Incertezas junto sobre a JBS voltam atingir mercado




“O mercado do boi está novamente de ponta cabeça”, destaca a pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Mariane Crespolini, uma vez que se instalou um novo período de incerteza em torno do JBS com as prisões de Joesley e Wesley Batista. 

O frigorífico representa a maior parte dos abates no Brasil e responsável por mais de 50% dos abates em Mato Grosso, estado que detém o maior rebanho de bovinos de corte do país. O feito das recentes prisões dos donos da JBS, nessa semana, teve efeito sintomático no mercado do boi. O Cepea já observou uma redução no número de negócios de modo geral, não somente do JBS, mas também de outras indústrias, que correm o risco de comprar um boi caro sem saber a que preço a carne poderá ser vendida. 

Por sua vez, as escalas também já vêm mais confortáveis e há uma informação, por parte do atacado, que os atuais patamares da arroba são difíceis de serem repassados ao consumidor. 

Crespolini lembra que o setor não estava totalmente fora de risco e que não é possível prever o que irá ocorrer em curto prazo, embora o fato de o mercado estar em plena entressafra ajude a segurar os preços, além da necessidade de cumprir contratos de exportação por parte das empresas. 

No mês de setembro, a arroba teve uma alta de 0,7%. Entretanto, houve uma queda de 0,3% na segunda-feira em relação à última sexta e de 1% na terça feira, com quarta e quinta-feira estáveis. Ontem, a referência em São Paulo está em R$ 143,96/@. 

Na última quarta-feira, a JBS suspendeu temporariamente as compras de gado em algumas unidades do Brasil, incluindo as de Mato Grosso, no dia em que o presidente-executivo da companhia, Wesley Batista, foi preso em São Paulo como parte da operação Tendão de Aquiles, da Polícia Federal. 

A prisão do executivo, integrante da família que é sócia majoritária do maior produtor de proteína animal do mundo, deixou o mercado de gado no Brasil apreensivo e em compasso de espera em relação aos desdobramentos do caso. 

Essa movimentação começa a atingir em cheio o mercado mato-grossense que desde o final de julho começou a registrar melhora na comercialização e consequente nos preços da arroba. Desde a deflagração da Operação Carne Fraca, em março, e com a sucessão de denúncias envolvendo os irmãos Batistas e o embargo anunciado pelos Estados Unidos, os preços no Estado despencaram a níveis que prejudicaram os produtores. 

Em meados de agosto, o preço médio da arroba do boi gordo, em Mato Grosso, apresentou a primeira reação positiva, após uma série de quedas que vêm sendo registrada desde meados de março. Depois de 11 semanas consecutivas, o preço da arroba à vista fechou o mês de julho cotada a R$ 114,99, em média no Estado. Na semana anterior, o preço adotado internamente ficou em R$ 114,70. 

Até a prisão de Wesley Batista, o mercado estadual se inseria em um cenário de recuperação. O abate de bovinos atingiu a marca 496,9 mil animais em agosto, maior volume mensal no ano. Em relação ao mês de agosto do ano passado, o abate registra alta de 25%, ante 397,8 mil animais. Na comparação com julho, o aumento foi de 18% sob 439 mil bovinos abatidos, até então o maior registro do ano. 

Essa movimentação trouxe como reflexo no mercado do boi gordo a recuperação do valor da arroba, que aumentou 10% no último mês e na semana passada chegou a ser cotada a R$ 135 em algumas praças no Estado.



fonte diario de cuiaba

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