“Muito errado é aquele frigorífico pequeno que acha que pode tirar proveito em uma situação dessa”






Mais um escândalo envolvendo a maior indústria processadora de carnes do Brasil abalou o mercado do boi gordo nos últimos dias.

A empresa anunciou que, a partir da última quarta-feira (18/10) pararia os abates e as compras de sete plantas frigoríficas em Mato Grosso do Sul. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a empresa informou que as atividades tinham sido paralisadas por tempo indeterminado “em função da insegurança jurídica instalada” no estado.

A decisão foi tomada após o pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Irregularidades Fiscais e Tributárias de Mato Grosso do Sul, da Assembleia Legislativa, à Justiça para determinar dois bloqueios de recursos da empresa: um de R$115,9 milhões e outro de R$614,7 milhões, totalizando R$ 730 milhões.

O reflexo foi sentido diretamente nas cotações da arroba e um clima de indefinição e incerteza foi instaurado no mercado do boi gordo. A paralização dos abates da JBS só não teve consequências maiores devido à associação de dois fatores: oferta restrita de boiadas terminadas e consumo na ponta final da cadeia se estável para ruim. Porém, como responde por mais de 50% dos abates no estado, a insegurança afastou os compradores do mercado e derrubando sua liquidez.

Diante desse cenário, buscando uma solução para passar por esse momento delicado, agentes da cadeia se reuniram com o setor jurídico da empresa, com governo de Mato Grosso do Sul, e com representantes do Ministério Público e da Assembleia Legislativa.

Com objetivo de viabilizar o retorno das atividades da empresa, a justiça de Mato Grosso do Sul homologou, nesta última quarta-feira (25/10), o acordo que desbloqueia as contas da JBS em troca de bens como garantia. O valor contábil dos imóveis que foram bloqueados totaliza R$756 milhões.

Além do bloqueio dos cinco imóveis, há outras duas condições. A empresa não poderá reduzir quadro de funcionários (hoje composto por cerca de 15 mil no estado) e deverá manter todas as operações de compra e abate funcionando.

Os abates e as compras do JBS foram retomados essa semana, a pressão baixista parece estar se dissipando, mas os processos judiciais envolvendo a empresa estão longe do fim.

Frente a esse cenário, entrevistamos o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Jonathan Barbosa, que participou das conversas para a retomada dos abates de gado nos frigoríficos da empresa. Confira a seguir:

Scot Consultoria: Sr. Jonathan, como os pecuaristas de Mato Grosso do Sul receberam mais uma notícia inesperada como esta, do fechamento das sete plantas do frigorífico JBS, depois de tantos outros abalos que a pecuária brasileira viveu em 2017?

Jonathan BarbosaCom muita preocupação, mas com muita cautela, também. Nós não podemos entrar nesse embalo negativo. Nós temos responsabilidades no agronegócio, principalmente Mato Grosso do Sul, que vive essencialmente da agropecuária. Essa história da carne, que vem acontecendo este ano, parece um calvário, desde a história da Carne Fraca. Mas agora já estamos a caminho de um acordo bem desenvolvido, que está sendo terminado faltando somente a assinatura da JBS, que já voltaram a comprar gado e falaram que se tudo correr bem, retomarão o abate na quinta-feira (25/10). Não podemos arriscar um prognóstico, tudo vai depender de conseguir gado.

Há um receio na classe de pecuaristas de vender para o JBS, pois eles só querem comprar a prazo. Nesse sentido qual a segurança que o pecuarista tem? Então resta ao pecuarista retirar a Nota Promissória Rural, segurar a mão, e esperar o que vai acontecer até o dia do vencimento. Mas quem gosta de correr esse risco?

Nesse momento, por exemplo, que eles inventaram essa nova crise, nem funcionário eles estavam pagando, então novamente, qual seguro de pagamento o pecuarista tem? É muito difícil ele colocar sua única mercadoria, que é o gado, para vender e depois não receber, o risco é muito grande, o pecuarista não tem outro tipo de negócio para sustentar-se. É o ciclo normal, se o gado está pronto para ser vendido o pecuarista quer vender e quer receber.

Nós procuramos garantia, preço e prazo. Não adianta termos garantia de prazo se a arroba estiver sendo jogada “lá para baixo”.

Scot Consultoria: Quais são as indicações da Acrissul para os pecuaristas nesse momento, frente a todo esse cenário de incertezas?

Jonathan Barbosa: Indicamos que os pecuaristas vendam seus estoques parceladamente e sempre procurem frigoríficos que realizem o pagamento à vista.

Agora com relação a esse momento da JBS, nós estamos em acordo com o governo sobre os bloqueios, tivemos reunião com os governantes que participaram da CPI e com a cúpula da Assembleia Legislativa. Estamos aguardando o andamento dos negócios para poder falar sobre a situação do momento da JBS.

Scot Consultoria: A JBS abate mais de 50% dos bovinos de Mato Grosso do Sul, qual impacto desse número para o estado?

Jonathan Barbosa: O frigorífico JBS já chegou a abater até 60% dos bovinos de Mato Grosso do Sul, porém, com essas crises, forjadas ou não, talvez hoje esse número já chegue a 40%. Porque, querendo ou não, a empresa perde credibilidade. O produtor não quer correr risco, ele muda o destino da sua venda.

Além desse fator, houve também a redução da alíquota para o gado que é abatido fora do estado, o resultado dessa medida foi muito bom, foi além da expectativa, foi ótimo para o governo, para os produtores, para prefeitura e para os consumidores. Essa foi uma sugestão da Acrissul e agora levamos mais seis sugestões para o governo, as quais não podem ser divulgadas por enquanto. São alternativas boas para pecuária, para que tenhamos mais opções dentro dessa cadeia. Na hora certa divulgaremos.   

Scot Consultoria: Qual opinião do senhor em relação à postura que os outros frigoríficos adotaram frente à paralização das compras do JBS?

Jonathan BarbosaEu diria que muito errado é aquele frigorífico pequeno que acha que pode tirar proveito em uma situação dessas. Nós estamos trabalhando para fortalecer o mercado como um todo, inclusive fortalecer eles. Uma das alternativas que eu ofereci ao governo impacta diretamente esses frigoríficos menores, agora se eles tiverem um comportamento especulativo, eles vão padecer por isso. Agora é a hora de todo mundo se conscientizar, ajudar o setor para a vida continuar.

Scot Consultoria: O senhor poderia comentar um pouco quais foram os recentes trabalhos da Acrissul e qual a importância que uma associação como esta tem para o setor?

Jonathan BarbosaA Acrissul tem quase cem anos de trabalho sério. A Acrissul está sempre vigilante em todos os assuntos que possam envolver a agropecuária.

Nós temos trabalhado com um interesse de atender a todos, independente de ser ou não associado. Embora, eu faço através da sua pergunta, um pedido para que todo produtor seja um associado para poder realmente ter um pouco mais de instrução e conhecimento de causa. Temos muita assistência a oferecer.


Temos aproximadamente mil associados, mas não queremos quantidade, queremos qualidade, O SIF MS é o preferido pelos importadores, quando eles vão fazer contatos com os frigoríficos eles requisitam nossa carne, não somos nós que falamos, são aqueles que compram. Nossa carne tem três segredos: genética, manejo racional e nutrição.  



FONTE SCOT CONSULTORIA

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