Embargo russo aos EUA pode beneficiar soja brasileira



Na última quarta-feira as autoridades da Rússia decidiram bloquear as importações de soja e milho dos Estados Unidos, devido a questões fitossanitárias. Analistas ouvidos pela reportagem acreditam ser pequena a possibilidade de que a medida beneficie significativamente as vendas externas do Brasil. Porém, as autoridades brasileiras acreditam ser uma boa oportunidade para ampliar o mercado de cereais brasileiro. Atualmente a Rússia é grande importadora de carne – bovina e aves – do país. Atualmente os russos importam volumes pouco expressivos de milho, uma vez que são importantes produtores e também exportam. Na soja, pode haver mais chances, embora o Brasil também tenha a concorrência da Argentina pela frente. "Pode até ser uma oportunidade, mas não será algo extremamente relevante", diz Glauco Monte, diretor de commodities da consultoria FCStone. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a Rússia deve importar 2,05 milhões de toneladas na atual temporada da safra 2015/16, que se encerra no fim de agosto. Desse volume, 425,9 mil toneladas já foram enviadas ao país pelos norte-americanos. "Não é algo muito significativo, é menos de 1% das exportações brasileiras [estimadas em 57 milhões de toneladas]", afirma Monte. No caso do milho, o USDA estima importações de apenas 50 mil toneladas em 2015/16 - e não prevê embarques dos EUA para o país. Em nota divulgada na última quarta-feira, o serviço sanitário russo (Rosselkhoznadzor) informou ter havido uma conversa telefônica entre autoridades russas e americanas no dia anterior sobre "violações dos requisitos fitossanitários internacionais e russos no fornecimento de milho e soja para a Rússia". O bloqueio deve entrar em vigor em 15 de fevereiro. Com os EUA fora da lista de vendedores, Brasil e Argentina figuram como substitutos naturais. Ocorre que a competição está mais acirrada com o país vizinho, que recentemente eliminou a tarifa sobre as vendas externas de milho, e baixou de 35% para 30% a taxação sobre a exportação de soja. Ainda assim, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, acredita que o bloqueio pode favorecer as importações de soja e milho do Brasil pela Rússia. "Precisamos alertar os produtores para essa demanda, para aumentarem o plantio", afirmou a ministra. Para Kátia Abreu, a decisão do governo russo cria oportunidades principalmente para quem planta a segunda safra (a safrinha), já em fase de semeadura. "Só nós temos o produto [milho] em grandes volumes, mas temos que aumentar a produção".
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