commodities agrícolas, encerrando o período com posição líquida comprada de 473.389 lotes.
Entre os principais destaques negativos, o cacau negociado na ICE de Nova York caiu 14,8% na semana. A correção ocorreu após uma alta motivada por cobertura de posições vendidas, que havia se distanciado dos fundamentos de mercado. O cenário foi influenciado por notícias como a elevação da perspectiva de produção de cacau da Costa do Marfim para a safra 2025/26. No período, os fundos de Managed Money venderam 2.197 lotes líquidos, passando a uma posição líquida vendida de 16.166 lotes.
O café robusta também registrou queda, com baixa de 3,9% na comparação semanal. A pressão veio de exportações fortes do Brasil, melhora do clima no Vietnã, movimentos cambiais considerados baixistas e venda líquida por especuladores. Nesse mercado, o Managed Money vendeu 2.612 lotes líquidos, mas ainda manteve posição líquida comprada de 11.097 lotes.
Na soja negociada em Chicago, os preços recuaram 1,4% na semana. A queda ocorreu após a reunião entre Trump e Xi não apresentar detalhes sobre um novo acordo de compras agrícolas. Depois, os contratos recuperaram parte das perdas com um comunicado da Casa Branca que trouxe informações sobre um acordo relatado. Os fundos de Managed Money venderam 7.011 lotes líquidos, mantendo posição comprada de 207.804 lotes.
Agrolink – Leonardo Gottems
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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