Água Boa e Canarana - Classificação de grãos é um problema que tem tirado o sono dos produtores





Classificação de grãos. Este é um assunto polêmico que está sempre presente nas reuniões, encontros e eventos do setor do agronegócio. Tem sido apontado como um problema grave e que tem “tirado o sono” dos produtores rurais. Além da discussão sobre a classificação de grãos propriamente dita, há ainda a reclamação de falta de mão de obra para fazer o trabalho. “É um problema que atinge todos, mas é importante destacar que cada caso é um caso”, diz o produtor rural Amarildo de Almeida Souza.

A Classificação de Grãos é um processo importante no ato da comercialização dos produtos de origem vegetal de uma propriedade rural. É onde se determina o Grupo, a Classe e o Tipo dos grãos avaliados, através de um profissional habilitado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Durante todo o processo produtivo, onde há um investimento significativo para se obter boa produtividade, essa etapa de classificação vem  garantir a qualidade que o produto apresenta no ato da comercialização, e tem por base análises específicas e, por comparação entre a amostra analisada e os padrões oficiais aprovados pelo Mapa. Com isso, se dá o deságio de acordo com os limites excedidos, aplicando assim os descontos nos lotes de grãos comercializados.


Foto: Rafael Manzutti

Segundo os presidentes dos Sindicato Rural de Canarana, Arlindo Cancian e de Água Boa, Antônio Fernandes de Mello, popularmente conhecido como Tunico, nos últimos anos, a procura por classificadores de grãos capacitados tem aumentado consideravelmente. “E, consequentemente, a demanda por treinamentos também aumenta junto ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (SENAR-MT) que oferece um treinamento para esta área”, ressalta Cancian.

Osmar Frizzo, presidente do Sindicato Rural de Querência, acrescenta que a falta de profissionais capacitados e qualificados para trabalhar na área de classificação de grãos tem sido uma das maiores deficiências no município. De acordo com os presidentes dos Sindicatos Rurais há vários casos de profissionais que já atuam na área e querem se capacitar para mudar de profissão. É o caso de Luciano Borges, de 27 anos. Ele trabalha como segurança em um armazém, em Canarana, e viu no treinamento de Classificação de produtos de origem vegetal – soja e milho a oportunidade de agregar valor ao seu currículo e mudar de setor.


Diante deste panorama, a demanda para estes treinamentos junto SENAR-MT cresce consideravelmente a cada ano, O instrutor credenciado junto à instituição Gilberto Keres, explica que a classificação de grãos determina o quanto o produtor está ganhando ou perdendo. “É uma atividade que avalia a qualidade do produto e auxilia o agricultor no momento em que ele o entrega em uma unidade de recebimento”.

O objetivo do treinamento com carga horária de 40 horas, ofertado pelo SENAR-MT é mostrar aos participantes como se classifica estes produtos utilizando a legislação específica. O conteúdo inclui assuntos como origem e fisiologia destas culturas, avaliação da qualidade e regulamento técnico para execução da classificação dos grãos.


Foto: Rafael Manzutti

Mas não é só isso. Ao longo do treinamento, o instrutor também fala sobre os principais equipamentos utilizados para a classificação de soja e milho, determinação de grupo, matérias estranhas, impurezas, umidade e dos defeitos leves e graves. Os participantes também aprendem como se preenche um laudo e ainda discutem sobre saúde e segurança no trabalho, ética e cidadania. Os interessados em fazerem o treinamento procure o Sindicato Rural de seu município para ver se há turmas previstas e se há vagas.

CURIOSIDADES

– No fim do século XVI, o milho já estava espalhado por todos os continentes e adaptado a diversos ambientes e climas. Hoje, é um dos cereais mais cultivados do planeta, com plantações em áreas que vão desde o nível do mar até três mil metros de altitude.

– No Brasil, já era plantado pelos indígenas antes da chegada dos portugueses. Mas, após a colonização, o consumo aumentou muito – os escravos africanos, por exemplo, tinham no milho e na mandioca a base de sua dieta. Na Europa, a oleaginosa se consolidou como fonte alimentar de populações mais humildes e de animais, razão pela qual foi discriminada pela elite durante muitos anos.

– O milho é, literalmente, um prato cheio para a indústria de alimentos. O óleo é utilizado na formulação de margarinas, maioneses e molhos; o farelo serve para ração animal (de porcos, frangos e bois), e a farinha, o amido, a glicose, o fubá e o creme obtidos desse grão têm diversas utilidades. O xarope de milho, por exemplo, é amplamente usado na confeitaria como adoçante. Está presente em balas de goma, chicletes, biscoitos, sorvetes, geleias e frutas cristalizadas, além de sopas desidratadas, hambúrgueres, salsichas, salames e mortadelas. No caso do hambúrguer, o açúcar evita o encolhimento da carne durante a fritura, enquanto nos embutidos colabora para fixar a cor e dar liga – mesma função do amido em vários produtos. Além disso, pratos empanados normalmente misturam farinhas de soja e milho, segundo o doutor em ciências dos alimentos e professor associado da Universidade de São Paulo (USP) Flavio Finardi. O milho faz parte, ainda, dos cereais não maltados presentes em muitas cervejas. Outro de seus subprodutos, o corante caramelo, integra a composição de cervejas e mais bebidas alcoólicas, refrigerantes, chás, achocolatados em pó, molhos e caldas.





fonte SENAR

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