Suinicultura
Estudo brasileiro alerta para o monitoramento da gripe em criadouros de suínos

Porcos — Foto: cottonbro studio via Pexels
Há um grande número de vírus que causam estrago no reino animal e não chegam a ser uma ameaça aos humanos. Porém, a Covid-19 deixou evidente para a sociedade que essas fronteiras biológicas podem cair por terra mais facilmente do que gostaríamos. Gerar pânico não é a solução, mas o monitoramento cuidadoso de zoonoses é algo muito necessário – e frequentemente negligenciado.
Atualmente, o mundo está em alerta quanto à gripe aviária. Mas, lado a lado com os galináceos, um outro grupo de animais largamente explorado pela indústria de alimentos também necessita atenção constante: os suínos. E um estudo brasileiro acaba de ganhar reconhecimento internacional por abordar o assunto.
A pesquisa detalha oito casos de infecção por vírus influenza variantes, transmitidos de suínos para seres humanos, no Paraná. Publicado no periódico Nature Communications, o estudo é encabeçado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen/PR) e Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, (Sesa/PR).
“Felizmente, essas oito linhagens não tiveram importância epidemiológica em humanos, mas isso pode acontecer no futuro, caso apareça uma variante que possa ser facilmente transmitida entre pessoas. O Brasil é um dos principais produtores de suínos no mundo, o que nos coloca em posição de relevância para esse monitoramento”, diz a virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC – em um comunicado da Fiocruz.
Em 2009, os porcos ganharam destaque quanto ao potencial de infecção gripal. Isso porque o vírus influenza A H1N1 foi transmitido inicialmente de suínos para seres humanos. Mesmo assim, o novo estudo aponta que uma ampliação do monitoramento se faz necessária.
“Nós temos um sistema robusto de vigilância da influenza humana, mas precisamos aumentar a quantidade de unidades sentinela para coleta de amostras em áreas com produção de suínos. Também precisamos ampliar e melhorar a vigilância nos animais”, frisa Marilda.
Por Redação Galileu
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Suinicultura
China avança em acordo para ampliar carne suína brasileira

China libera frigoríficos e avança em acordo da carne suína – Gerada por IA
O Governo brasileiro avançou nas negociações com a China para ampliar as exportações de carne suína e retomar parte do mercado da carne bovina. Durante reunião realizada em Pequim, nessa terça-feira (19.05), representantes do Ministério da Agricultura e da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) confirmaram avanços técnicos em um protocolo sanitário que poderá abrir espaço para novos embarques de carne suína brasileira, incluindo miúdos.
O encontro reuniu o ministro da Agricultura, André de Paula, e a ministra chinesa Sun Meijun. A reunião também tratou da retomada de três frigoríficos brasileiros de carne bovina que estavam suspensos pelo mercado chinês.
Segundo o Ministério da Agricultura, o protocolo revisado para a carne suína já teve os termos técnicos alinhados entre os dois países e deve ser formalizado posteriormente. Após essa etapa, empresas brasileiras poderão iniciar os procedimentos para habilitação das exportações.
Além da ampliação do mercado para a proteína suína, Brasil e China discutiram medidas para acelerar processos sanitários e implementar, a partir do próximo mês, a certificação eletrônica para produtos cárneos exportados ao país asiático.
A China segue como principal destino do agronegócio brasileiro. Conforme dados apresentados durante a reunião, o país asiático importou cerca de US$ 51,4 bilhões em produtos agrícolas do Brasil em 2025, volume que representa aproximadamente metade do comércio bilateral entre os dois países.
Durante o encontro, o ministro André de Paula afirmou que o Brasil busca manter a posição de fornecedor estratégico de alimentos para o mercado chinês. Já a ministra Sun Meijun destacou que, apesar da forte produção agrícola da China, o país continuará aberto à importação de produtos estrangeiros considerados estratégicos e de qualidade.
O diálogo também incluiu acordos sanitários ligados à exportação de carne de aves, farelo de amendoim e derivados do etanol de milho, além de cooperação em agricultura familiar e mecanização agrícola.
Redação/VGNAgro
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Suinicultura
Fertilizante feito com dejetos de porco pode reduzir dependência de fósforo

Imagem: reprodução/pensaragro
Uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) começa a se consolidar como alternativa para reduzir a dependência do Brasil de fertilizantes fosfatados importados. Trata-se da estruvita, um insumo obtido a partir de resíduos da suinocultura que, em testes conduzidos pela Embrapa, foi capaz de suprir até 50% da demanda de fósforo na cultura da soja sem perda relevante de produtividade.
Nos experimentos, a produção alcançou 3.500 quilos por hectare, resultado próximo da média nacional de 3.560 quilos por hectare registrada em 2025 com adubação convencional. O desempenho indica que o produto pode ser incorporado ao manejo como complemento ao fósforo solúvel, especialmente em sistemas que buscam maior eficiência no uso de nutrientes e redução de custos.
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A estruvita é formada pela precipitação química de nutrientes presentes em dejetos animais, gerando cristais de fosfato de magnésio e amônio. O processo transforma um passivo ambiental — comum em regiões de produção intensiva de suínos — em insumo agrícola, com potencial de reaproveitamento dentro da própria cadeia produtiva.
Do ponto de vista agronômico, o diferencial está na liberação gradual do fósforo. Em solos tropicais, onde o nutriente tende a ser rapidamente fixado e perder disponibilidade, essa característica melhora o aproveitamento pelas plantas. A reação alcalina do material também contribui para maior eficiência no solo, em contraste com fertilizantes convencionais, predominantemente ácidos.
Os estudos também avançam no desenvolvimento de formulações organominerais. Em avaliações iniciais, essas combinações apresentaram maior difusão de fósforo no solo em comparação com a estruvita granulada, ampliando o potencial de uso em diferentes sistemas produtivos.
Além do desempenho agronômico, a tecnologia traz implicações econômicas e ambientais. Ao reduzir a dependência de insumos importados, que ainda representam cerca de 75% do consumo nacional de fertilizantes, a estruvita se insere como alternativa estratégica em um dos principais componentes de custo da produção agrícola.
Outro impacto relevante está na gestão de dejetos da suinocultura. A recuperação de nutrientes permite reduzir a carga de fósforo e nitrogênio aplicada ao solo, diminuindo o risco de contaminação ambiental e abrindo espaço para maior intensificação da produção nas granjas.
Apesar do avanço internacional, com unidades de produção em operação em países como China, Estados Unidos e Alemanha, o uso da estruvita ainda é incipiente no Brasil. A principal lacuna está no conhecimento sobre o comportamento do insumo em condições tropicais, marcadas por solos ácidos e alta presença de óxidos de ferro e alumínio, que influenciam a dinâmica do fósforo.
A pesquisa conduzida pela Embrapa, com participação de universidades e centros de pesquisa nacionais, busca justamente adaptar a tecnologia à realidade brasileira e viabilizar sua adoção em escala.
O avanço ocorre em linha com o Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê a ampliação da produção interna e o desenvolvimento de fontes alternativas mais eficientes. Se confirmados os resultados em escala comercial, a estruvita tende a se consolidar como uma solução nacional para um dos principais gargalos estruturais da agricultura brasileira.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Suinicultura
Prorrogação de incentivo fiscal garante competitividade à suinocultura de Mato Grosso

Granja de suínos em Campo Verde MT
Medida estende benefício do ICMS até dezembro de 2026 e atende pedido urgente da Acrismat. Queda no preço do suíno vivo, que saiu de R$ 8,00 para R$ 6,20 no ano, pressionava produtores.
A [Suinocultura em Mato Grosso] ganhou um aliado importante para atravessar a tempestade econômica do primeiro semestre de 2026. O Governo do Estado oficializou a prorrogação do crédito presumido de ICMS via Proder (Programa de Desenvolvimento Rural) até o dia 31 de dezembro de 2026. O incentivo, que venceria agora no final de abril, mantém a redução de carga tributária em 75% para operações interestaduais com animais vivos.
A decisão do Conselho Deliberativo (Condeprodemat) não veio por acaso. O setor enfrenta um início de ano desafiador, com as margens de lucro sendo “esmagadas” pela desvalorização do animal:
- Janeiro/2026: R$ 8,00 por quilo do suíno vivo.
- Abril/2026: R$ 6,20 por quilo do suíno vivo.
- Impacto: Uma desvalorização de 22,5% em apenas 90 dias, o que colocava em risco a permanência de muitos produtores na atividade.
O QUE MUDA COM A PRORROGAÇÃO?

Na prática, o benefício fiscal funciona como um mecanismo de defesa para o produtor mato-grossense conseguir vender para outros estados sem ser “engolido” pelos custos:
- Competitividade: Reduz o custo da exportação interestadual de suínos destinados ao abate, engorda e reprodução.
- Previsibilidade: O produtor pode planejar seus investimentos sabendo que a carga tributária não subirá bruscamente em maio.
- União Setorial: A medida foi fruto de uma articulação pesada entre Acrismat, Famato, Imea e Sedec, reforçando a importância do setor para o PIB estadual.
O IMPACTO EM LUCAS DO RIO VERDE E REGIÃO
Para cidades como Lucas do Rio Verde, que formam o coração da produção de proteína animal no estado, a manutenção do incentivo é vital. A suinocultura local está integrada a uma cadeia que movimenta fábricas de ração, transporte e frigoríficos.
“Esse incentivo é fundamental para a manutenção de produtores na atividade”, afirma Frederico Tannure Filho, presidente da Acrismat.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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