Investigada em um dos desdobramentos da operação Lava Jato, a JBS acumulou, durante 17 anos de operação em Mato Grosso, 25 frigoríficos, sendo 18 plantas próprias e as demais alugadas ou arrendadas. As operações do grupo o estado começaram no ano 2000. A primeira planta foi instalada em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá.

O maior crescimento da JBS no estado se deu em 2009, quando a empresa adquiriu 11 frigoríficos. Mas, nem todos foram mantidas em operação. Atualmente, das 25 unidades, 11 estão funcionando. Os dados constam do relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Frigoríficos, instalada no ano passado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

“Eles estavam comprando plantas, locando plantas frigoríficas aqui e fechando. Então, tinham determinados criadores que vendiam para determinadas plantas frigoríficas, e eles compravam e fechavam. E eram obrigados a vender para outro deles em outro lugar, que eles tinham mais próximo. Na medida em que eles ficaram com mais da metade do mercado, eles já estavam monopolizando. Eles que ditavam preço, ditavam as regras”, disse o presidente da ALMT, Eduardo Botelho.

O número de frigoríficos da JBS que estão fechados em Mato Grosso chega a 14, espalhados por diferentes regiões. Entre as unidades que foram paralisadas pouco tempo depois da aquisição pelo grupo está a de Vila Rica, a 1.276 km da capital, cujo prédio está sem atividades desde 2014. O frigorífico pertencia ao grupo Quatro Marcos e foi comprado pela JBS em 2012. Funcionou durante cerca de dois anos. Em Confresa, a cerca de 130 km de Vila Rica, a JBS tem outra unidade que está em funcionamento.

“Mato Grosso sofre há muito tempo com a concentração frigorífica no estado. Nós temos quatro grandes grupos frigoríficos que abatem mais de 70% do gado diariamente em nosso estado. Isso prejudica o pecuarista de todo o estado, principalmente em algumas regiões, como é o caso da região Nordeste, de Barra do Garças até Vila Rica, e a região Norte do estado de Mato Grosso”, disse Luciano Vacari, diretor executivo.

As delações feitas recentemente pelos empresários e funcionários da JBS à Procuradoria-Geral da República também trazem detalhes de como o grupo agiu em Mato Grosso, com o pagamento de propinas a políticos em troca de incentivos fiscais para as indústrias. Entre eles, os recebidos pelo programa Prodeic, concedido na época pelo então governador Silval Barbosa (PMDB).

Na época, muitos outros frigoríficos não recebiam benefícios. “Houve uma particularidade de incentivos, onde tinha diferenciação, e o Sindifrigo não tinha acesso a todas essas informações. Já no último governo, no atual governo, a gente discutiu, houve uma evolução bastante grande, onde a gente resgatou a isonomia. Todas indústrias pagam e pagam por igual. Isso acaba tendo uma concorrência, acaba tendo uma competição de uma maneira igualitária para todos”, disse Luiz Freitas, presidente do Sindifrigo (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Grosso).

Os donos e funcionários da JBS têm um acordo de colaboração premiada com a Justiça e por isso não podem ser presos pelos crimes de corrupção, mas ainda podem ser obrigados a pagar bilhões de reais aos cofres públicos. A defesa de Silval Barbosa negou as acusações feitas pela empresa.





fonte g1mt
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