Família relata invasão e armadilhas em fazenda alvo de grileiros em MT



A família proprietária da Fazenda Nova Bom Jesus, cenário de uma chacina no ano de 2012 ligada à atuação de um grupo de grilagem de terras, relatou que vem enfrentando desde a última semana ameaças e a ação de invasores na área de pouco mais de 2,3 mil hectares. De acordo com o pecuarista Geraldo Alba, proprietário, invasores têm depredado e incendiado a estrutura da fazenda, bem como têm posto armadilhas nas proximidades da estrada, montado barracas para tocaia e disparado tiros de arma de fogo na área da fazenda, impedindo a continuidade de qualquer atividade. A Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp) informou por meio de nota que está monitorando a situação na região para tomar as providências cabíveis. Localizada a cerca de 120 km da fronteira deMato Grosso com a Bolívia, a fazenda tem sido alvo da ação de grileiros desde 2011. Em 2012, a atuação violenta do grupo chegou ao ápice e quatro homens foram assassinados dentro da propriedade rural. Os crimes levaram a Polícia Civil a deflagrar, no mesmo ano, a operação Cata Grilo, contra o grupo responsável pelas mortes, e seis pessoas chegaram a ser presas. Como resultado das investigações, oito pessoas foram acusadas de envolvimento com a chacina em ação penal do Ministério Público. Um dos réus chegou a ameaçar a juíza do caso – que depois foi transferida e passou a necessitar de escolta policial – e acabou preso em março deste ano. A realização do júri popular dos acusados havia sido suspensa no mês anterior por questões de segurança. Ameaças recentes Na última semana, mesmo com a ação penal referente à chacina ainda em andamento, a família proprietária da fazenda registrou situações interpretadas como claras ameaças vindas do grupo interessado em tomar posse das terras. Andressa Quadros, filha do pecuarista Geraldo Alba, registrou boletim de ocorrência em uma delegacia de Cáceres na última sexta-feira reportando a ocorrência de disparos de arma de fogo em momentos esparsos, colocação de armadilhas na área (como pedaços de madeira com pregos escondidos sob a terra para furar pneus), montagem de cabanas que seriam utilizadas por pistoleiros para tocaias, depredação e sinais de incêndio na estrutura da fazenda e pichação de árvores com cruzes vermelhas e da porteira da fazenda com dizeres como "Área em conflito", "Perigo", "Não entra". A gente perdeu a atividade normal da fazenda. A gente não consegue entrar lá dentro, tem tiroteio. A gente tem receio porque já houve quatro mortes lá e não vê ninguém indo para o banco dos réus, sendo julgado. Ninguém foi responsabilizado”, queixa-se o pecuarista Geraldo Alba. Ele contou que há claros sinais de que invasores têm permecido à sua espreita, como trechos desmatados, copos d“água nas cabanas camufladas em meio à mata, as pichações e marcas de tiros recentes na estrutura. “Eles estão tocando o terror”, resume. Insegurança O pecuarista ainda contou que, devido à insegurança, deixou de dormir dentro da fazenda, passando a ocupar uma casa em Vila Cardoso, distrito próximo. Ele tem notado que seus deslocamentos são monitorados e que está sendo observado a todo o tempo. Filha do pecuarista, Andressa Quadros reclamou que as forças policiais do estado não têm prestado a devido segurança na área. Em 2014 a família obteve da Vara única de Porto Esperidião um mandado judicial em ação de interdito proibitório, assegurando o direito de propriedade e vetando a entrada de qualquer estranho na área, mas a ordem judicial não tem sido cumprida. No mesmo ano em que a Justiça expediu o mandado a família teve de registrar boletim de ocorrência relatando invasão da área. Na ocasião, homens armados estariam circulando dentro da área. Além disso, já naquela época começou a ocorrer depredação na fazenda, com incêndio em um galpão, em uma área de campo e em um abrigo de maquinário, bem como disparos de arma de fogo em latões de zinco, furto de equipamentos, fechamento de porteiras, entre outros. Naquela época, testemunhas relataram que os invasores se revesavam no controle da área. Situações semelhantes têm se repetido desde então, segundo a família. Em outro boletim de ocorrência, registrado em março deste ano, foi relatado que seis indivíduos armados e com balaclavas improvisadas invadiram a fazenda e ameaçaram um funcionário, forçando-o a deitar no chão. O grupo teria dito para que o funcionário não entrar mais na propriedade e o proibiu de relatar o caso à polícia. “É uma coisa crônica. Temos mais de 30 boletins de ocorrência”, explicou Andressa sobre os casos de invasão, depredação e ameaças já sofridos pela família e por funcionários. Ação policial Questionada pela reportagem do G1 a respeito da situação de instabilidade relatada pela família da Fazenda Nova Bom Jesus, a Secretaria estadual de Segurança Pública (Sesp) informou, por meio de nota, que está monitorando o caso para tomar providências. Na mesma nota a Sesp explicou que intervenções policiais neste tipo de situação dependem de uma deliberação do comitê criado pelo governo para lidar com questões agrárias. "Todas as reintegrações de posse em Mato Grosso são feitas respeitando um trâmite que se inicia com a decisão judicial, passa por análise do Comitê de Estadual de Acompanhamento de Conflitos Fundiários, presidido pela Casa Militar, e só então chega à Sesp para análise de situação e definição de estratégias para cumprimento da decisão judicial", diz a nota da secretaria   Fonte G1
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