Meio Ambiente
Protocolo cria indicadores para medir agricultura regenerativa e reduzir emissões de carbono

Divulgação
Protocolo inédito reúne 124 indicadores para medir sustentabilidade na agricultura. Ferramenta pode orientar políticas públicas, certificações e pagamentos por serviços socioambientais. Agricultura regenerativa alia produção de alimentos, renda no campo e conservação ambiental. Modelo avalia seis dimensões: ambiental, socioeconômica, governança, agropecuária, biodiversidade e cultural. Brasil se alinha a métricas internacionais e abre espaço em mercados globais exigentes.
A crise climática global, marcada pela perda de biodiversidade, poluição e aumento das emissões de gases de efeito estufa, exige mudanças urgentes nos sistemas de produção. No Brasil, o setor agroalimentar — ainda fortemente baseado em insumos químicos externos, pouco adaptados aos ambientes locais e prejudiciais à vida do solo — aparece como um dos grandes desafios.
Como resposta, pesquisadores brasileiros e estrangeiros elaboraram o Padrão de Agricultura Regenerativa Sustentável (PARS), um protocolo que estabelece indicadores técnicos para orientar a transição da agricultura convencional para práticas regenerativas. O documento reúne 124 indicadores distribuídos em seis dimensões — ambiental, socioeconômica, governança, agropecuária, biodiversidade e cultural —, avaliados por um modelo multicritério que traduz dados complexos em parâmetros claros de sustentabilidade.
“Os indicadores do PARS funcionam como “termômetros” capazes de medir qualidade, quantidade e evolução de processos agrícolas no tempo e no espaço. Um bom indicador, segundo os pesquisadores, deve ser representativo, de fácil medição, preciso e acessível”, explica João Mangabeira, pesquisador da Embrapa Territorial.
No protocolo, a avaliação segue uma escala decimal de 0 a 10, que varia de “não conformidade” (0 a 2) até o nível “especialista” (8,1 a 10), quando os sistemas atingem alto grau de regeneração, com emissão líquida zero ou sequestro positivo de carbono.
Como muitos parâmetros ambientais, como estoques de carbono no solo e biodiversidade, são caros e complexos de medir diretamente, o PARS adota também os proxies — indicadores indiretos que funcionam como substitutos confiáveis e de baixo custo.
Entre as práticas avaliadas estão o intemperismo acelerado de rochas, que aplica pó de basalto ou silicatos ao solo para fixar carbono em bicarbonatos estáveis, e o biochar, biocarvão produzido a partir de resíduos agrícolas que pode reter até 50% do carbono da biomassa original por mais de mil anos.
“Estudos indicam que, no Brasil, a adoção de biochar poderia capturar entre 40 e 110 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, além de reduzir o uso de fertilizantes sintéticos e recuperar áreas degradadas”, destaca Lauro Pereira, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.
Para Lucas Lima, pesquisador da Unicamp, a substituição de químicos por biofertilizantes e biodefensivos pode cortar em até 50% o uso de fertilizantes sintéticos e em 70% a aplicação de defensivos químicos, diminuindo as emissões de óxido nitroso, gás de efeito estufa quase 300 vezes mais potente que o CO2.
Raimundo Maciel, professor da Universidade Federal do Acre (UFAC), explica que sistemas biodiversos como agroflorestais, silvipastoris e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) mostram forte capacidade de captura de carbono e aumento da matéria orgânica do solo. Pesquisas da Embrapa apontam que eucaliptos em sistemas integrados acumularam, em média, 65 toneladas de carbono por hectare em oito anos.
Governança, cultura e inclusão social
O protocolo também abrange dimensões sociais e culturais. Questões como equidade, transparência, rastreabilidade, certificações, participação comunitária e igualdade de gênero são avaliadas como parte essencial da sustentabilidade.
A dimensão cultural reconhece o valor das tradições agrícolas e do conhecimento transmitido entre gerações, entendendo que práticas enraizadas nos territórios fortalecem a identidade local e a permanência de jovens no campo.
Ferramenta para agricultores e políticas públicas
Com metodologia construída ao longo de três décadas de pesquisas, o PARS transforma indicadores qualitativos em índices quantitativos. Isso permite orientar tanto produtores rurais quanto empresas e governos, subsidiando políticas públicas, certificações e pagamentos por serviços socioambientais.
De fácil aplicação e baixo custo, o protocolo foi pensado para democratizar o acesso a ferramentas de avaliação. A expectativa dos especialistas é que ele se torne um instrumento prático para medir, valorizar e remunerar a agricultura regenerativa no Brasil, tornando a sustentabilidade um objetivo mensurável e tangível.
“Com metodologia construída ao longo de três décadas de pesquisas, o PARS transforma indicadores qualitativos em índices quantitativos. Isso permite orientar tanto produtores rurais quanto empresas e governos, subsidiando políticas públicas, certificações e pagamentos por serviços socioambientais”, afirma Ademar Romeiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp.
O trabalho foi publicado em Texto para Discussão. Unicamp. IE, Campinas, n. 483, julho 2025, de autoria de João Mangabeira, Lucas Lima, Raimundo Maciel, Unicamp, Fernando Nauffal Filho, Universidade Federal do Paraná, Ademar Romeiro, Unicamp, José Kassai, USP, Carolina Bueno, Unicamp, Caroline Oliveira, Universidade Federal do Paraná, Fabíola Colle, Advogada, Gisele Vilela, Sérgio Tôsto, Embrapa territorial, Mitali Maciel, Unicamp, Oleides Oliveira, Universidade de Santa Cruz do Sul, Oscar Sarcinelli, Unicamp, Lauro Pereira, Embrapa Meio Ambiente, Rômulo Valentim e Márcio de Aquino, da Universidade Federal do Acre
Cristina Tordin (MTB 28499/SP) – Embrapa Meio Ambiente
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Meio Ambiente
Redução das chuvas em abril eleva risco de perda para culturas de segunda safra

Imagem: Freepik
Com o início do outono, a preocupação nas áreas centrais do Brasil passa a ser o período final das chuvas da estação chuvosa. Essa mudança no regime de precipitação impacta diretamente as culturas agrícolas de segunda safra, como algodão, feijão e milho. Nesta safra, houve períodos chuvosos no momento da semeadura dessas culturas, impossibilitando ou atrasando a semeadura dentro da janela ideal, principalmente em áreas dos estados de Goiás e Minas Gerais.
Nesses estados, as culturas encontram-se entre as fases vegetativa e reprodutiva, período em que a demanda por água aumenta devido à formação de novas estruturas e ao aumento da transpiração, elevando a sensibilidade das plantas ao estresse hídrico. Até o momento, o desenvolvimento das culturas tem sido favorecido por chuvas frequentes e temperaturas próximas do normal. No entanto, a preocupação aumenta devido à previsão de redução das chuvas a partir da segunda quinzena de abril.
Previsão do tempo para o fim de semana de Tiradentes
A redução dos volumes de chuva nos próximos dias indica o avanço do período de transição da estação chuvosa para a estação seca.
No estado de Goiás, os maiores acumulados previstos concentram-se nas regiões leste e norte, com valores entre 30 e 70 mm. Já no sul goiano, as chuvas devem ocorrer de forma isolada e com baixos volumes, variando entre 7 e 20 mm. Nessa região, os acumulados tendem a permanecer abaixo da climatologia de abril, quando normalmente são registrados totais entre 80 e 100 mm.
Em Minas Gerais, prevê-se um padrão semelhante, com redução das chuvas em grande parte do estado, especialmente no centro-norte, onde os volumes previstos são inferiores a 10 mm (tons em azul na Figura 1). As chuvas devem ficar mais restritas às áreas do sul, noroeste e do Triângulo Mineiro, com acumulados entre 30 e 50 mm.
Essas condições são ilustradas na Figura 2, que apresenta o meteograma para o município de Paracatu (MG). O gráfico indica a ocorrência de chuvas pontuais e mal distribuídas ao longo dos próximos dias, associadas à manutenção de temperaturas elevadas e à redução da umidade relativa do ar, fatores que contribuem para a diminuição da umidade do solo e para o aumento do risco de estresse hídrico para as culturas.
Quanto às temperaturas, são previstas máximas entre 26 °C e 30 °C em Goiás, com destaque para áreas do noroeste goiano, onde os valores podem superar os 32 °C. Em Minas Gerais, as temperaturas tendem a permanecer elevadas na maior parte do estado até o final do mês, entre 26 °C e 34 °C, com destaque para o norte mineiro, onde podem ocorrer máximas acima de 34 °C.
Este cenário de baixos acumulados de chuva, associado a temperaturas do ar elevadas e à baixa umidade relativa, impõe restrições ao desenvolvimento das culturas de milho, feijão e algodão na região.
No milho, os impactos incluem a redução da área foliar, com prejuízos à polinização e, consequentemente, à formação de espigas e ao número de grãos.
Para o feijão, os efeitos variam conforme o estádio fenológico, podendo ocorrer desde o abortamento de flores até o baixo pegamento de vagens, resultando em queda de produtividade.
Já no algodão, a diminuição antecipada das chuvas tende a reduzir a emissão de ramos produtivos e de botões florais, o que implica menor número de maçãs por planta e redução do potencial produtivo.
Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo, a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.
Com INMET
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Meio Ambiente
Bioinsumos ampliam funções no sistema produtivo

A aplicação desses insumos pode ser organizada em três grandes frentes – Foto: Pixabay
O uso de bioinsumos tem avançado como uma das principais estratégias para tornar os sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis. Nesse contexto, ganha destaque a atuação de soluções que integram diferentes funções dentro do manejo produtivo, conforme análise de Fábio Paulino, CTO na AlgasBio.
A aplicação desses insumos pode ser organizada em três grandes frentes: promoção de crescimento, controle biológico e condicionamento do solo. No entanto, as algas marinhas se diferenciam por transitar entre todas essas categorias, funcionando como uma plataforma biotecnológica multifuncional dentro da agricultura moderna.
Como promotores de crescimento, os extratos de algas fornecem compostos bioativos capazes de regular processos fisiológicos das plantas, estimular o desenvolvimento radicular e ampliar a eficiência no uso de nutrientes. Esse efeito contribui diretamente para o melhor desempenho das culturas ao longo do ciclo produtivo.
No campo da defesa vegetal, esses extratos atuam como elicitores, ativando mecanismos naturais das plantas. Isso desencadeia respostas bioquímicas que aumentam a resistência a estresses bióticos, como pragas e patógenos, incluindo a ativação de vias de sinalização, produção de moléculas de defesa e síntese de proteínas relacionadas à proteção.
Embora não atuem diretamente como agentes de controle biológico, as algas fortalecem as plantas, tornando-as menos suscetíveis a ataques e mais resilientes. Já no solo, seus compostos contribuem para melhorar propriedades físicas, químicas e biológicas, favorecendo a microbiota e a saúde do sistema radicular.
Essa capacidade de conectar diferentes funções dentro do sistema produtivo reforça o papel das algas em uma agricultura que demanda soluções integradas e baseadas em processos biológicos. Mais do que bioestimulantes, elas representam uma tecnologia capaz de atuar simultaneamente na fisiologia das plantas, na defesa e no ambiente do solo, consolidando-se como uma das plataformas mais promissoras entre os bioinsumos.
AGROLINK – Leonardo Gottems
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Meio Ambiente
Fungos surgem como alternativa a inseticidas

Só neste ano, até 16 de abril, já foram realizados 118.478 procedimentos, sendo 59.329 exames, 46.869 consultas e 11.787 cirurgias – Crédito – Secom Barra do Garças
O programa Fila Zero na Cirurgia, lançado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) em abril de 2023, promoveu 667.133 procedimentos até esta quarta-feira (15.4), sendo 616.815 ambulatoriais e 50.318 hospitalares. Foram, ao todo, 357.730 exames, 205.045 consultas e 101.330 cirurgias no período.
Só neste ano, até 16 de abril, já foram realizados 118.478 procedimentos, sendo 59.329 exames, 46.869 consultas e 11.787 cirurgias.
O tempo de espera por procedimento diminuiu de 77 dias, antes do programa, para 44 dias, depois do Fila Zero, uma redução de 42%.
“Os resultados do programa mostram que estamos conseguindo dar mais celeridade às cirurgias eletivas em Mato Grosso. Isso é fundamental para que os pacientes aguardem o menor tempo possível. Este é um compromisso da atual gestão”, afirmou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo.
O programa Fila Zero na Cirurgia busca reduzir a espera por procedimentos eletivos em Mato Grosso por meio de parcerias com municípios, consórcios intermunicipais de saúde e instituições.
O Estado repassa os recursos previstos para os procedimentos contemplados pelo programa e, desta forma, os entes parceiros se beneficiam do incentivo para aprimorar outros serviços prestados à população.
Ao todo, 88 municípios já aderiram ao programa, que inclui unidades públicas de saúde, unidades privadas e filantrópicas e associações que participam através de consórcios.
O programa Fila Zero na Cirurgia contempla 465 procedimentos, considerando a média e alta complexidade eletiva. Até o momento, mais de R$ 319 milhões já foram repassados aos parceiros, sendo R$ 175 milhões para produção ambulatorial e R$ 144 milhões para atendimentos hospitalares.
Outros programas de cirurgias
A Secretaria já criou outros dois programas para diminuir o tempo de espera da população por uma cirurgia. No antigo programa MT Mais Cirurgias Eletivas, de julho de 2021 a março de 2023, foram realizados 11.322 procedimentos.
Além disso, o programa de Cirurgias Eletivas executado nos Hospitais Regionais do Estado registrou, de 2023 até 2026, 11.897 procedimentos.
AGROLINK – Leonardo Gottems
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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