Agricultura
Bioestimulantes ganham espaço nos pomares e ajudam frutas a resistirem ao estresse climático

Divulgação
Estresse climático desafia produção de frutas no Brasil
A fruticultura brasileira enfrenta desafios crescentes diante das oscilações climáticas e das mudanças nas condições ambientais. Culturas como citros, uva, maçã e manga estão entre as mais sensíveis aos chamados estresses abióticos, provocados por fatores como escassez hídrica, altas temperaturas e salinidade do solo.
Essas condições afetam diretamente o desenvolvimento das plantas, comprometendo tanto a produtividade quanto a qualidade final dos frutos. Diante desse cenário, produtores vêm ampliando o uso de tecnologias naturais voltadas à proteção fisiológica dos pomares, com destaque para os bioestimulantes agrícolas.
Extratos de algas fortalecem resistência das plantas
Entre as soluções mais utilizadas no manejo de estresse vegetal estão os extratos da alga Ascophyllum nodosum, reconhecida por sua elevada capacidade de adaptação a ambientes extremos.
A espécie é encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, especialmente nas regiões costeiras do Canadá, Irlanda e Noruega, onde enfrenta condições severas de salinidade, variações de maré e oscilações intensas de temperatura.
Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond no Brasil e Paraguai, essas características naturais da alga são transferidas às plantas por meio dos extratos utilizados no campo.
“As condições extremas favoreceram o desenvolvimento de mecanismos naturais de resistência. Quando aplicados nas culturas agrícolas, esses compostos ajudam a aumentar a tolerância das plantas aos diferentes tipos de estresse”, explica.
Plantas mantêm desenvolvimento mesmo sob pressão ambiental
Pesquisas e aplicações práticas no campo mostram que os bioestimulantes atuam fortalecendo processos fisiológicos internos das plantas.
Em períodos de seca, calor intenso ou outras condições adversas, culturas tratadas tendem a apresentar maior estabilidade no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, reduzindo perdas produtivas.
De acordo com especialistas, esse suporte fisiológico é decisivo para preservar etapas fundamentais do ciclo produtivo, como formação, enchimento e qualidade dos frutos.
Qualidade da fruta se torna fator estratégico
Na fruticultura, manter o equilíbrio entre produtividade e qualidade é essencial para atender tanto o mercado interno quanto as exigências da exportação.
Segundo Bruno Carloto, compreender a resposta das plantas ao ambiente se tornou um diferencial estratégico para o manejo moderno dos pomares.
“Quando ajudamos a planta a lidar melhor com o estresse, ela mantém o desenvolvimento e isso se reflete diretamente na produtividade e na qualidade dos frutos”, destaca.
Bioestimulantes avançam no manejo sustentável dos pomares
O avanço dos bioestimulantes acompanha a busca do setor por soluções mais sustentáveis e eficientes diante das mudanças climáticas.
Com maior resiliência das plantas, produtores conseguem reduzir impactos ambientais sobre a produção e ampliar a segurança produtiva em culturas altamente dependentes de condições climáticas equilibradas.
A tendência é de crescimento no uso dessas tecnologias nos próximos anos, especialmente em regiões sujeitas a extremos climáticos e maior pressão sobre os recursos hídricos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
SLC Agrícola bate recorde de produtividade da soja na safra 2025/26 e amplia área cultivada no Brasil

Foto: SLC Agrícola
A SLC Agrícola iniciou a safra 2025/26 com resultados operacionais históricos e projeções positivas para o desempenho das lavouras. A companhia, considerada uma das maiores produtoras de commodities agrícolas do país, estima cultivar 830,3 mil hectares no ciclo atual, crescimento de 12,8% em relação à safra anterior.
A soja segue como a principal cultura da empresa, ocupando 424,6 mil hectares — equivalente a 51,1% da área total plantada. A produtividade média projetada é de 4.146 kg por hectare, avanço de 4,7% frente à temporada passada.
O destaque operacional ficou para seis fazendas da companhia que registraram produtividade superior a 4.800 kg/ha na colheita da safra 2025/26, reforçando o elevado nível tecnológico e a eficiência produtiva das operações da empresa.
Crescimento operacional fortalece estratégia da companhia
O avanço da área cultivada ocorre em um momento de maior busca por eficiência operacional, previsibilidade produtiva e ampliação de margens no agronegócio brasileiro.
Segundo a companhia, o desempenho das lavouras vem sendo sustentado por investimentos em tecnologia agrícola, agricultura digital, manejo regenerativo e ampliação da irrigação em regiões estratégicas.
Durante o primeiro trimestre de 2026, a empresa iniciou a segunda fase do projeto de irrigação na Fazenda Piratini, localizada em Jaborandi (BA), com obras de reservatórios e canais de irrigação.
Atualmente, a SLC Agrícola possui 19 mil hectares irrigados e projeta alcançar 53 mil hectares nos próximos anos, movimento que deve ampliar a estabilidade produtiva e reduzir riscos climáticos nas operações.
Resultado financeiro reflete sazonalidade e pressão sobre margens
No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 2,3 bilhões, retração de 2,7% na comparação anual. Segundo a empresa, o resultado foi impactado pelo menor volume faturado de algodão, soja e caroço de algodão no período.
O lucro líquido ficou em R$ 236,1 milhões, pressionado pela redução do lucro bruto e pelo aumento das despesas operacionais.
Já o EBITDA ajustado alcançou R$ 695,2 milhões, com margem de 30,7%, representando queda de 26,3% frente ao mesmo período do ano anterior.
Apesar da compressão momentânea das margens, a empresa avalia que o desempenho tende a melhorar ao longo dos próximos trimestres, impulsionado pelo faturamento das áreas com maior produtividade.
Para o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Ivo Brum, o trimestre refletiu fatores pontuais, mas a perspectiva segue positiva para o restante da safra.
“O desempenho operacional das lavouras, a recuperação recente dos preços das commodities, a previsibilidade no fornecimento de insumos e a disciplina financeira sustentam uma visão positiva para os próximos períodos”, destacou o executivo.
Gestão financeira e compra antecipada de insumos reforçam planejamento
A companhia também avançou na gestão do endividamento. O spread médio da dívida caiu de CDI +0,81% no primeiro trimestre de 2025 para CDI +0,25% no mesmo período de 2026.
Além disso, a participação das dívidas de longo prazo aumentou de 78% para 81%, fortalecendo a estrutura de capital da empresa.
No trimestre, a empresa concluiu os pagamentos finais referentes à aquisição das terras da Fazenda Paladino, no valor de R$ 361,5 milhões, além da compra de uma fazenda em Unaí (MG), por R$ 95 milhões.
a preparação para a safra 2026/27, a empresa já adquiriu 100% dos fertilizantes fosfatados e 85% do cloreto de potássio previstos no planejamento agrícola. Os defensivos agrícolas também avançaram, com 74,3% do volume necessário já contratado.
Agenda ESG ganha destaque internacional
A estratégia ambiental da SLC Agrícola também ganhou reconhecimento em 2026. A companhia passou a integrar a “A List” do CDP nos temas Florestas e Água, além de receber destaque no CDP Awards Latin America 2026.
A empresa mantém iniciativas voltadas à agricultura regenerativa, incluindo semeadura direta, integração lavoura-pecuária, uso de energia renovável, agricultura digital de baixo carbono e projetos de reflorestamento com vegetação nativa.
Outro destaque foi o resultado ambiental de quatro fazendas da companhia na safra 2024/25, que registraram balanço de carbono negativo, removendo mais carbono da atmosfera do que emitiram.
A companhia também permanece, pelo quarto ano consecutivo, no Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3, reforçando sua posição entre as empresas com melhores práticas de governança e sustentabilidade do mercado brasileiro.
Além disso, as fazendas Pantanal e Planalto receberam certificação da FairFood em bem-estar animal no sistema de confinamento.
Perspectiva para a safra segue positiva
Com expansão da área cultivada, recorde de produtividade na soja e fortalecimento da estratégia operacional, a SLC Agrícola mantém perspectiva positiva para a safra 2025/26.
O cenário de recuperação nos preços internacionais das commodities, aliado ao avanço da irrigação e ao planejamento antecipado de insumos, deve sustentar a competitividade da companhia nos próximos ciclos agrícolas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Novas cultivares de trigo miram produtividade e resistência

Foto: Canva
A Embrapa lançou nesta quarta-feira (20), durante a AgroBrasília 2026, duas novas cultivares de trigo desenvolvidas para cultivo em ambiente tropical. As variedades BRS Savana e BRS Cracker foram criadas para atender diferentes demandas da triticultura no Cerrado, com foco em produtividade, adaptação climática e qualidade industrial.
Segundo a Embrapa, a cultivar BRS Savana foi desenvolvida para sistemas de sequeiro e apresenta resistência elevada à brusone, considerada uma das principais doenças do trigo no Brasil Central. Já a BRS Cracker é a primeira cultivar de trigo tropical desenvolvida especificamente para atender à indústria de biscoitos.
As novas cultivares fazem parte de um trabalho de pesquisa conduzido há mais de 40 anos em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Embrapa Trigo. A expectativa é ampliar a área cultivada com trigo no Cerrado dos atuais 400 mil hectares para 1 milhão de hectares ao longo da próxima década.
O pesquisador da Embrapa Cerrados, Julio Albrecht, explicou que a BRS Cracker surgiu a partir da demanda do setor moageiro por uma farinha voltada à produção de biscoitos. “Historicamente, os programas de melhoramento da Embrapa priorizavam cultivares destinadas à panificação, normalmente com alta força de glúten. A partir da demanda apresentada pelo setor moageiro, passamos a buscar um material voltado a esse nicho de mercado”, afirmou.
Segundo o pesquisador, a nova cultivar foi selecionada a partir da BRS 264, uma das variedades mais utilizadas no Cerrado. “A nova cultivar mantém a forte base genética da BRS 264, mas apresenta menor força de glúten, característica ideal para a fabricação de biscoitos. Além disso, possui alto potencial produtivo, podendo alcançar entre oito e nove toneladas por hectare em sistema irrigado, além de boa resistência à brusone, principal doença que limita a expansão do trigo no Brasil Central”, destacou.
Já a BRS Savana foi desenvolvida considerando os efeitos das mudanças climáticas e a redução das chuvas no Cerrado. De acordo com Julio Albrecht, a cultivar reúne características voltadas à adaptação em ambientes mais secos e quentes. “A nova variedade apresenta tolerância ao calor e resistência à seca, características estratégicas para a sustentabilidade da produção de trigo em sequeiro na região”, afirmou.
Além da adaptação climática, a BRS Savana apresenta potencial produtivo estimado entre quatro e cinco toneladas por hectare em sistemas de sequeiro. “Esse lançamento busca oferecer maior segurança produtiva aos agricultores diante dos desafios climáticos enfrentados no Cerrado”, enfatizou o pesquisador.
Segundo Julio Albrecht, os programas de melhoramento genético continuarão avançando tanto para sistemas irrigados quanto para cultivo em sequeiro. Ele ressaltou que a parceria entre a Embrapa Cerrados e a Embrapa Trigo seguirá focada no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao fortalecimento da triticultura brasileira diante das mudanças climáticas e das demandas do mercado.
Agrolink – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Frente fria alivia calor em Mato Grosso, mas avanço do bicudo acende alerta nas lavouras de algodão

Bicudo do algodoeiro
A passagem de uma frente fria trouxe chuvas isoladas e reduziu as temperaturas noturnas em Mato Grosso, mas sem comprometer o ritmo das lavouras de algodão. Segundo o balanço referente ao período de 10 a 15 de maio, divulgado pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), o estado mantém uma perspectiva positiva de produtividade, impulsionada pela alta taxa de frutificação das plantas. Com boa parte das áreas na reta final do ciclo, o cenário segue favorável, embora a falta de umidade já comece a impactar os plantios mais tardios e as lavouras instaladas em solos arenosos.
A principal preocupação da semana esteve relacionada ao manejo fitossanitário. A pressão do bicudo-do-algodoeiro aumentou praticamente em todas as regiões produtoras, levando as fazendas a intensificarem as aplicações de defensivos agrícolas. A recomendação técnica é reforçar o combate à praga, com monitoramento mais rigoroso, ampliação do manejo químico e eliminação de plantas tigueras que possam servir de abrigo ao inseto. Pragas como a lagarta Spodoptera, ácaros e mosca-branca também foram registradas no monitoramento, enquanto doenças como mancha-alvo e ramulária permaneceram restritas a plantas mais suscetíveis ou áreas com microclima úmido.
Com o algodão atingindo o ponto ideal de maturação, o foco no campo começa a se voltar para a logística da safra. O movimento se intensifica em galpões e oficinas, onde são realizados os últimos ajustes em colhedoras, algodoeiras e estruturas de beneficiamento. A combinação entre manejo técnico eficiente e condições climáticas favoráveis até o momento traz confiança ao setor, que agora aguarda apenas a janela ideal para iniciar oficialmente a colheita no estado.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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