Acordo entre China e EUA pode afetar soja brasileira







Depois de anunciarem sobretaxas para diversos produtos do concorrente, China e Estados Unidos começaram a sinalizar na semana passada a possibilidade de um acordo comercial sem a imposição das tarifas já divulgadas. Dependendo da evolução das negociações, o Brasil pode sofrer impactos negativos com a decisão. “Se esse acordo caminhar para tarifas preferenciais – ou até mesmo cotas – entre os dois países e envolver commodities agrícolas, que é uma parcela importante do comércio, principalmente dos EUA para a China, isso vai afetar negativamente o Brasil”, diz Carlos Cogo, da consultoria agronômica de mesmo nome.
Para Ana Luiza Lodi, analista de mercado da INTL FCStone, é preciso aguardar a movimentação entre os dois países para saber quais serão os efeitos, já que há especulação sobre um comprometimento chinês em aumentar as compras dos Estados Unidos, mas faltam detalhes sobre quais produtos seriam envolvidos. Durante esta semana, a tensão dos dois países voltou a aumentar após os EUA voltarem a ameaçar a imposição de tarifas sobre importações chinesas. O secretário de Comércio norte-americano, Wilbur Ross, tem visita marcada para a China no começo de junho para tratar do assunto.

Preços e exportação

Assim que a China anunciou as sobretaxas sobre a soja norte-americana, os preços na Bolsa de Chicago recuaram com a percepção de que existiria uma demanda menor pela oleaginosa dos EUA. Com isso, o prêmio para a soja brasileira subiu, atingindo o maior nível para o mês de abril ao alcançar US$ 1,9/bushel acima de Chicago. “À medida em que ia ocorrendo um ensaio de negociação, de reaproximação, o prêmio foi cedendo”, explica Cogo. Segundo Ana Luiza, desde que a ameaça de tarifas sobre a soja foi retirada, o prêmio tem cedido e as cotações em Chicago reagiram na última semana. Para Cogo, se os países entrarem em acordo, essa tendência deve continuar e poderá causar uma pressão baixista sobre a soja brasileira.
Em relação às exportações de soja do Brasil para a China, os dois analistas concordam que ainda é cedo para determinar se haverá algum impacto. A China é a maior importadora da oleaginosa nacional e tem uma demanda anual total de quase 110 milhões de toneladas, que não poderia ser suprida por nenhum país sozinho. “Acho que ainda não é o caso de dizer que vamos perder mercado”, diz Cogo. Ana Luiza reforça de que a expectativa da consultoria é de exportações recordes de soja em 2018 para o Brasil e de um consumo interno também aquecido.

Outras commodities

Para Cogo, apesar de a soja estar no centro da discussão, outros setores em que o Brasil é grande exportador para a China poderiam sofrer mais impacto em caso de um acordo entre China e EUA, dependendo do que for acertado. “Qualquer acordo que envolva preferências tarifárias tem lado negativo para países exportadores. Talvez, se acontecer de perdermos mercado, seja de maneira mais rápida no segmento de carnes ou outros produtos em que o Brasil tem concorrentes e não tem participação tão grande como no caso da soja. Mas isso ainda é suposição e vai depender da negociação”, explica.
De acordo com ele, caso o acordo realmente aconteça e envolva preferências tarifárias, cotas ou mecanismos do tipo, o caminho para o Brasil seria abrir um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) – talvez até com reforço do Mercosul, já que outros países do bloco também seriam afetados. “Existe uma cláusula na OMC que diz que membros da organização que estejam cumprindo as regras de comércio multilateral podem reagir a qualquer acordo bilateral que os prejudique”.



fonte portaldbo
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