Entre safra e safrinha as perdas somam mil quilos por hectare





Mato Grosso, maior produtor de milho do país é conhecido e reconhecido por sua produção de segunda safra, quando o cereal é amplamente cultivado e resulta em importante oferta para o saldo anual da cultura. Mesmo sendo gigante na entressafra, a produtividade obtida nesse período do ano representa cerca de 79% do total contabilizado quando o cereal é cultivado no verão, na primeira safra. Entre um ciclo e outro a perda média por hectare se aproxima de 1,5 mil quilos por hectare (kg/ha). 

Considerando as produtividades médias do milho no Estado nos últimos quatro anos, a primeira safra rendeu, em média, 6.876 kg/ha e na segunda safra, 5,431 kg/ha. Esse resultado pode ser explicado pelas condições climáticas que podem influenciar no rendimento e pelo maior risco na produção da segunda safra, que pode levar o produtor a reduzir o pacote tecnológico. Na primeira safra há fartura de chuvas, período marcado pelo alto verão e na segunda safra, quando o cereal é cultivado a partir do final de janeiro, há riscos de escassez, com a temporada das chuvas entrando na reta final. 

Essas e outras consideração a respeito do milho, fazem parte de um estudo feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nessa semana, e que traz uma análise dos custos de produção e da rentabilidade nos anos-safra 2007 a 2017, mensurando produção e produtividade do cereal nos estados produtores. 

A rentabilidade na produção de milho nos últimos anos teve o custeio positivo acima do índice de inflação na maioria das localidades produtoras. Considerando a segunda safra, os maiores resultados positivos ocorreram em Mato Grosso e Goiás, no ano de 2011, e em localidades do Paraná e Rio Grande do Sul, em 2016. O estudo pontua os dois lados da produção, demonstrando locais de baixo rendimento em alguns anos, como em Rio Verde/GO, Londrina/PR, Primavera do Leste/MT e Unaí/MG. Já o de 1ª safra teve melhor rendimento em 2015/16 para áreas produtoras de Campo Mourão/PR e Passo Fundo/RS. 

Na média dos últimos quatro anos, os maiores produtores foram Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, responsáveis por cerca de 88% do total produzido, o que evidencia forte concentração da produção desta segunda safra. Suas participações foram, respectivamente, 38,26%, 22,15%, 15,6% e 11,94%. 

Mato Grosso registra trajetória de queda na área semeada de primeira safra. No período analisado - 2007 a 2017 - a semeadura saiu de um pico de 790 mil hectares até atingir a menor superfície, 199 mil hectares na safra 2015/16, retomando espaço, 256 mil hectares no ciclo seguinte. Em relação à produtividade, o clima se mostra determinante ao rendimento por hectare plantado. Na primeira safra, houve recorde de 7.676 quilos/ha na safra 2016/17, volume jamais obtido na segunda safra, quando o Estado cultiva (atualmente) mais de 4,4 milhões ha. A produtividade recorde ficou acima da média aferida no país, que segundo a Conab foi de 5.556 kg/ha. 

Em relação à oferta da segunda safra, em apenas quatro anos de comparação, o volume médio ofertado supera a marca de 20 milhões de toneladas. Lá em 2007, o Estado – já gigante no cereal – produzia 7 milhões/t passando do pico de 28,61 milhões em 2016. O volume se dá pela área plantada quando se comparam a 1ª com a 2ª. Se no verão o milho mato-grossense rende mais de 7 mil quilos/ha, na entressafra, o maior rendimento registrado pela Conab, no Estado, foi de 6.212 kg/ha na safra 2016. Em 2015, por exemplo, a produção teve a menor produtividade dessas onze safras, com média de 3.999 kg/ha. 

MERCADO - A pesquisa leva em conta também a influência dos preços como incentivo para maiores investimentos dos produtores, ano a ano, em estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Nordeste. Outros resultados, além da rentabilidade, se estendem à evolução da produtividade, área e produção das duas safras na maioria dos estados analisados. O estudo demonstra que a produtividade no cultivo do milho de 1ª safra é superior ao da 2ª safra nos principais estados produtores, principalmente em virtude do menor investimento pelo produtor, dado o maior risco do cultivo em razão da redução da precipitação ao longo do ciclo da cultura. (MP) 




fonte diario de cuiaba


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