MT tem 1º caso de ferrugem em área comercial



Mato Grosso abriu o ano de 2016 registrando o primeiro caso de ferrugem asiática nas lavouras de soja, em área comercial, da safra 2015/16. A doença, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi foi confirmada no último dia 4, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A amostra, retirada de lavoura em fase já bem adiantada de desenvolvimento (R7), é de Primavera do Leste, município localizado a 239 quilômetros ao sul do Estado. A doença, que além de ampliar o manejo no campo e os custos operacionais em razão de desembolsos extras com defensivos, reduz o potencial produtivo das plantas, reduzindo o rendimento por hectare. Em suma, a ferrugem aumenta a despesa e achata a receita. O primeiro foco desta safra chega com atraso inédito em relação aos últimos anos. Na safra passada, por exemplo, a doença foi confirmada em área comercial em 15 de novembro de 2014. A estiagem que mais uma vez prejudicou a semeadura da safra no Estado, ‘segurou’ a explosão da doença, mas técnicos chamam à atenção para o momento em que a disseminação começa a ser registrada. O foco chega justamente com a intensificação das chuvas e no início da colheita, momentos que favorecem a dispersão do fungo que é facilmente levado pelo vento e pode percorrer grandes distâncias. Já a umidade da chuva e as altas temperaturas criam um ambiente favorável à proliferação do fungo. Conforme o mapa da dispersão da doença do Consórcio Antiferrugem da Embrapa, até ontem, Mato Grosso registrava um caso de ferrugem em lavoura comercial, mas outro cinco casos em soja guaxa já haviam sido confirmados por análises laboratoriais desde setembro do ano passado, o que indica que o fungo da doença sempre esteve presente, apenas à espera de condições ideais para proliferar e atacar a safra principal. Como pontua o fiscal federal e coordenador de Defesa Vegetal do Ministério da Agricultura em Mato Grosso, Wanderlei Dias Guerra, que divulgou em seu Facebook a confirmação do primeiro caso da doença em área comercial, somente agora com a regularização das chuvas é que a doença foi constatada em lavoura comercial. “Então, é chegada a hora, outros casos vão aparecer, muitos certamente já existem, visto que há um grande número de urédias e esporos nesta amostra, o que serve de indicador de que a ferrugem já está na área e, certamente na região, há mais tempo. Por isso é preciso fazer as aplicações preventivas de fungicidas rotacionando sempre os princípios ativos dos produtos”. Ainda como destaca o coordenador, a doença foi confirmada em uma planta semeada sob pivô central em 22 de setembro. “Já havíamos notificado a existência da ferrugem no Município, isto ainda em 17 de setembro, quando o plantio mal tinha sido iniciado. Naquele momento, os casos foram identificados em plantas guaxas, que são plantas voluntárias, nascem sem ninguém plantar, e por isso todo ano batemos firme na tese da importância do Vazio Sanitário, na importância de destruir as plantas guaxas e de não se fazer safrinha de soja, pois todas essas plantas servem de alimento e abrigo ao fungo no período da entressafra e a doença passa de um ciclo ao outro cada vez mais virulenta. Esse ano a explosão só retardou em função do clima, que devido à seca, adiou as condições ideais de disseminação à doença”, assevera Dias Guerra. MAIS ATENÇÃO - Outro agravante para o controle da ferrugem está no clima. A estiagem interferiu no desenvolvimento das plantas, obrigou a replantios e isso tudo alterou a fase de desenvolvimento de lavouras semeadas no mesmo talhão. Entre plantas subdesenvolvidas, replantadas, há muitas falhas e tudo isso prejudica o monitoramento e até a ação de intervenção do produtor na hora de entrar com o defensivo. Fora isso, o excesso de chuva encurta o efeito dos produtos sobre a planta, demandando menores intervalos de aplicações, ou seja, mais custos e manejo. Fonte diário de Cuiaba
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