Produtores baianos estimulam o uso de tecidos de algodão



A Bahia já está forte na Campanha Sou de Algodão, lançada em 2016 durante a São Paulo Fashion Week, sob a coordenação da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Com foco no aumento do uso de tecidos da fibra natural, o estado, segundo maior produtor brasileiro da pluma, participa da iniciativa por intermédio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) como afiliada da Abrapa.
Na região oeste, cujo cerrado tem 192 mil hectares semeados ou em fase de plantio para a safra 2016/17, a previsão é produzir 777.600 toneladas, de acordo com o 1º levantamento realizado com base de dados do conselho técnico da Associação dos Produtores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Conforme o presidente da Abrapa, Arlindo Moura, a campanha é de longo prazo, com expectativa inicial de durar pelo menos cinco anos. "Queremos estimular o crescimento do consumo das roupas de algodão, disseminando conhecimento sobre o produto que é mais confortável e mais saudável do que as roupas de tecidos sintéticos, porque é natural", explica.
Exportação
Arlindo Moura destacou que atualmente 60% do algodão produzido no Brasil são destinados à exportação, principalmente para a Ásia, em fardos com a fibra sem o caroço. "Lá eles transformam em fios, tecidos e roupas que depois o Brasil importa. Ou seja, vendemos um quilo de algodão a R$ 6,00 e compramos a roupa, produzida com esta fibra, por mais de R$ 300", criticou.
Moura, que é cotonicultor do estado do Mato Grosso, salientou que o "custo Brasil cria esta situação" e que uma das propostas da campanha Sou de Algodão, "é reverter este quadro, agregando valor à nossa produção, com o estímulo de toda a cadeia envolvida neste setor".
Para o cotonicultor baiano e um dos idealizadores da campanha, João Carlos Jacobsen Rodrigues, um dos entraves para que indústrias têxteis se instalem na região oeste da Bahia "é a falta de energia suficiente para garantir o funcionamento do maquinário".
Ele, que é ex-presidente da Abrapa e uma liderança entre a classe, enfatizou que recentemente uma indústria do ramo "foi para o Mato Grosso, porque não teve segurança para empreender na maior região produtora da fibra no estado", lamentou, acrescentando que "a industrialização da produção gera não só muitos empregos, mas também impostos que devem refletir no desenvolvimento social".
Para 2017 a meta do programa Sou de Algodão é firmar grandes redes de parceria com blogueiros, editores de moda, estilistas e grandes lojas de departamentos, que abracem a marca Sou de Algodão, para multiplicar a ideia, disse Jacobsen Rodrigues, citando que a campanha publicitária de lançamento foi assinada pela BETC, de São Paulo (SP). "Queremos que o consumidor final dê preferência para os produtos brasileiros, o que vai refletir não apenas para o produtor primário, mas promover o desenvolvimento de todo segmento", salientou.
O Instituto Brasileiro do Algodão (Iba) e a Bayer apoiam a campanha, desenvolvida pela Abrapa e a Consultoria Markestrat. Ele citou que, assim como os cotonicultores investem através das associações em melhorias de produtividade de fibras mais longas e especiais, "também a indústria têxtil está voltada e deve ser estimulada para desenvolver tecidos de algodão melhores e com menores custos para o consumidor".
 Carência de energia é um dos entraves para  produção
Superintendente de Operações e Manutenção da Coelba, Sérgio Mello reconheceu a carência de energia na região oeste do estado e disse que o problema atual é reflexo da insolvência da empresa Abengoa, que tinha ganhado a licitação para construir uma linha de transmissão que trará energia da Usina de Tucuruí (PA) e deveria estar concluída no ano passado.
“Em um esforço concentrado entre a Coelba, o governo do estado, o Ministério de Minas e Energia, dos produtores, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), encontramos uma solução alternativa, que deverá, a partir do final de fevereiro, atender toda a demanda regional pelos próximos cinco anos”, afirmou Mello.
A nova linha vai trazer energia de Minas Gerais e, segundo o superintendente Sérgio Mello, vai resolver o problema de instabilidade existente na região. Ele destacou que o fornecimento não depende apenas da Coelba, “pois não produzimos a energia, apenas distribuímos e essa infraestrutura das linhas de transmissão é necessária para que os consumidores sejam atendidos plenamente”.

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