Frete: indefinição deixa navios parados nos portos





O tabelamento de preços mínimos para o frete rodoviário não tem afetado apenas o mercado interno, mas também as exportações. De acordo com Sérgio Mendes, diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), já são 50 navios parados nos portos esperando o embarque de grãos – e sujeitos a pagamento de sobreestadia [valor por atraso] de US$ 17 mil – e mais de 60 chegando em junho. “São dez milhões de toneladas de soja já vendidas e que estão paradas no interior com o produtor”, afirma. Segundo ele, o impacto negativo da tabela no setor de grãos pode ficar em torno de US$ 3,7 bilhões considerando o que já está comercializado para esse ano e 2019.
Mendes diz que não há como comercializar com o tabelamento em vigor, pois o segmento não tem condições de absorver o aumento de custos. “Nosso setor trabalha com margens estreitas e grandes volumes. É feito hedge [mecanismo de proteção de riscos] de cada operação de venda, porque não podemos correr risco de errar, já que qualquer surpresa pode afetar os rendimentos. E a tabela é uma surpresa, porque os negócios já tinham sido fechados”. Ele ressalta que não há como repassar as altas, uma vez que o setor é regido pelos preços da bolsa de valores.
Já na cadeia de carne bovina, as indefinições do frete parecem não causar nenhum impacto, pois a maior parte dos frigoríficos possui sua própria frota de caminhões. De acordo com a Scot Consultoria, tanto as exportações de carne como o transporte de animais para abate têm ocorrido normalmente.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tem discutido com caminhoneiros e representantes do agronegócio e indústria uma nova tabela de preços mínimos, mais detalhada do que a primeira e possivelmente com valores pelo menos um pouco menores. Essa alternativa, porém, não agrada a Anec. “Você pode até bolar uma tabela que seja tranquila, mas quem me garante que daqui a pouco não vai lá para cima? Tem que ser tudo em função de mercado”, diz Mendes. A entidade já entrou com ação junto à ANTT e deve protocolar uma ação civil pública na Justiça Federal ainda nesta terça-feira, 12. A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) também anunciou que entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a tabela de preços mínimos do frete.
O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que espera a conclusão de um acordo entre caminhoneiros e embarcadores em torno da tabela de frete ainda nesta terça. Ele informou que ele próprio e os técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estão em contato com as associações de produtores e as entidades dos caminhoneiros para buscar um entendimento.
Das cinco tabelas em elaboração, uma para cada tipo de carga, ainda não houve acordo em relação aos graneleiros. Ela concentra a carga do agronegócio, que rejeita a fixação de um preço mínimo. A proposta apresentada na segunda-feira pelos caminhoneiros é fixar a tabela nos atuais níveis de preço de mercado para os granéis. Ela deverá ser discutida nesta terça com os produtores. “Mas o atual preço não pode ser considerado mínimo, porque estamos na safra”, observou o ministro.
Fonte: Portal DBO e ESTADÃO CONTEÚDO.

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