Cotação melhor não garante rentabilidade





A reação dos preços médios da saca de soja em Mato Grosso ainda não trouxe ânimo ao produtor, pois o ganho em reais não tem sido suficiente para cobrir os custos e garantir rentabilidade do negócio. Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o valor médio de negociação no mercado interno chegou a R$ 62,17, 11,7% acima da cotação registrada em igual momento do ano passado, R$ 55,63. 

Considerando valores médios, o Imea aponta que o custo de total de produção de R$ 64,92 por saca para uma cotação, também média no Estado, de R$ 62,17, revelando déficit de R$ 2,75 por saca. 

Mesmo com a variação positiva, há um sinal de alerta no campo, como destacam os analistas do Imea, em relação ao fechamento dessa safra, a 2017/18, que na média geral, não teve até o momento os custos cobertos. 

Ao analisar o preço disponível da soja na média da semana anterior, em comparação aos custos nos principais municípios produtores, “observa-se que, apesar desta valorização, os preços encontram-se abaixo do custo total da safra 2017/18 em grande parte do Estado. Cabe salientar que, com menos de 10% das áreas a serem colhidas nas próximas semanas no Estado, a produtividade tende a não sofrer grandes alterações e, com o custo da safra fechado, o preço da soja é o principal fator de atenção ao produtor para a definição da rentabilidade deste ciclo”, explicam os analistas. 

Outro fator que aumenta a preocupação em torno do saldo financeiro da sojicultura é o volume de grão já comercializado de forma antecipada pelo produtor, cabendo a ele apenas realizar as entregas, na medida em que vai colhendo. Das mais de 31,78 milhões de toneladas previstas, 61,6% estão vendidas/negociadas. O percentual de venda antecipada apurado pelo Imea até meados desse mês é equivalente ao apurado em igual momento do ano passado. 

A reação sobre os preços internos é bem-vinda, sem sombra de dúvidas como apontam produtores e analistas, até porque esse ganho está sendo registrado na ‘boca da safra’, período em que as cotações caem em razão do excesso de oferta com o avanço da colheita. “Há alta dentro da colheita, isso ocorre pela perspectiva de quebra de safra na Argentina, que se confirmada e dependendo do volume perdido vai sim influenciar na oferta de soja na América Latina, acirrando a concorrência global”. 

Ainda que haja essa possibilidade de quebra e de manutenção de preços em melhores patamares, o cenário mato-grossense ainda não absorveu ganhos e tão pouco os transformou em renda. Ainda conforme a análise do Imea, apenas a região sudeste consegue cobrir o custo total (R$ 64,92), já que o valor médio da saca está em R$ R$ 64,75, acima das cotações registradas nas outras regiões. “Já a região nordeste apresenta cenário menos favorável, com preço médio de R$ 62 a saca e um custo total de R$ 73,72 por saca, o que eleva o déficit, o desequilíbrio entre receita e despesa a R$ 11,72. Assim, como reforçamos, o preço daqui para frente será determinante para o saldo financeiro deste ciclo mato-grossense”. 

Os analistas chamam à atenção para a produtividade da safra que de maneira muito remota poderá sofrer alguma interferência para mais ou para menos, já que restam menos de 10% dos mais 9,46 milhões de hectares cultivados para serem colhidos. Até o momento, a previsão de produtividade 55,98 sacas por hectares, ou 1,06% acima do saldo anterior. 

MAIS É MENOS – O cenário de alta das cotações mostra um cenário positivo, pois além da ‘boca de safra’, Mato Grosso vai consolidando mais um recorde de produção, com previsão de oferta acima do registrado na safra passada, 2016/17, quando a temporada cravou o melhor resultado histórico do grão. Para 2017/18, todas as projeções feitas no país vão confirmando mês a mês que essa safra deverá ser ainda maior. Pelo Imea, a produção crescerá 1,66% sobre o recorde anterior, totalizando cerca de 31,78 milhões de toneladas. Por mais um ciclo, a produção estadual vai pagando o preço da eficiência, pois o ganho em produtividade não tem sido remunerado. 

Em 2017, quando o Estado colheu pouco mais de 31 milhões de toneladas, o valor da produção aferido da porteira para dentro, somou R$ 28,81 bilhões, ou -9,66%, em comparação ao resultado consolidado no ano anterior, conforme estudo da Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que mede o Valor Bruto da Produção (VBP), que considera os preços dos produtos da porteira para dentro. 

A produção agropecuária de Mato Grosso fechou o exercício 2017 com desvalorização de 3,33% em relação ao ano anterior. O recorde histórico na produção não foi suficiente para assegurar a receita da última safra, conforme o VBP, que somou R$ 69,81 bilhões ante R$ 72,22 bilhões contabilizados em 2016. Das sete atividades com o maior faturamento do Estado, apenas três tiveram saldo positivo: algodão, cana-de-açúcar e suínos. 

LOS HERMANOS - Os problemas com estiagem na Argentina começaram em novembro do ano passado, mas ficaram mais evidentes a partir de fevereiro. Em algumas zonas, o volume de chuvas já chega a ser 87,5% mais baixo do que a média histórica. A maior seca em décadas na Argentina abre um mercado de 10 milhões de toneladas de soja para os demais competidores, entre eles o Brasil. O país vizinho é o terceiro maior exportador mundial de soja e milho e, segundo a Confederação Rural Argentina (CRA), terá uma perda econômica de US$ 8 bilhões com a seca. 

No início de março, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou as estimativas para a produção argentina de soja, a 47 milhões de toneladas, ante 54 milhões de toneladas do acompanhamento anterior. 





fonte diario de cuiaba

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