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Dólar fecha em alta de 1,27%, a R$5,6260 na venda




 O dólar registrou ganhos expressivos em relação ao real nesta quinta-feira pós-reunião de política monetária do Banco Central, com a alta adotada na véspera para a taxa Selic sendo vista por parte dos mercados como insuficiente diante dos persistentes riscos fiscais e inflacionários do Brasil.

A moeda norte-americana à vista saltou 1,27%, a 5,6260 reais na venda, sua maior desvalorização diária desde quinta-feira da semana passada, quando os ativos brasileiros foram golpeados pelo pânico de rompimento do teto de gastos. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,57%, a 5,6265 reais.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC subiu os juros básicos para 7,75% ao ano, ante 6,25%.

Embora a alta de 1,5 ponto percentual tenha sido a mais acentuada desde 2002, alguns participantes do mercado esperavam maior agressividade no ritmo de aperto monetário, principalmente diante de ameaças concretas ao teto de gastos em meio à pressão do governo por um Auxílio Brasil de 400 reais e a surpresas para cima em indicadores recentes de inflação.

O momento, a dimensão da pressão inflacionária presente, justificaria uma elevação da ordem de 2 a 2,5" pontos percentuais na taxa Selic, opinou em nota Sidnei Nehme, economista e diretor executivo da NGO Corretora, comparando a decisão da véspera do Copom a "enxugar gelo".

Investidores mostraram preocupação nesta quinta-feira com a possibilidade de o governo não conseguir aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios --que abriria espaço para gasto extra com o Auxílio Brasil-- e recorrer a medidas que abalariam ainda mais a credibilidade fiscal do país para bancar o benefício.

A votação da PEC, prevista para esta quinta-feira, foi adiada mais uma vez e ficará para a semana que vem, segundo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O relator da proposta, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a proposta não está "enterrada" e que líderes da base trabalham para mobilizar suas bancadas para votá-la na próxima quarta-feira.

Às vésperas do último pregão de outubro, alguns participantes do mercado alertavam para a perspectiva de forte volatilidade no câmbio na sexta-feira, antes do fechamento da Ptax de fim de mês. Esta é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para liquidação de derivativos. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes a suas posições.

O dólar à vista acumula agora alta de 8,37% contra o real em 2021.

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