Após acampamento, sem terras exigem reunião com Riva e cobram documentos de posse de fazenda





Cerca de 200 membros da Associação Gleba União que acampanharam na última segunda-feira (29), na fazenda Fazenda Agropecuária Bauru (Magali), em Colniza (a 1006 quilômetros de Cuiabá), afirmam que só deixarão o local se o proprietário, o ex-deputado José Geraldo Riva  apresente um documento que comprove a posse da terra de 46 mil alqueires.

Uma gravação de vídeo - feita por seguranças armados contratados para impedir que a ocupação se efetive - mostra um diálogo onde a exigência é feita. No vídeo, o líder do movimento afirma que esteve em Cuiabá em busca de uma solução para a questão, mas sem sucesso. O conflito envolvendo a área se arrasta há anos e o clima é de extrema tensão na região. O diálogo foi gravado tanto pelos seguranças como pelos membros do movimento de ocupação.


"Estive em Cuiabá, no Incra, na Advocacia Geral da União. O Riva não tem nada na terra. A Magali também não. O Riva vai ter que vir aqui e mostrar {documentos}. Nós viemos e vamos tomar posse. O Riva vai ter que vir aqui e conversar com nós". No diálogo, o interlocutor dos acampados ainda cita que um barracão e uma escola foram  destruídos, porém, disse que não pode apontar se os seguranças executaram tais ações. 
 
A Secretaria do Estado e Segurança Pública (Sesp) - por meio de nota -  afirma que o policiamento já foi reforçado, com o objetivo de evitar possíveis confrontos armado. A empresa privada, no entanto, relata que não há ostensividade da Polícia Militar na região e teme que a situação torne-se ainda mais crítica.  
 
O proprietário da empresa de segurança, Unifort, João Benedito, disse ao Olhar Direto que o risco de confronto é grande.  “A situação esta crítica. Eu vim para Cuiabá para fazer um documento para mandar para a Secretaria de Segurança informando da real situação lá". Ele assegura que os vigilantes do local estão muito bem orientados.
 
“Eu já visualizei pessoas armadas e tenho informações que existem pistoleiros no meio da turma”, acrescentou ele, que atua na segurança da fazenda há oito meses. “Hoje na fazenda existe uma determinação de proibição e o pessoal não está respeitando”, contou. 

Há dois meses, o Ministério Público Estadual, por meio da Promotoria de Justiça de Colniza oficiou o Governo do Estado sobre risco de conflito armado no local. A preocupação é que ocorra uma tragédia como a chacina de abril de 2017, na qual nove pessoas foram mortas naquela região. 
 
“Já tem 72 horas que o pessoal está acampado lá na frente ameaçando entrar. A polícia já foi notificada. O delegado da região já foi informado via telefone. O comandante também já foi informado e até agora não apareceu nenhuma viatura”, reclamou João.
 
Segundo ele, a Polícia Militar possui um efetivo pequeno composto por quatro policiais e a Polícia Civil, outros três investigadores.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), porém, informou que o policiamento já foi reforçado em Colniza, com o objetivo de evitar possíveis confrontos armados na região. Segundo a Pasta, policiais militares estão de prontidão para garantir a ordem pública e a segurança dos cidadãos locais.
 
“A Sesp esclarece ainda que continuará monitorando a situação e aguarda o andamento dos trâmites legais que competem ao proprietário da área junto ao Poder Judiciário, para o cumprimento de eventual operação de reintegração de posse”, diz trecho de nota enviada à imprensa.



Citada em delação

A fazenda em questão foi citada pelo  ex-governador do Estado Silval da Cunha Barbosa  em sua delação premiada. Ele declarou que negociou com o ex-deputado José Geraldo Riva a compra de uma fazenda pela quantia de  R$ 18 milhões no município de Colniza, denominada “Fazenda Bauru”. O delator disse que pagou apenas R$ 4,5 milhões neste contrato, pois a compra não foi para frente. Admitiu que  valor para a aquisição era oriundo de propinas do programa “MT Integrado.
 
Segundo ele, o contrato  fora elaborado em nome de terceiros. Riva, usou de sua empresa, a “Floresta Viva”, e Silval, colocou o primo de seu cunhado, Eduardo Pacheco. Isto porque, segundo o delator, a venda da terra lhe renderia ajuda, posteriormente.

A divisão, entretanto, não foi para frente. Eduardo Pacheco se arrependeu da ideia e, em cartório, registrou decisão unilateral de retirar seu nome do contrato. Diante disto, Silval combinou que Riva ficasse, por meio da empresa “Floresta Viva”, com 100% da “Fazenda Bauru”.

A posse da terra sequer foi transferida, pois o pagamento de R$ 18 milhões não fora quitado. Das quatro parcelas de R$ 4,5 milhões combinadas, apenas duas foram pagas, uma por Silval, uma por Riva, deixando o restante em aberto e a propriedade segue no nome da antiga proprietária.

Veja nota da Sesp na íntegra:
 
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) informa que o policiamento já foi reforçado em Colniza, com o objetivo de evitar possíveis confrontos armados na região, em razão da invasão à Fazenda Agropecuária Bauru (Magali). Policiais militares estão de prontidão para garantir a ordem pública e a segurança dos cidadãos locais. A Sesp esclarece ainda que continuará monitorando a situação e aguarda o andamento dos trâmites legais que competem ao proprietário da área junto ao Poder Judiciário, para o cumprimento de eventual operação de reintegração de posse





FONTE OLHAR DIRETO
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