OPERAÇÃO PERSES: 2º BPM encontra imensa área de Reserva Permanente devastada por supostos sem-terra; Armas e veículos foram apreendidos






“Capim para gado está sendo plantado no lugar das árvores nobres da área de amortecimento da REBIO JARU”
O 2º Batalhão de Polícia Militar, com sede em Ji-Paraná, desencadeou a Operação “PERSES”, em menção ao Deus da Destruição na Mitologia Grega, sob o comando do Chefe da Divisão Operacional, Capitão PM Braguin, que também contou com o apoio da Polícia Militar Ambiental e SEDAM, além de Policias Militares do GOE (Grupo de Operações Especiais) e PM’s lotados na 3ª Cia, em Ouro Preto.
A Operação tem como objetivo principal coibir e identificar alguns invasores de terra que montaram acampamento no final da Linha 205, nos limites do Distrito de Santa Rosa, a aproximadamente 90 KM de Ji-Paraná, sentido ao Rio Machado, que estão devastando uma grande Área de Preservação Permanente (APP), ligada à REBIO JARU.


Durante o deslocamento dentro da área que pertence ao amortecimento da REBIO JARU, pois está localizada na circunferência de 03 KM da reserva, os policiais encontraram um verdadeiro rastro de destruição. Corpos de animais silvestres apodreciam no meio da estrada. Árvores classificadas na categoria “criticamente em perigo”, como Cerejeira e Castanheira, derrubadas e abandonadas em meio às queimadas que se alastrou por quilômetros, devastando toda a área vizinha deste acampamento de supostos “sem-terra”.


Além da destruição em massa, os invasores instalaram uma porteira no meio da Linha, impedindo o direito de “ir e vir” dos produtores rurais daquela região. Algumas denúncias e relatos de testemunhas dão conta que alguns moradores chegaram a ser abordados por um grupo fortemente armado e impedidos de continuar a viagem por aquela estrada. “Estava indo para meu sítio, com minha família, quando fomos surpreendidos por cinco indivíduos encapuzados e armados com escopetas e revólveres. Eles revistaram meu carro atrás de arma e depois mandaram eu voltar para a cidade e ainda ameaçaram minha família, dizendo que iriam mata-los caso eu chamasse a Polícia. Já faz mais de um ano que não vou no meu sítio”, relatou um dos moradores que preferiu não se identificar por medo de represálias.

“Enquanto as leis ambientais referentes às APPs são bem severas para nós, produtores rurais, estes indivíduos degradam sem responsabilidade nenhuma tudo aquilo que cuidamos a vida toda”, lamentou um morador local.

Segundo relatos de moradores locais, até máquinas públicas estão sendo usadas para arrumar estradas dentro de propriedades particulares, coincidentemente, do único sitiante que está ajudando os invasores, conhecido na região pela alcunha de “Manoel Parente”. Apesar de seu sítio de quase 1 mil alqueires estar localizado no meio da invasão, foi constatado apenas uma pequena derrubada, feita por ele mesmo, no meio do lote, onde foram encontradas árvores nobres derrubada ilegalmente.


PRISÕES

Já na entrada da porteira, vários invasores fugiram entrando no mato e outros saindo em alta velocidade em motocicletas, muito delas, sem placa. Alguns suspeitos foram abordados e conduzidos para a delegacia. Um deles chegou a mentir o nome, mas foi logo apontado como sendo um dos líderes dos invasores. Dois invasores confessaram que foram contratados apenas para plantar capim em 10 alqueires que foi derrubado.


Com a pessoa de Lindomar Felisberto, os policiais apreenderam uma motocicleta que estava sem a documentação obrigatória, transportando dois sacos de sementes de capim. Lindomar falou que recentemente comprou uma área de 10 alqueires na invasão pela quantia de R$ 2 mil reais e confirmou que derrubou todo o lote para fazer pasto, pois possui cerca de 200 cabeças de gado que está em um arrendamento.



Dentro do acampamento improvisado, localizado dentro do Lote que pertence ao “Manoel Parente”, foi preso o indivíduo Ismael Freitas Souza, que já foi abordado no ano passado durante uma reintegração de posse em uma área a menos de 2 km daquele local. 
De forma irônica, um outro invasor comenta sobre as derrubadas e as Leis brasileiras

Com ele, os PM’s apreenderam vários equipamentos agrícolas utilizados para desmatamento e munições de diversos calibres.
Em barracos próximo a invasão, a equipe localizou três espingardas e uma garrucha. Além de diversas munições intactas.

Ao todo, foram encaminhados para a Delegacia 04 motocicletas, 03 motosserras que estavam sendo utilizadas para o desmatamento ilegal, 11 sacos de sementes de capim “Braquiária”, entre outros objetos.

PREJUÍZOS ULTRAPASSA 20 MILHÕES DE REAIS

Na carta imagem produzida pelo Batalhão de Polícia Ambiental – BPA, que entre os dias 17/01/2016 a 28/06/2017, ou seja, em um ano, 95,331 Km² de cobertura vegetal da área já foram suprimidas. O prejuízo ambiental chega a ultrapassar a casa dos R$ 20 milhões de reais.

Em 2016 foram suprimidos 25,395 Km² de vegetação nativa sem autorização do órgão ambiental. Já em 2017, 19,399 Km² de vegetação nativa foram degradas sem autorização do órgão ambiental. Nesse passo seria necessário recuperar 41,794 Km² de vegetação nativa referente aos desmatamentos de 2016 e 2017.
A ação judicial de reintegração de posse já está sendo tramitado no Fórum da comarca de Ouro Preto, mas enquanto não sai a decisão, os oportunistas continuam explorando, de forma degradante e cruel, toda a fauna e flora da Reserva, ganhando rios de dinheiro com o comércio ilegal de madeiras. Até o final do “trânsito e julgado” restará apenas cinzas naquela região.

ENTENDA O QUE É ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – “APP”

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, as Áreas de Preservação Permanente (APPs), são espaços territoriais especialmente protegidos de acordo com o disposto no inciso III, § 1º, do art. 225 da Constituição Federal. O Código Florestal (Lei Federal no 4.771, de 1965 – e alterações posteriores) traz um detalhamento preciso das Áreas de Preservação Permanente (aplicável a áreas rurais e urbanas), da Reserva Legal (aplicável às áreas rurais) além de definir outros espaços de uso limitado.
As Áreas de Preservação Permanente - APPs são aquelas áreas protegidas nos termos dos arts. 2º e 3º do Código Florestal. O conceito legal de APP relaciona tais áreas, independente da cobertura vegetal, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
Como se vê, as APPs não têm apenas a função de preservar a vegetação ou a biodiversidade, mas uma função ambiental muito mais abrangente, voltada, em última instância, a proteger espaços de relevante importância para a conservação da qualidade ambiental como a estabilidade geológica, a proteção do solo e assim assegurar o bem-estar das populações humanas.  


Matéria:www.comando190.com.br

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