Safrinha de grãos do Paraguai está atrasada e corre riscos





A safrinha de milho e soja do Paraguai está atrasada em pelo menos 30 dias e, desta forma, corre altos riscos de perdas. A soja não está sendo possível colher devido o excesso de chuvas, e o milho que teve seu plantio retardado corre riscos de geadas.
A situação da safra paraguaia foi constatada pela delegação de catarinenses que visitou o Paraguai na semana que passou. Claudio Post, João Carlos Di Domenico e Ivan Ramos da Fecoagro, juntamente com o secretário de Agricultura de SC, Moacir Sopelsa e o representante dos fertilizantes da Fecoagro no Paraguai Remoaldo Araldi, percorreram o interior do país para acompanhar o desenvolvimento das safras.
As cooperativas da Fecoagro são importadoras de milho e trigo do Paraguai, e a Fecoagro, em parceria com a Lar Paraguai, é exportadora de fertilizantes para aquele país.
Os catarinenses visitaram as unidades da Lar na região norte do Paraguai, e também conheceram o sistema de transbordo dos fertilizantes no Porto de Santa Helena, por onde entra o produto naquele país. Identificaram o sistema de armazenamento no lado brasileiro por onde se faz a transferência dos fertilizantes.
O Porto de Santa Helena atua de forma integrada entre as duas alfândegas, onde cada órgão desempenha seu papel de desembaraço no mesmo prédio, apenas separadas por um corredor. Esse sistema agiliza as operações e acelera o transbordo.
Devido à diferença de legislação entre o Brasil e o Paraguai, todo fertilizante para ingressar no país vizinho precisa ser descarregado no lado brasileiro e reembarcado em caminhões menores uma vez que no Paraguai não é permitido bitrem nas rodovias.
Outro inconveniente detectado é que após o transporte em balsas por um percurso de 38 km pelo Lago de Itaipu no lado paraguaio são 40 km de estrada de chão, que fica intransitável em períodos de chuvas, atrasando as entregas. Parte desse desconforto é compensada pela agilidade das alfândegas, e as antecipações de compras dos fertilizantes para estarem disponíveis aos produtores nas épocas certas. Cerca de 80% dos fertilizantes que a Fecoagro exporta vai por esse Porto, e o restante por Foz do Iguaçu.
O secretário Moacir Sopelsa manifestou interesse na viagem a fim de conhecer a disponibilidade de milho para abastecer a demanda catarinense. Como anualmente o Estado precisa importar de outras regiões e países, cerca de 3 milhões de toneladas do produto, há que se buscar a melhor alternativa de logística e custos. Segundo Sopelsa, para o governo catarinense é mais vantajoso trazer milho do Paraguai, não apenas pelo frete menor, mas devido às perdas tributárias.
Trazer milho de outras regiões do Brasil provoca perdas de ICMS ao Tesouro. Como vem com crédito de ICMS e internamente não é tributado, o Estado perde. Já trazendo de outros países não tem incidência de ICMS mas tem Cofins. Para as indústrias que importam insumos e que exportam produtos industrializados, podem usar o drawback, não havendo incidência de Cofins. Já para quem não exporta, tem o custo do imposto federal nas importações, sendo mais ou menos equivalente ao ICMS. A diferença será apenas do custo de logística.
A Lar Paraguai está presente naquele país há 21 anos. Possui 11 unidades distribuídas pelo país, no fornecimento de insumos e recebimento de grãos. Na última safra comercializou 277 mil toneladas de soja, 223 mil toneladas de milho e 40 mil toneladas de trigo, totalizando 547 mil toneladas de grãos. Registrou um faturamento em 2016 de US$ 176 milhões, sendo 76% em grãos e 24% em fornecimento de insumos.
Até este ano os fertilizantes destinados ao Paraguai tem sido mistura de grânulos. A partir de agora os brasiguaios, tradicionais produtores de grãos, começam a utilizar granulados NPK no grão para melhor aproveitamento tecnológico dos fertilizantes.
A Fecoagro está exportando para o Paraguai há 5 anos. No último ano vendeu 20 mil toneladas e para este ano pretende atingir 30 mil toneladas. Seu distribuidor no Paraguai é a Lar, uma subsidiária da Cooperativa Lar do Paraná, que comercializa cerca de 50 mil toneladas por ano.
O Paraguai consome, aproximadamente, 1,5 milhões de toneladas de fertilizantes por ano. Produz 9 milhões de toneladas de soja e 6 milhões de toneladas de milho.



fonte agrolink

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