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Estação de pesquisa dobra capacidade para receber suínos



Estação Quarentenária de Cananéia trabalha para proteger o plantel nacional

Foram entregues, nesta quinta-feira (4), duas novas unidades de quarentena de suínos em Cananéia (SP), e que vão dobrar a capacidade de recepção de animais que chegam ao Brasil. Até então, a Estação Quarentenária de Cananéia (EQC) conseguia monitorar 11 lotes de suínos por ano e, a partir de agora, poderá receber 22 lotes no mesmo período. As duas unidades que já existiam tinham capacidade para 500 animais cada uma. Com a expansão, cada uma das novas unidades pode receber 400 suínos.

 A EQC é vinculada ao Departamento de Saúde Animal, da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Cabe a essa secretaria a prevenção e o combate de doenças de animais que possam ameaçar a preservação do patrimônio pecuário nacional.

“Todo o desenvolvimento e o crescimento da suinocultura brasileira acaba passando por aqui. Estamos falando da garantia de poder continuar avançando na questão da genética com a proteção necessária para a sanidade”, disse o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal.

A ampliação foi viabilizada por meio de uma parceria público-privada. O acordo de cooperação técnica que permitiu as obras foi celebrado em 2020, com o objetivo de manter a suinocultura brasileira geneticamente atualizada e, ao mesmo tempo, preservar o alto status sanitário do rebanho nacional.

Investimentos na faixa de R$ 10 milhões foram realizados pela Abegs (Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos) e ABCS (Associação Brasileira de Criadores de Suínos). Além da expansão, o aporte permitiu executar obras de melhoria da estação de tratamento de efluentes, da rede de abastecimento de água e do processo de compostagem e destinação de carcaça.

Os suínos, provenientes dos Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, França e Noruega, passam pelo menos 30 dias na quarentena. “Se detectamos algum problema no lote, a presença de algum agente de doença infectocontagiosa que o Brasil controla ou que nunca tenha registrado, a gente detém esse lote para investigação. Confirmado o risco, o lote é sacrificado. Com isso, evitamos que animais doentes ingressem no território nacional e protegemos o plantel brasileiro”, explica o chefe da EQC, Mateus Carvalho Silva Araújo.  

Os animais chegam no aeroporto de Viracopos e, de Campinas, seguem em caminhões até Cananéia. Desde que a primeira unidade de quarentena de suínos importados começou a operar, em 2014, apenas um lote apresentou problemas. Foi em 2020, quando animais observados apresentaram síndrome respiratória e reprodutiva e o ingresso no país foi impedido. Já os suínos saudáveis são destinados a quase todas as regiões brasileiras.

A EQC não recebe apenas suínos destinados à reprodução. No local há também uma unidade de aves ornamentais com finalidade comercial ou de reprodução. Elas permanecem 21 dias em quarentena e são testadas para influenza aviária e doença de Newcastle, duas patologias causadas por vírus. Só depois de comprovada a sanidade, as aves são liberadas para os criadores que as importaram.

História

Nem sempre a estação quarentenária teve esse foco na importação. Quando foi concebida, em 1971, a ideia era realizar a quarentena de exportação. Segundo Mateus, o Brasil previa, na época, exportar grande volume de bovinos vivos, especialmente para a América Latina. A dificuldade de se tornar área de livre de aftosa, no entanto, inviabilizou esses planos.

O chefe da EQC conta que, mesmo assim, a estação serviu para atividades de pesquisa e para o desenvolvimento de produtos até hoje considerados relevantes para a agropecuária. Na década de 1990, o espaço passou por um período de declínio. “Mas em 2006 houve uma reestruturação e a EQC passou a ser usada para quarentena de importações, para treinamentos e para pesquisas na área de Defesa Sanitária Animal,” afirmou.

A seleção das espécies animais que vão passar pela estação depende do tipo de mercadoria a ser importada, da situação sanitária do país de origem em relação aos perigos identificados, do destino e da finalidade do objeto da importação e das medidas gerais e específicas de gestão do risco, adotadas ainda no país de origem e após a sua chegada ao país. Nos últimos anos, já passaram por quarentena na EQC avestruzes, embriões de bovinos e alpacas. “Hoje estamos com um fluxo de suínos que nunca tivemos. Isso mostra a importância econômica desses animais para o Brasil”, disse Mateus.

Atuam na EQC 42 trabalhadores, sendo seis servidores do Mapa. A maioria do quadro é terceirizada.

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