BRF reabre negociação com trabalhadores de MT



Com coordenação da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA Afins), trabalhadores do frigorífico BRF de Lucas do Rio Verde (MT) comemoram a reabertura de negociação coletiva. Uma reunião entre a direção da empresa e representantes dos trabalhadores está prevista para esta quinta (14/01), às 14h30, em Curitiba (PR). A mobilização, iniciada pelo sindicato local em outubro, ganhou garantiu o apoio da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (UITA), representante de 412 organizações filiadas em 130 países. No Brasil, a entidade representa os interesses de 1,5 milhão de trabalhadores ligados a 360 entidades sindicais. Em correspondência enviada recentemente à direção local da BRF, o Secretário Geral da UITA, Ron Oswald, fez um apelo para que a multinacional atenda "urgentemente" às demandas dos 4,5 mil trabalhadores de Lucas do Rio Verde (MT), que reivindicam, entre outros pontos, o reajuste de 13%, sendo cerca de 10,33% da taxa de inflação (INPC) dos últimos 12 meses e 3% de aumento real. "Espero sinceramente que vocês tomem as medidas para garantir que esta situação seja remediada no menor tempo possível.", diz o documento. Histórico Diante da falta de avanço nas negociações salariais, os trabalhadores da BRF de Lucas do Rio Verde (MT) decidiram entrar em estado de greve no dia 13 de dezembro, exigindo o prazo de 15 dias para que a empresa se manifestasse. Pela Convenção Coletiva de Trabalho, a BRF (que emprega mais de 96 mil funcionários em 35 unidades industriais no Brasil, além de nove fábricas no exterior) propôs o pagamento de 5% de reposição salarial, aumento de R$ 20,00 no vale-alimentação e mais R$ 25,00 de bônus no vale-alimentação entre janeiro e outubro de 2016. Também propôs um bônus anual de R$ 343,00 (prêmio de excelência, já recebido), segundo o sindicato profissional da categoria. No entanto, a proposta apresentada pela empresa foi rejeitada pelos trabalhadores, que também denunciaram más condições de trabalho e descumprimento da Norma Regulamentadora nº 36, que trata de novas regras de saúde e segurança em frigoríficos (em vigor desde 2013). Com as mesmas queixas em relação às condições salariais e de trabalho, os sindicatos da categoria profissional da Alimentação do Paraná, com 15 mil trabalhadores, também enfrentam dificuldades nas negociações. Em uma ação conjunta entre os sindicatos de Dois Vizinhos (PR), Ponta Grossa (PR), Francisco Beltrão (PR), Toledo (PR), Paranaguá (PR) e Carambeí (PR) os trabalhadores reivindicam o reajuste de 11,83% mais R$ 240,00 de ticket alimentação, contra 8% de reajuste e R$ 200,00 de ticket alimentação propostos pela BRF no dia 5 de janeiro. O Brasil possui atualmente cerca de 460 mil trabalhadores no setor frigorífico, sendo Paraná o líder em número de trabalhadores, com 76 mil (remuneração média de R$ 1.289,64), seguido por São Paulo, com 63 mil (remuneração média de R$ 1.620,85), Santa Catarina, com 57 mil (remuneração média de R$ 1.507,23), Rio Grande Sul, com 54 mil (remuneração média de R$ 1.401,79) e Mato Grosso, com 36 mil (remuneração média de R$ 1.431,60), segundo dados de 2013 e 2014 da subseção do DIEESE da CNTA Afins.
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