Frigoríficos se recuperam e voltam a gerar empregos









Há alguns anos, os moradores da Juruena, no norte de Mato Grosso, sofrem com as parcas alternativas de emprego. Como é comum em cidades de menor porte, a prefeitura representa mais da metade das vagas formais, e as atividades do setor privado são escassas. Mas a situação começou a mudar recentemente com o anúncio do arrendamento e reabertura de frigorífico no município pelo Frigol.

"A cidade está toda animada", relata o ex-prefeito Bernardo Crozetta, hoje à frente da Secretaria de Desenvolvimento de Juruena. Se tudo correr como o esperado na emissão das licenças ambientais, o município ganhará em torno de 450 empregos em fevereiro, o equivalente a quase 50% do total de vagas até então existentes da cidade - isso sem contar empregos indiretos.

Assim como Juruena, outros rincões do país passam por um movimento semelhante. Após as turbulências de 2015 e 2016, período no qual a restrição de boi gordo e a recessão da economia provocaram o fechamento de mais de 50 frigoríficos e a demissão de 7,9 mil pessoas, a indústria de carne bovina parece ter entrado em nova fase, embalada pela inversão do ciclo da pecuária e pela retomada da economia.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pelo Valor, o saldo de empregos nos abatedouros de bovinos do país ficou positivo em 8,7 mil vagas entre janeiro e novembro - o dado de dezembro ainda não foi divulgado. Trata-se do melhor desempenho desde 2012, quando os frigoríficos geraram 10,2 mil vagas.

Dono do maior rebanho do Brasil, Mato Grosso lidera o movimento, seguido por Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará (ver infográfico).

A tendência é que o saldo de empregos do setor cresça ainda mais, incluindo unidades que serão reabertas neste ano pelo Frigol em Juruena, pela Marfrig em Pontes e Lacerda e pelo Frigoestrela em Rondonópolis, ambos em Mato Grosso. Aos dados também devem ser acrescidos o frigorífico do Rodopa em Cachoeira Alta (GO), que foi arrendado pelo Frigol e voltou a funcionar em dezembro, gerando 380 vagas, segundo o presidente da empresa paulista, Luciano Pascon.

"A nossa cidade é muito dependente de frigorífico", reconhece o prefeito da goiana Cachoeira Alta, Kelson Vilarinho (PSD), que já observa uma recuperação do município de 12 mil habitantes. "A cidade está movimentada. Veio muita gente de fora e o comércio melhorou", acrescenta o prefeito.

A avaliação de autoridades de outras cidades ouvidas pelo Valor é semelhante. "O impacto foi excelente porque antes a cidade estava parada. O comércio apareceu", diz Pedro Henrique Gomes, chefe de gabinete do prefeito de Mirassol DOeste (MT). Devido à reabertura da unidade da Minerva Foods, o município liderou o saldo positivo de empregos no setor em 2017. Ao todo, foram 857 vagas, o que representa mais de 15% dos empregos formais de Mirassol, que tem 26 mil habitantes.

Também em Nova Xavantina, na região nordeste de Mato Grosso, a retomada das operações da unidade da Marfrig significou uma mudança de grandes proporções para o município. "Hoje, o frigorífico é o maior gerador de empregos", diz o prefeito João Batista da Silva (PSD). Até meados do ano, quando a planta estava fechada, a prefeitura era a maior empregadora, segundo Silva. De acordo com os dados do Caged, o saldo de empregos nos abatedouros de bovinos de Nova Xavantina ficou positivo em 635 vagas - 19,7% dos empregos formais.

Além da conjuntura econômica favorável e da maior oferta de bois, o ressurgimento de frigoríficos reflete o rearranjo provocado pela delação premiada dos irmãos Batista, donos da JBS. Ao longo do último ano, a empresa entregou três frigoríficos em Mato Grosso que estavam alugados e fechados há alguns anos. Entre as plantas estavam as de Juruena e Pontes e Lacerda - que agora serão reabertas.

"Com essa saída da JBS, você traz um novo cenário a essas regiões", avalia o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Thiago Bernardino de Carvalho. Para ele, a concentração do setor restringia as alternativas aos pecuaristas do país.

No Mato Grosso, a JBS chegou a ter mais de 50% da capacidade de abate - incluindo unidades abertas e fechadas -, conforme o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, concluído em 2017.

Conforme o pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ernani Pinto de Souza, a maior concorrência no setor é positiva, mas exige competência dos novos entrantes. "A JBS está tentando retomar a credibilidade", diz.





fonte valor economico



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