Agronegócio
Previsão de recorde na safra de soja é mantida

Foto: aleksandarlittlewolf /Freepik
Com a colheita de uma safra recorde de soja em estágio avançado no Brasil, a expectativa se mantém de que os volumes exportados sejam recordes com folga em 2025, mas as receitas geradas com os principais produtos terão uma mínima em quatro anos, por conta de preços mais baixos, estimou nesta quarta-feira a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
A Abiove, que representa tradings e indústrias, revisou nesta quarta-feira sua previsão da receitas com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) para US$51,57 bilhões de dólares, queda de 3% em relação à projeção do mês anterior e redução de mais de US$2 bilhões ante 2024.
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O montante será o menor volume desde o registrado em 2021 (US$48 bilhões), com as cotações globais pressionadas por grandes safras no Brasil e outras nações, o que trazem expectativa de estoques finais globais em volumes recordes em 2024/25, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Além disso, a guerra comercial EUA-China é recorrente fator de pressão para a bolsa referencial de Chicago, já que limita a demanda pelo oleaginosa norte-americana.
As exportações de soja do Brasil em 2025, segundo a Abiove, deverão atingir recorde de 106,1 milhões de toneladas, estáveis na comparação com a previsão do mês passado, mas uma alta de mais de 7% ante 2024, superando a máxima histórica vista em 2023 (101,86 milhões de toneladas).
O país é o maior produtor e exportador global de soja, que nos últimos anos foi o principal produto da exportação do Brasil, com exceção de 2024, quando o petróleo tomou o posto da oleaginosa em grão na liderança das receitas exportadores do país.
No ano passado, a queda nos volumes embarcados, após a quebra de safra, além dos preços menores, colaboraram para as receitas com as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) caírem cerca de 25% ante 2023, segundo dados da Abiove.
Para 2025, a Abiove também projeta um processamento recorde de soja do Brasil, estimado em 57,5 milhões de toneladas, o que deverá gerar mais produção de farelo e óleo, contra 55,8 milhões de toneladas em 2024.
Safra da soja maior
O crescimento das exportações e do processamento de soja do Brasil deverá ser possível com uma safra histórica de 170,9 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de 16,5 milhões de toneladas na comparação com o ciclo anterior, principalmente com a recuperação das produtividades na maioria das regiões após uma colheita frustrada pelo clima no ano passado.
A Abiove reduziu em 0,5% sua previsão de safra de soja do Brasil em 2025 em sua revisão mensal. 6022de farelo de soja.
Apesar de uma reavaliação no processamento de soja em 2024, ainda sobrou mais soja do que o previsto, o que resultou em aumento de 1 milhão de toneladas nos estoques iniciais do grão em 2025, para 4,14 milhões de toneladas.
Os estoques finais de 2025 também foram ampliados em 1,6% ante o levantamento do mês passado, para 9,1 milhões de toneladas, após a Abiove manter as estimativas de exportação e processamento de soja do Brasil em patamares recordes.
Fator biodiesel
As estimativas de produção, o consumo interno e a exportação de farelo de soja também não foram alteradas em relação ao mês passado.
Mas a Abiove elevou a previsão de exportação de óleo de soja em 27,3% em relação à estimativa de fevereiro, para 1,4 milhão de toneladas, após o governo brasileiro decidir pela manutenção da mistura de biodiesel no diesel em 14%.
A expectativa era de um aumento na mistura para 15% a partir de março, algo que não aconteceu com o governo citando preocupações inflacionárias relativas aos preços dos alimentos –o óleo de soja é a principal matéria-prima do biodiesel, respondendo por cerca de 74% do total em 2024.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse ao fazer o anúncio em fevereiro que a mistura será mantida em 14% até o governo ver resultados nos preços dos alimentos, tema que tem afetado a popularidade do presidente Lula.
Se elevou a previsão de exportação, a Abiove cortou em 3,8% a estimativa de consumo de óleo de soja no Brasil em 2025, para 10,1 milhões de toneladas.
Em 2024, segundo dados da agência reguladora ANP, mais de 7 bilhões de litros de óleo de soja foram destinados à produção de biodiesel.
Com Forbes/Agro
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Preços da carne bovina se sustentam na primeira quinzena de janeiro, aponta Cepea

Reprodução
Na contramão do comportamento típico do mercado neste período do ano, os preços da carne bovina têm se mantido firmes na primeira quinzena de janeiro, conforme apontam levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O suporte às cotações, segundo o Centro de Pesquisas, vem principalmente da demanda ainda aquecida, mesmo diante das despesas extras comuns ao início do ano.
Tradicionalmente, janeiro é marcado pela substituição de cortes bovinos de maior valor por opções mais acessíveis, como os do dianteiro, além do aumento do consumo de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango. Neste ano, porém, esse movimento tem ocorrido de forma mais moderada, permitindo a sustentação dos preços da carne bovina no atacado.
Agora, a atenção dos agentes do setor se volta para a segunda metade do mês. O início do pagamento de tributos pode atuar como fator de contenção do consumo, especialmente dos cortes com maior valor agregado, o que tende a limitar novas altas nos preços da carne.
No mercado do boi gordo, as cotações permanecem praticamente estáveis, refletindo um cenário de oferta restrita e demanda equilibrada. O Cepea destaca que, desde novembro de 2022, o valor de 15 quilos de carcaça casada com osso no atacado da Grande São Paulo supera o preço da arroba do boi gordo paga ao pecuarista paulista, conforme o Indicador CEPEA/ESALQ, considerando valores deflacionados pelo IGP-DI.
Na parcial de janeiro, essa diferença chega a R$ 25,64 por arroba, evidenciando a vantagem relativa da carne no atacado em relação ao animal destinado ao abate. O comportamento reforça a leitura de um mercado ajustado, no qual a cadeia mantém margens sustentadas, mesmo diante das incertezas típicas do início do ano, como acompanha o CenarioMT.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Safra de 2025 é recorde e previsão para 2026 é 1,8% menor

Foto: Jaelson Lucas/AEN-PR
A safra de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) de 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas, um recorde na série histórica iniciada em 1975. A produção nacional de soja (166,1 milhões de toneladas), milho (141,7 milhões de toneladas), algodão (9,9 milhões de toneladas) e café do tipo canephora (1,3 milhão de toneladas) também foram recordes. É o que mostra o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado hoje (15) pelo IBGE, que também trouxe o terceiro prognóstico para a safra 2026: 339,8 milhões de toneladas, com uma redução estimada em 1,8% (ou menos 6,3 milhões de toneladas), frente a 2025.
A área colhida em 2025 foi estimada em 81,6 milhões de hectares, com aumento de 3,2% (ou 2,5 milhões de hectares) frente a 2024. Contribuíram para isso os acréscimos de 5,7% na área plantada do algodão, de 11,1% para o arroz, de 3,7% para a soja, de 4,3% para o milho e de 15,6% no sorgo. Em contrapartida, houve reduções de 7,2% na área do feijão e de 18,2% na do trigo.
Produção de grãos mais que duplicou em 13 anos
A safra de 2025 teve um aumento de 18,2% frente a produção de 2024. Na série histórica do IBGE, observa-se que esses 346,1 milhões de toneladas de grãos representam mais que o dobro da produção atingida em 2012 (162,0 milhões de toneladas). Ou seja: em 13 anos, a produção de grãos do país mais do que duplicou. No entanto, a área plantada não cresceu na mesma velocidade, variando apenas 66,8% nesse mesmo período: de 48,9 milhões de hectares em 2012 e para 81,6 milhões de hectares em 2025. Para Carlos Alfredo Guedes, gerente a Agricultura do IBGE Para Carlos Alfredo Guedes, gerente a Agricultura do IBGE, “os ganhos de produtividade das lavouras são frutos de anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Embrapa, que desenvolveu vaidades adaptadas aos diversos biomas brasileiros. Esses ganhos também se devem às decisões dos produtores rurais, de investirem cada vez mais em tecnologias avançadas, visando alcançar o máximo do potencial produtivo das plantas”.
Alfredo, observa, ainda, que o recorde de 2025 se deveu, principalmente, às performances da soja, do milho e do algodão, devido às condições climáticas bastante favoráveis, no ano.
Mato Grosso concentrou 32,0% da produção de grãos do país em 202
A região Centro-Oeste concentrou mais da metade (51,6%) da produção de grãos do país em 2025, com 178,7 milhões de toneladas. A região Sul veio a seguir, com 86,3 milhões de toneladas, ou 24,9% do total. A produção de grãos das demais regiões também foi significativa, mas ficou abaixo dos 10%: Sudeste, com 31,1 milhões de toneladas, ou 9,0%; Nordeste, com 27,7 milhões de toneladas ou 8,0% e Norte, com 22,3 milhões de toneladas, ou 6,5%.
Entre os estados, Mato Grosso foi o maior produtor nacional de grãos em 2025, com participação de 32,0%, seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, estes seis estados concentram praticamente 80% (79,7%) da safra de grão do país.
Em 2026, safra brasileira de grãos deve recuar 1,8% e chegar a 339,8 milhões de toneladas
Para 2026, o prognóstico do IBGE é que a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, tenha uma retração de 1,8%, chegando a 339,8 milhões de toneladas, ou 6,3 milhões de toneladas a menos do que a safra de 2025. O gerente de Agricultura do IBGE observa que essa retração está ligada, principalmente, às culturas do milho, do sorgo e do arroz. “Como safra de 2025 foi muito boa para esses produtos, partimos de um patamar elevado de comparação, algumas dessas culturas ainda serão implantadas na segunda safra, então dependemos da janela de plantio e das condições climáticas para termos estimativas mais apuradas. Além disso, as margens de lucro estão reduzidas, devido aos preços baixos, o que tem desestimulado os produtores a aumentar a área e os investimento nas lavouras”.
Em seu prognóstico de dezembro para a safra 2026, o IBGE espera aumentos de produção no Paraná (1,5%), no Rio Grande do Sul (25,2%), no Piauí (16,9%)) e em Rondônia (0,5%). Por outro lado, são esperados declínios no Mato Grosso (-7,9%), em Goiás (-8,0%), no Mato Grosso do Sul (-6,8%), em Minas Gerais (-1,7%), na Bahia (-4,7%), em São Paulo (-4,8%), no Tocantins (-2,9%), no Maranhão (-0,7%), no Pará (-8,6%), em Santa Catarina (-1,6%) e em Sergipe (-7,4%).
Em 2026, o LSPA do IBGE vai incluir a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Cotações Agropecuárias: Acordo UE-Mercosul abre oportunidade para o BR

Imagem: Faep
Após mais de 25 anos de negociação, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul está próximo de ser oficializado e representa um avanço para a suinocultura brasileira, embora o impacto direto sobre os embarques nacionais deva ser limitado, aponta o Cepea.
Isso porque, segundo o Centro de Pesquisas, a cota prevista ao bloco europeu é pequena frente ao volume exportado pelo Brasil.
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Caso aprovado, o acordo estabelece cota inédita de 25 mil toneladas/ano de carne suína (in natura ou industrializada) com tarifa reduzida de € 83/t.
Acima desse volume, seguem válidas as tarifas padrão do regime europeu, que podem alcançar patamares elevados e inviabilizar embarques de produtos como presuntos e cortes defumados ou secos.
De modo geral, pesquisadores do Cepea avaliam que a UE não deve se tornar um grande destino imediato da carne suína brasileira, mas pode reforçar a estratégia nacional de “capilaridade” das exportações.
Na contramão do cenário típico, os preços da carne bovina têm se sustentado nesta 1ª quinzena de janeiro, apontam levantamentos do Cepea.
Segundo o Centro de Pesquisas, o suporte vem sobretudo da demanda firme, mesmo com as despesas extras do primeiro mês do ano – normalmente, consumidores substituem cortes mais nobres por opções mais acessíveis, como os do dianteiro e as carnes suína e de frango.
Agora, agentes se voltam à segunda metade de janeiro – o início dos pagamentos de tributos pode frear o cenário de alta da carne com maior valor agregado.
No mercado de boi gordo, os preços estão praticamente inalterados, refletindo o quadro de oferta limitada e demanda estável.
Desde novembro de 2022, 15 quilos de carcaça casada com osso no atacado da Grande SP valem mais do que a arroba de boi paga ao pecuarista paulista (Indicador CEPEA/ESALQ) – valores deflacionados pelo IGP-DI.
Na parcial de janeiro, a vantagem da carne sobre o animal para abate é de 25,64 Reais/arroba.
(Com Cepea)
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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