Em 2 meses, 13,8 mil hectares desmatados no Xingu em MT





Nos meses de março e abril deste ano, houve um aumento considerável nas taxas de desmatamento detectado na Bacia do Xingu, que fica ao Norte de Mato Grosso, divisa com o Pará, em relação aos dois primeiros meses do ano. No período, ao todo, 21.495 hectares foram desmatados, o que representa um aumento de 156% em relação ao período anterior. Do total, 13.865 hectares de novas derrubadas surgiram na área da bacia do Xingu que incide sobre o território mato-grossense, que segue a tendência de toda a Amazônia. 

Os dados são do Instituto Socioambiental (ISA) e mostram que pelo menos 13 milhões de árvores foram derrubadas sem autorização na porção mato-grossense da bacia, segundo monitoramento feito pela Rede Xingu, o Sirad X. “O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alerta Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do ISA. “O que não se pode ver via satélite é que 78% desse total, quase 11 mil hectares, foram florestas derrubadas ilegalmente”, acrescenta o ISA. 

Em Mato Grosso, Feliz Natal foi o município com mais devastação, ultrapassando 2.329 ha nos dois meses analisados. “Desse total, apenas 757 ha possuem autorização de desmate, o que significa que 68% do desmatamento do município é ilegal”, aponta o instituto. “Esse cenário de ilegalidade é ainda mais grave em outros municípios mato-grossenses, onde não consta autorização para 100% do desmatamento detectado, como Canarana, Cláudia, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo e Querência”, informa. 

Ainda, conforme o ISA, o ritmo de desmatamento dentro de terras indígenas (TIs) continuou aumentando no segundo bimestre do ano. Entre março e abril, esse aumento foi de 32% em todas as TIs do território. A TI com maior detecção de desmatamento foi a Kayapó, com 330 hectares de floresta derrubados por conta do garimpo ilegal. “Sem ações imediatas de fiscalização, essa situação deve se agravar com a chegada da estação seca”, alerta o Instituto Socioambiental. Já no Pará, 55% do desmatamento está dentro de áreas protegidas, sendo que 634 ha ocorreram em terras indígenas e 3.552 em unidades de conservação. 

RAONI - Na última segunda-feira (03), o cacique Raoni Metuktire foi recebido pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes. Na ocasião, ele demonstrou preocupação com o avanço do desmatamento nas terras indígenas na Amazônia. “Minha preocupação é com as consequências disso. O aumento dos ventos, a escassez das chuvas e o aumento nas catástrofes ambientais”, disse. Já Mendes garantiu que as demandas apresentadas serão analisadas em um curto espaço de tempo, segundo a assessoria de imprensa do Estado. 

Pertencente à etnia Kayapó, Raoni é uma das maiores lideranças do mundo no que diz respeito à defesa dos povos indígenas. Há 15 dias, ele esteve na Europa para alertar sobre as crescentes ameaças na região e foi recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, e pelo Papa Francisco. Na oportunidade, ele aproveitou a visibilidade internacional para tentar arrecadar um milhão de euros a fim de proteger o Parque Nacional do Xingu. 

A ideia é utilizar os fundos arrecadados para substituir os sinais nos limites da vasta reserva, comprar drones e equipamentos técnicos para monitorar a região e proteger contra incêndios, além de recursos para saúde, educação e conhecimento técnico para a extração e comercialização de produtos renováveis obtidos no parque. 





FONTE DIARIO DE CUIABÁ

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