Ex-assessor de Palocci cria gado de elite em fazenda de MT



Arquivo Clique para ampliar Juscelino Dourado (detalhe) se tornou fazendeiro em Rondonópolis DA REDAÇÃO Preso nesta segunda-feira (26), na 35ª fase da Operação Lava Jato, Juscelino Antônio Dourado, ex-chefe de gabinete do Ministério da Fazenda, é dono de uma propriedade rural em Rondonópolis (210 Km de Cuiabá). A fazenda é referência na criação de gado nelore no País.   Dourado foi chefe de gabinete do então ministro Antônio Palocci, que também foi preso nesta segunda. A prisão dos dois é temporária por cinco dias e eles devem ser soltos ainda nesta semana.   A fazenda, que pertencia à família Castro – uma das pioneiras no melhoramento genético de gado no Brasil – foi adquirida por Dourado em 2012. A propriedade, que se chamava Dora Pauliceia, foi, então, rebatizada como Dourado Pauliceia. Informações nunca confirmadas pelas partes apontam que o negócio saiu por R$ 26 milhões em valores da época.   Dourado é natural de Rondonópolis. Nos últimos anos, ele se tornou importante negociador em leilões de gado de elite, sempre colocando à venda animais de seu plantel.   Na última Exposul, a exposição agropecuária de Rondonópolis, realizada em agosto, ele abriu o calendário de leilões, com o “Leilão Touros Dourados da Pauliceia". Ao todo, vendeu 50 animais, movimentando um total de R$ 472.320. Somente um touro, o Polegar Dour Pauliceia, foi comercializado por R$ 48 mil.   Estamos fazendo também a verificação de valores transacionados na operação. Possivelmente há indícios de que houve subfaturamento de valores na declaração e escrituração Segundo informações que constam na decisão do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), Dourado teria recebido dinheiro da empreiteira Odebrecht supostamente por ordem de Palocci.   Interceptações realizadas com autorização judicial reforçam a suspeita dos investigadores da Lava Jato. Em uma mensagem eletrônica enviada a um subordinado, o empresário Marcelo Odrebrecht – que está preso há mais de um ano – diz que precisou “dar mais R$ 250 para o italiano”. O termo italiano, segundo a Lava Jato, é usado para designar Palocci. Mas o repasse teria sido feito por intermédio de Dourado.   “Retornando a planilha de pagamentos subreptícios do Grupo Odebrecht ao grupo político de Antônio Palocci Filho, constam, como visto acima, três lançamentos nos quais faz-se referência de que eles teriam sido feitos ‘via JD’. Inicialmente, acreditava-se que ‘JD’ seria provável referência ao ex-Ministro José Dirceu de Oliveira e Silva”, diz um trecho da decisão de Sérgio Moro.     “Entretanto (...), análise mais acurada revelou tratar-se, em cognição sumária, de Juscelino Antônio Dourado, pessoa ligada a Antônio Palocci Filho, tendo, por exemplo, exercido o cargo de chefe de gabinete no Ministério da Fazenda durante o período da gestão de Antônio Palocci”, consta na decisão.   Segundo a Lava Jato, “em uma anotação apreendida por investigadores,  JD figura em conjunto com Antônio Palocci Filho (“AP”) (...) com referência a pagamento em valor (...) Programar 500 mil reais até 5a JD”, consta em outro trecho.   A Receita Federal, que tem auditores na força-tarefa da Lava Jato, investiga a compra de uma fazenda em Mato Grosso por parte de investigados na 35ª fase da operação. O objetivo é saber se houve lavagem de dinheiro.   “Estamos acompanhando algumas vertentes [da operação], especificamente relacionadas a possível interposição de pessoas na aquisição de dois imóveis, principalmente uma fazenda em Mato Grosso e um terreno em São Paulo”, disse o auditor da Receita Federal, Roberto Leonel de Oliveira Filho. “Estamos fazendo também a verificação de valores transacionados na operação. Possivelmente há indícios de que houve subfaturamento de valores na declaração e escrituração”.   No dia da operação, houve o cumprimento de mandados de busca e apreensão em Rondonópolis.   A Receita, no entanto, não esclarece se a fazenda citada pelo auditor é mesmo a Dourado Pauliceia ou alguma outra propriedade adquirida em Mato Grosso.   A reportagem do MidiaNews entrou em contato com a Receita Federal para obter mais detalhes sobre as suspeitas. A assessoria de imprensa, no entanto, se limitou a enviar um release sem maiores informações. Divulgação Imagem retirada do site da fazenda Dourado Pauliceia   Tanto o pedido dos procuradores da Lava Jato quanto a decisão do juiz Sérgio Moro não fazem referência alguma à fazenda.   A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Dourado.   História   Dourado tem 51 anos. É formado em Química e Administração de Empresas. Foi secretário de Governo da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP) na época em que Palocci era prefeito da cidade.   Com a chegada de Lula ao poder, foi convidado por Palocci para ser seu chefe de gabinete no Ministério da Fazenda, em 2003. Ele permaneceu no cargo até setembro de 2005, quando pediu demissão após prestar depoimento na CPI dos Bingos, onde depôs sobre irregularidades na Pasta.   Fonte Midia News
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