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Enxertia traz vantagens para mudas de videira de mesa



 

Número de viveiristas que produzem esse tipo de muda no mercado ainda é pequeno

O setor de enxertia de uva de mesa ainda é bem incipiente no país. De acordo com o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), Francisco Câmara, não existe no Brasil uma lei que obrigue o produtor a plantar mudas de videira por meio de enxertia. É possível fazer os plantios até mesmo por meio de sementes. Contudo, o pesquisador destaca que ao plantar sem utilizar porta-enxertos, o produtor fica mais suscetível a pragas de raízes, tanto nas variedades americanas e, sobretudo, nas variedades europeias.

O enxerto é a parte que forma a copa da planta, isto é, aquilo que nós vemos, como as folhas e os ramos que são produzidos. Já o porta-enxerto forma o sistema radicular das plantas, ou seja, o que nós não vemos por estar “escondido” no solo.

“O uso de porta-enxertos oferece diversas vantagens para o produtor. Não usá-los não vale a pena. Os porta-enxertos protegem as plantas de pragas e doenças, fazem com que elas se formem muito mais rápido e favorecem a produção entre dois e três anos, isso em comparação com as mudas de sementes. É por esses e outros motivos que utilizamos porta-enxertos na viticultura”, enfatiza.

Entre as técnicas de enxertia mais utilizadas, destaca-se a enxertia de “garfagem”, realizada diretamente no campo em porta-enxertos de estacas lisas (sem raízes) ou enraizadas, ambas previamente plantados nos locais definitivos de plantio. Todavia, outra técnica de enxertia de destaque é a “enxertia de mesa”. Esse processo é realizado em locais fechados e permite a produção de mudas de videira em larga escala.

Francisco enfatiza que a técnica de enxertia de mesa oferece diversas vantagens ao produtor em relação ao método tradicional de enxertia de campo, como altas taxas de pegamento, uniformidade, redução do tempo de obtenção das mudas, redução da mão-de-obra e controle de viroses. Porém, devido a necessidade de estruturas especiais, a disponibilidade de viveiristas que produzem esse tipo de muda no mercado ainda é pequena.

Segundo o ex-pesquisador da EPAMIG e proprietário da Vitácea Brasil, Murillo de Albuquerque Regina, o processo de enxertia de mesa pode ser dividido em três etapas. A primeira delas compreende a coleta, conservação e o preparo do material. A segunda consiste na enxertia, no acondicionamento e na forçagem dos enxertos. Por fim, a terceira etapa contempla a aclimatação e o transplante das mudas. 

Os porta-enxertos e os enxertos empregados na enxertia de mesa são retirados dos ramos de plantas-matrizes sadias durante o período de repouso vegetativo. As estacas são imersas em soluções fúngicas e, em seguida, embaladas e acondicionadas em sacos plásticos antes de encaminhamento às câmaras frias.

A conservação do material vegetativo em câmara fria deve ocorrer no período de, no mínimo, 30 dias, em temperaturas próximas de 3 a 5°C e umidade relativa em torno de 85-90%. Isso permite o escalonamento das operações e exerce papel fundamental nas atividades fisiológicas das gemas, de acordo com Murillo. Para se fazer a enxertia, os materiais são retirados das câmaras frias com um ou dois dias de antecedência.

As dimensões dos porta-enxertos devem apresentar 30 centímetros de comprimento e diâmetro entre 7 e 12 milímetros. Em seguida, todas as gemas do porta-enxerto são eliminadas para evitar a brotação de ramos “ladrões” durante o período de forçagem. Os enxertos são podados com uma gema deixando aproximadamente dois centímetros de ramo em sua porção superior e cinco centímetros na parte inferior. Depois dessa adequação, os materiais são acondicionados em caixas plásticas com água para reidratação até a próxima etapa: o momento da enxertia.

No método de enxertia de mesa efetua-se o corte tipo “ômega”. Segundo ele, esse método permite rendimentos maiores e confere uma união perfeita entre o enxerto e o porta-enxerto. Após a enxertia, a região enxertada deve ser coberta com parafina, material que a protege de dessecamento e de penetração de fungos patogênicos. Depois dessa operação, as estacas enxertadas são acondicionadas em caixas plásticas e levadas para locais com condições ambientais apropriadas para união do enxerto e do porta-enxerto, processo chamado de forçagem.

“As mudas são colocadas em ambiente controlado; com temperatura entre 25 e 29°C, umidade relativa entre 85-90% e boa aeração; e inicia-se, na região da enxertia, uma intensa multiplicação celular, o que forma o calo. O tempo de permanência nesse local é variável. Porém, para temperaturas próximas dos 27°C, são necessários entre 20 e 30 dias”, afirma Francisco, com base na literatura especializada da área.
Após o processo de forçagem dos enxertos, as mudas passam por uma etapa de aclimatação durante, aproximadamente, uma semana. O objetivo é reduzir possíveis estresses provocados pelo excesso de luminosidade e de variações de temperatura e umidade. 

As caixas de mudas, então, são transferidas para galpões abertos, onde a exposição à luz deve ser feita de forma gradual. Somente após o período de aclimatação as mudas são transplantadas para viveiros a céu aberto, locais onde permanecem por praticamente um ano para formação do sistema radicular e desenvolvimento das mudas.

Findado esse período, as mudas são coletadas e levadas para limpeza e padronização do tamanho das raízes. Cada muda permanece com uma brotação de uma gema, novamente parafinada na região da enxertia. Ao fim de todo esse processo, as mudas são destinadas ao produtor em caixas de papelão com lotes de 300 mudas cada uma.

O Campo da EPAMIG no município de Caldas (MG) é a única adega enológica experimental na região Sudeste do Brasil. São cerca de 500 hectares de vinhedos registrados com a técnica da dupla poda, além das áreas com produção tradicional voltadas para as uvas para espumantes.

fonte : www.agrolink.com.br

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