Comissão dialoga com acampados e fazendeiros em área de conflito no Nortão



Uma comissão criada em caráter emergencial pelo governador Pedro Taques esteve, ontem, em Guarantã do Norte, para intermediar conflito entre assentados, posseiros e fazendeiros que disputam áreas da União localizadas dentro da Gleba Nhandu, município vizinho de Novo Mundo, divisa com o Pará. O governador tomou a decisão logo após receber informações sobre um tiroteio em uma fazenda, no último domingo. A comissão multissetorial do governo se reuniu na Câmara de Guarantã com representantes dos acampados e dos fazendeiros. Ambas as partes narraram suas versões sobre os conflitos. De um lado, Geraldo Moraes se apresentou como proprietário da fazenda e, de outro, o advogado Rubens Moreno representou o grupo de trabalhadores sem terras que foi obrigado a deixar essa mesma área dia 18 de fevereiro em atendimento a uma decisão judicial de desintrusão. Na Delegacia Regional de Guarantã do Norte, a comissão do governo ouviu o presidente da Associação do Acampamento Boa Esperança, Antônio Bento, e outros líderes do grupo na presença do delegado titular Ronan Gomes Villar e de Valmir Aparecido Seze, da Coordenação Estadual da Comissão Pastoral da Terra. Ao final da reunião, os acampados prestaram depoimento sobre o conflito ocorrido no domingo. Ao final do dia a comissão decidiu que irá propor o encaminhamento de uma delegacia móvel à região para trabalhar exclusivamente nos processos que envolvem conflitos. Ainda definiu a construção um canal de comunicação direto com acampados e fazendeiros, sem intermediários, para que recebam informações claras sobre o processo na Justiça Federal e as ações do Governo do Estado para contribuir onde se fizer necessário; e também ficou encaminhado um levantamento da situação social das famílias para uma ação de inclusão socioprodutiva, caso necessária. O secretário de Estado de Trabalho e Assistência Social, Valdiney de Arruda, deixou claro que a solução definitiva para o impasse está nas mãos do Governo Federal visto tratar-se de terras da União, mas que o Governo de Mato Grosso está trabalhando para restabelecer o diálogo e encontrar caminhos. “Estamos aqui para tentar restabelecer a paz e o mínimo de impacto social”, justificou o secretário Valdiney de Arruda, alertando os envolvidos que não haverá solução enquanto cada um continuar procurando culpados ou incitando culpados. “Não haverá nenhum caminho a seguir por vocês até que a Justiça Federal sentencie o processo. Enquanto isso estamos à disposição para auxiliar nas outras demandas que cabem ao Estado, o que inclui levá-los a restabelecer o diálogo pautado na verdade, honestidade e sinceridade e inclusive diálogo com a Justiça Federal”, observou. O coronel Airton Siqueira, chefe da Casa Militar, também destacou a missão da comissão de mitigar o conflito. “Viemos aqui para conversar com vocês, apurar o quadro social, garantir policiamento em busca de segurança jurídica na área de conflito e dar suporte para que a Polícia Civil esclareça os fatos. E lá no Palácio Paiaguás as portas estão abertas para recebermos vocês a qualquer hora”. Diretor Agrário da Intermat, Diogo Delben fez um alerta para a possibilidade de a Justiça Federal bloquear o processo de reforma agrária por conta dos conflitos. “Vocês precisam saber que a Justiça dá como inapropriada para regularização fundiária a área que está sob conflito”, frisou o diretor, elencando mais um motivo para que todos mantenham a harmonia. “Temos uma preocupação muito grande quando percebemos pessoas querendo criar a família, querendo ter algo e acreditando que vamos conseguir o objetivo por meio da violência. Lembro que na Índia, numa situação de conflito muito pior, Gandhi restabeleceu a paz pregando a verdade e o amor. Por isso pedimos que mantenham a calma, que deixem a decisão por conta da Justiça”, concluiu o secretário Valdiney de Arruda. Integram a comissão o secretário de Estado de Trabalho e Assistência Social, Valdiney de Arruda; o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Airton Siqueira; secretário executivo da Secretaria de Estado de Segurança, Carlos Corrêa Ribeiro; delegado de Homicídios e Proteção à Pessoa, Luciano Inácio; diretor Agrário da Intermat, Diogo Delben; e o defensor público José Edir de Arruda Martins Júnior. A informação é da assessoria. Fonte: Agronotícias (foto:Sandra Carvalho)
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