Unidades da BRF não exportam para Europa





Nenhuma das duas unidades da Brasil Foods (BRF) localizadas em Mato Grosso, Várzea Grande e Nova Mutum, realizam exportação de aves (cortes e carnes) para União Européia. Em principio, a medida anunciada pelo governo federal - que colocou as plantas mato-grossenses entre as indústrias frigoríficas do país impedidas de exportar à União Europeia - não traria impactos diretos a esse segmento produtivo estadual. No entanto, o não envio dos produtos à Europa, por outras unidades da BRF pelo país, vai pode levar a um represamento do mercado interno, que conforme o tempo de duração da medida, forçará a multinacional a redirecionar a produção dentro do país. 

Conforme o Conselho Estadual de Avicultores Integrados do Estado – representa os maiores fornecedores de frangos à indústria mato-grossense, principalmente a BRF – há a preocupação porque qualquer medida que altere para mais a oferta de aves dentro do Brasil poderá influenciar sobre as cotações do quilo vivo dos animais, reduzindo o preço pago ao criador integrado, já que a própria demanda da BRF pode cair em função da restrição às exportações. 

As unidades do Estado afetadas pela medida estão em Várzea Grande, região metropolitana e outra em Nova Mutum (269 quilômetros ao norte de Cuiabá). O Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa) espera resolver a questão em até 30 dias. 

No ano passado, as exportações mato-grossenses de cortes/carnes de aves responderam por 2% do total realizado pelo Brasil. 

A suspensão temporária foi anunciada na última sexta-feira pelo Mapa e atinge 10 unidades em seis estados da BRF, originada após a fusão da Perdigão com a Sadia em 2009. 

Ainda como Perdigão, a unidade de Nova Mutum passou em 2007 por obras de ampliação que elevaram a capacidade de abate de aves em 600%, de 40 mil cabeças/dia para 280 mil cabeças/dia. A produção local, assim as das plantas de Lucas do Rio Verde, Campo Verde e Nova Marilândia, no interior de Mato Grosso, exportam a produção para consumidores como Japão, Oriente Médio e América Latina. 

A única unidade habilitada à União Europeia é a planta de Várzea Grande, mas que desde 2016 teve os abates de aves redirecionados para Campos Verde (139 quilêmtros ao sul do Estado). Essa unidade integra a primeira fábrica da Sadia, em Mato Grosso, foi inaugurada na década de 70 com foco inicial no abate de bois e, posteriormente, tornou-se destino para o abate de aves produzidas em Campo Verde. A paralisação das atividades com aves fez parte de um rearranjo da BRF para atendimento ao novo mercado global, à época. 

Desde a última sexta-feira, quando a direção da própria BRF emitiu comunicado aos seus investidores e ao mercado, estão suspensas as atividades de produção e certificação sanitária dos produtos de aves com destino à Europa de dez plantas da BRF, sendo duas delas em Mato Grosso e de outros cinco estados. Ainda em seu comunicado, a multinacional faz questão se salientar que a decisão do Mapa tem caráter “cautelar”. 

A suspensão acabou marcando o primeiro ano da Operação Carne Fraca no Brasil, ação essa deflagrada no dia 17 de março do ano passado, pela Polícia Federal (PF). A Carne Fraca investiga denúncias de fraudes cometidas por fiscais agropecuários federais e empresários ligados às empresas JBS e BRF. No dia 5 deste mês, na terceira etapa da Carne Fraca, que recebeu o nome de ‘Operação Trapaça’ a PF cumpriu 91 ordens judiciais em cinco estados: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. As ações culminaram na prisão temporária do ex-presidente da BRF Pedro de Andrade Faria e do ex-diretor e vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior e também na suspensão das exportações dessas 10 unidades para a União Européia. 

Apesar de todo o impacto gerado pelo Operação Carne Fraca, o economista da PR Consultoria, Carlos Vitor Timo Ribeiro, destaca que as exportações da cadeia produtiva da carne (bovinos, aves, suínos e couro) em 2017, totalizaram US$ 1,53 bilhão, registrando crescimento de 19% em relação ao consolidado em 2016”. 

Como explica melhor, os embarques de cortes de aves – ao contrário do resultado da carne bovina - tiveram desempenho negativo caindo 26% em relação a 2016. “Com redução tanto no volume físico quanto no financeiro”. Nos 12 meses do ano passado foram movimentadas 89,65 mil toneladas, o que gerou receita de US$ 155,30 milhões. Já em 2016 foram US$ 210,15 milhões com a venda de 122,40 mil toneladas. “Aqui em Mato Grosso temos o menor custo para a produção de ração animal do país, por ser o maior produtor de soja e de milho, daí o enorme potencial de crescimento para a avicultura e para a suinocultura que existe no Estado e que deverá acontecer sem nenhuma dúvida”. 

Ainda sobre o saldo do comércio exterior do ano passado, Timo Ribeiro, acrescenta que Mato Grosso respondeu por 20% das exportações de carne bovina do país, por 2% da de aves e por 6% da carne suína, “índices que continuam bem aquém de nosso potencial, especial em relação aos cortes de aves”. 

Em 2016, por exemplo, Timo Ribeiro conta que as exportações desse segmento fecharam o período com saldo positivo, pois registraram ganhos anuais na receita e no volume. “Naquele momento registramos forte recuperação em valor total negociado, que foi de 37,9%, alta de 24,1% no volume embarcado e de 11,1% no preço da carne. Fomos 2,9% de tudo que o país contabilizou com as exportações de aves em 2016”. 

Conforme a analista Estela Benetti, o corte nas exportações vai lotar o mercado de produto e derrubar os preços no mercado interno enquanto os custos estão altos para alimentar os plantéis, em especial o milho. “Essa redução afeta todo o setor de carnes porque quando cai o preço do frango, que já estava baixo, mais consumidores migrarão para o produto e deixam de comprar carnes suína e bovina. Por isso, produtores dos três tipos de proteína acabam perdendo. O lado bom é que, se depender das carnes, a inflação, que já está baixa no Brasil, vai cair ainda mais, abrindo espaço para mais cortes dos juros básicos”. 

BRF – No comunicado assinado pelo vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Lorival Nogueira Luz Jr, a multinacional esclarece que todos os produtos já alocados nas regiões afetadas, bem como os produzidos e embarcados antes do dia 16 de março podem ser comercializados e utilizados sem restrições. “A Companhia reitera que vem mantendo intensa interlocução com as autoridades locais e internacionais, prestando todos os esclarecimentos necessários a fim de atestar a qualidade e segurança de seus produtos e preservar o relacionamento comercial com seus clientes e consumidores”. 

O comunicado informa ainda nessa semana deverá ocorrer uma reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica, para o Mapa prestar esclarecimentos técnicos às autoridades sanitárias da União Europeia e a expectativa é que, após avaliada, a medida possa ser revogada. 

De acordo com a suspensão estão proibidas de serem embarcadas a produção originada nos seguintes Serviços de Inspeção Federal (SIF´s) 1 (Concórdia/SC), 18 (Dourados/MS), 103 (Serafina Correa/RS), 104 (Chapecó/SC), 292 (Várzea Grande/MT), 2014 (Marau/RS), 2518 (Francisco Beltrão/PR), 466 (Capinzal/SC), 4567 (Nova Mutum/MT) e 1007 (Rio Verde/GO). Em todo o país a BRF tem 35 unidades produtivas. Em Mato Grosso, além de Várzea Grande e Nova Mutum, as operações com aves são realizadas em Campo Verde e Lucas do Rio Verde. 






fonte diario de cuiaba

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