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São Paulo registra queda na produção de trigo na safra 2021



A crise dos insumos, que abrange defensivos, fertilizantes e máquinas e equipamentos, tem chamado a atenção dos produtores rurais de todo o país durante este ano. No caso da cana-de-açúcar, a safra 2021/22 não teve grandes impactos com esse cenário, mas já há atenção para a nova temporada, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

"Não houve ruptura em fornecimento (durante a safra atual)... Nessa que vem (safra 2022/23), a gente também não vê nada nesse sentido, mas um preço maior, um fluxo mais lento. Não há quebra de fornecimento", disse ao Notícias Agrícolas Sergio De Zen, diretor de política agrícola e informações da Conab, com base na pesquisa que a autarquia faz com os produtores.

A entidade cortou na terça-feira (23) suas estimativas para a safra 2021/22 de cana-de-açúcar em seu terceiro levantamento ressaltando impactado do clima adverso.

Acompanhando questões externas que afetaram a produção mundial de insumos, já que o Brasil é dependente de outros países, principalmente com os defensivos, que são usados para o controle de pragas, e os fertilizantes para nutrir os solos e as plantas, a situação tem chamado a atenção não só dos produtores de cana-de-açúcar, mas de diversas outras culturas.

Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o Brasil consumiu 40 milhões de toneladas de fertilizantes somente no ano 2020. O valor representa crescimento de 12% em relação a 2019. O país é o quarto maior consumidor de fertilizantes no mundo, o que equivale a 9% desse mercado em todo o mundo.

Os temores com a falta desses produtos, inclusive, tem movido ações por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Fertilizante foliar cana-de-açúcar - Foto Agrotechnica Soluções Agrícolas Divulgação
Rússia representa cerca de 20% do total de fertilizantes importados pelo Brasil - Foto: Agrotechnica Soluções Agrícolas/Divulgação

"A ministra esteve na Rússia, um dos países do Leste Europeu, justamente cuidando para que esse fluxo, principalmente o de fertilizantes, não seja quebrado em decorrência de um aumento global da demanda", pontuou De Zen em entrevista. A comitiva de Tereza Cristina esteve no país no início da segunda quinzena deste mês.

De acordo com a ministra Tereza Cristina, tanto o governo russo quanto as empresas de fertilizantes que participaram de reuniões, garantiram que o Brasil não terá problemas com a entrega de fertilizantes, tanto de potássio quanto dos fosfatos e, se possível, ainda poderá haver um aumento de exportações ao Brasil para a próxima safra.

A Rússia representa cerca de 20% do total de fertilizantes importados pelo Brasil. Recentemente, o governo russo anunciou restrições às exportações de fertilizantes nitrogenados por meio de cotas de exportação pelo período de seis meses a partir de 1º de dezembro com o objetivo de evitar escassez no mercado interno.

Em evento na terça-feira, a ministra voltou a falar sobre a atenção da pasta para o abastecimento de fertilizantes para atender ao final do plantio da atual safra 2021/2022 e da safrinha e para regularizar a importação do insumo para o próximo ano. A ministra também deve visitar ainda neste ano o Canadá para tratar do assunto.

"Sabemos que vivemos hoje uma situação complicada pós-pandemia, gerando uma expectativa não muito boa sobre o setor e com problemas no mundo todo com falta de energia. Isso trouxe insegurança para a agricultura brasileira, já que somos muito dependentes de fertilizantes. Havia uma preocupação e incerteza no mercado, então fizemos uma avaliação conjunta com o mercado e fui à Rússia", disse a ministra no 8º Congresso Brasileiro de Fertilizantes.

Ainda durante o evento, Tereza Cristina anunciou que criará um grupo na Câmara Temática de Insumos Agropecuários para acompanhar a questão dos insumos para a safra brasileira. O governo ainda desenvolve o Plano Nacional de Fertilizantes, que reunirá estratégias para reduzir a dependência externa em longo prazo, bem como de curto prazo para mitigar efeitos eventuais e momentâneos choques de oferta.

 

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