Nenhum fator indica que preço da soja vá subir




“É uma questão lógica. Se os fundamentos que compõe os preços da soja no Brasil: Bolsa de Chicago, Dólar e prêmios estão recuando (com exceção do frete), como se pode esperar alta nos preços da soja no país?” O questionamento é proposto pelo analista de mercado Luiz Fernando Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica.


“Ah, mas a China vai comprar do Brasil ao invés dos Estados Unidos, dizem alguns. Pode até ser, mas, isto faria: a) Chicago cair ainda mais; b) o volume comprado teria que ser maior do que as 70 milhões de toneladas (MT) já precificadas pelo mercado. E parece difícil que aumente, com a forte queda de demanda chinesa por conta do abate de milhões e cabeças de suínos, com isto, os prêmios no Brasil não deverão compensar a queda de Chicago, ficando ao redor dos atuais 30/40 pontos, contra 270 do ano passado”, explica Pacheco.
Além disso, aponta o especialista, há a provável queda do Dólar, se e quando a reforma da Previdência for conseguida. “Finalmente, o aumento de 20 milhões de toneladas na produção mundial desta temporada, segundo o USDA de abril, torna a oferta novamente maior do que a demanda, pressionando os preços”, complementa.
“A nova queda forte de 9,0 pontos para a cotação de maio de Chicago, nesta quarta-feira, trazendo-a para $ 8,79/bushel distanciando-a cada vez mais para longe dos $ 10,50/bushel necessários para proporcionar preços de R$ 80,00/saca como querem alguns agricultores brasileiros. É duro de ser dito, mas não podemos esconder a verdade. Por outro lado, tivemos um dia de dólar forte, que subiu 0,83% para R$ 3,93, assustando todo o mercado”, acrescenta Pacheco. 
Para o analista da T&F, são poucos os cenários nos quais os preços da soja poderiam subir. Primeiro, o Dólar teria de ultrapassar os R$ 4,00, com greves espalhadas por todo o País – principalmente dos caminhoneiros – e a reforma da Previdência não dando passando no Congresso Nacional.
Akpem disso, diz Pacheco, “a economia mundial teria de ficar fortemente travada, já que o dólar no Brasil é composto 70% por fatores internacionais e 30% por fatores nacionais, com retração das economias dos EUA, ou da China ou da Europa ou todas juntas. O acordo China/EUA não sair mesmo, com a China deixando inteiramente de comprar soja americana e se voltando novamente para o Brasil”, projeta.
De acordo com ele, o clima teria ainda de ficar extremamente adverso, quer nos EUA, quer na América do Sul na safra 2019/20. “Por fim, deveria surgir algum fator que hoje ninguém consiga imaginar, mas que seja decisivo em algum momento dos próximos seis meses, como uma guerra, um atentado, etc. Isto pode acontecer? Pode. Ninguém sabe o futuro. Mas, deixamos à sua consideração a probabilidade de algum deles, ou todos acontecerem realmente”, conclui.



fonte agrolink

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