Rio Madeira chega ao menor nível em 10 anos e agrava situação do transporte



A estiagem histórica que afeta o Rio Madeira fez o nível das águas chegar a 2,07 metros nesta segunda-feira (3). A baixa é histórica. A cota ficou apenas um centímetro acima da registrada no sábado, dia 1º de outubro: 2,06 metros, a menor dos últimos dez anos, de acordo com o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Estado do Amazonas). A situação mais crítica está localizada em um trecho de cerca de 400 quilômetros, entre Manicoré (AM) e Porto Velho (RO). O problema decorre da falta de chuvas, da ausência de dragagem para remoção dos sedimentos e do barramento das usinas hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau, em Rondônia, que reduziu a vasão de água. A situação é considerada crítica desde a segunda quinzena de agosto e afeta diretamente o transporte de cargas pelo Madeira, especialmente de grãos e combustíveis. Esses são produtos que exigem embarcações de maior calado – em média 2,80 metros – e, por isso, estão impossibilitadas de passar pelos trechos mais assoreados do rio. Por isso, o transporte de grãos está paralisado há mais de um mês. Conforme o presidente da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação), Raimundo Holanda, essa situação afeta principalmente Rondônia, cuja produção agrícola é destinada essencialmente à exportação. “É um problema sério para o agronegócio do estado, que só é viável se exportado, e o transporte ocorre pelo Madeira”, destaca. Já os derivados de petróleo, destinados especialmente ao Acre e a Rondônia, assim como a carga geral, precisam ser carregados em embarcações menores. “Quando começou a ficar crítico, cada viagem para o transporte de derivados de petróleo, que conta, normalmente, com cerca de nove milhões de litros, caiu para três milhões. Isso não abastece toda a demanda de Rondônia, do Acre e do norte do Mato Grosso. A complementação é feita por rodovia, que tem o transporte 10 vezes mais caro”, diz o presidente da Fenavega. Outro agravante é o aumento no tempo de viagem, que praticamente dobrou. A navegação tem ocorrido durante o dia, a fim de garantir a segurança nos trechos mais sedimentados. A maior demora para chegar ao destino e o fracionamento da carga em embarcações menores elevam o custo operacional. “Se eu reduzo a capacidade de carga, onero a viagem. Há um desequilíbrio grande e não conseguimos repassar isso para o frete”, relata o vice-presidente do Sindarma, Claudomiro Carvalho Filho. As entidades apontam que é fundamental, para solucionar o problema, fazer a dragagem do rio e realizar investimentos, para melhorar as condições de navegação pelo Madeira. A dragagem, em especial, deveria ocorrer entre os meses de julho e agosto. Mas, segundo Claudomiro, faz dois anos que o procedimento não ocorre. Uma licitação está em andamento, no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), para contratar uma empresa para realização do serviço. Assim, a expectativa do Sindarma é que o problema não se repita na época mais seca do ano que vem. Além disso, reforçam a necessidade de efetiva aplicação da Política Nacional de Recursos Hídricos, que determina que se proporcione uso múltiplo das águas. Com isso, o objetivo é impedir que a navegação seja penalizada pela destinação dos recursos hídricos para a geração de energia elétrica. A expectativa é que a situação comece a melhorar na segunda quinzena de outubro. Historicamente, a partir desse período, o nível do Madeira volta a subir, facilitando a navegação. FONTE: Agência CNT de Notícias
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