Exposição de mortandade de peixes no Rio São Miguel, gera estudo e esclarecimentos por parte do ICMB



A exposição da mortandade de peixes antes nunca ocorrida e presenciada, trouxeram respostas e esclarecimentos entre população ribeirinha e órgãos ambientais ou organizações responsáveis pela Reserva Biológica do Guaporé.
Com a circulação da notícia nos meios de comunicação do Estado, mostrando a mortandade de peixes sem nenhuma explicação no rio São Miguel, trouxeram prováveis causas das mortes. Entre elas a contaminação por agrotóxicos ou outros produtos químicos lançados no rio. O que causou preocupação dos ribeirinhos, até mesmo por parte dos órgãos ambientais, que após a divulgação do acontecimento fizeram um estudo mais detalhado para os devidos esclarecimentos para a população ribeirinha, como também para os próprios empreendedores do setor do turismo na Região do Vale do Guaporé.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor da Reserva Biológica do Guaporé, também responsável pela preservação de um grande trecho do rio São Miguel, sendo o mesmo rio limitador da Unidade de Conservação, trouxe os esclarecimentos oficiais esperados pela população ribeirinha através da servidora Lidiane França da Silva, Analista Ambiental e Bióloga Chefe da Reserva Biológica do Guaporé, disse que o ICMBio possui uma base no distrito de Porto Murtinho, e acompanhou o processo de morte dos peixes desde o início, e que havia um servidor na base quando o episódio começou.
A bióloga esclareceu que todos os indícios apontavam que o motivo da morte dos peixes não era agrotóxico ou outro fator contaminante da água, e sim causa natural. “Por causa das características das mortes e em conversa com especialistas da área, já sabíamos que se tratava de um processo natural chamado “dequada”, mas para embasar nossa teoria e ter uma resposta oficial, fizemos coletas de amostras de água em vários pontos do Rio São Miguel para análise”, pontou a bióloga.
Ainda de acordo com a Bióloga. “A análise das amostras de água foram realizadas com muito profissionalismo e prontidão pelo grupo de pesquisa em Águas Superficiais e Subterrâneas da UNIR/Campus de Ji-Paraná/RO, e os resultados do laudo confirmaram que se tratava do processo natural chamado “dequada”, concluiu.
A analista ambiental esclareceu sobre esse fenômeno natural das águas, e como ele ocorre. “A dequada“ é um fenômeno natural que geralmente ocorre no início das chuvas, quando grande quantidade de matéria orgânica, folhas e galhos, é levada para dentro do rio. Quando essa matéria orgânica começa se decompor, o processo reduz a quantidade de oxigênio na água provocando a morte em massa dos peixes”.
Lidiane explicou ainda, que, a maioria das espécies de peixes precisam de 5mg de oxigênio por litro de água para o processo de respiração, e todas as amostras coletadas apontaram menos de 1 mg de oxigênio por litro, explicando assim tantas mortes de peixes no rio.
Diante dos fatos, a bióloga esclareceu se a mortandade pode causar algum problema aos ribeirinhos e até mesmo aos animais se alimentassem dos peixes do rio. Segundo a Chefe da Reserva Biológica do Guaporé, como não se tratava de envenenamento, não haviam problemas que pessoas ou animais se alimentassem dos peixes, desde que os peixes estivessem frescos.
Ela informa que o fenômeno pode ocorrer novamente na região nos próximos anos, por ser um processo natural. Mas que o ICMBio em parceria com a Coordenação do Mestrado Profissional em Recursos Hídricos da UNIR/Campos de Ji-Paraná, já estão atentos e articulando um estudo e análise continuada da água do Rio São Miguel para os próximos anos, afim de acompanhar a qualidade da água do rio e os níveis de oxigênio, bem como para entender melhor esse fenômeno natural que já ocorreu em vários rios do Brasil.





FONTE JORNAL CORREIO DO VALE
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