Enchente destrói plantações de arroz no Delta do Rio Ivaí (PR)



09.12.2015 | SAFRA - por Diário de Maringá (PR) Enchente destrói plantações de arroz no Delta do Rio Ivaí (PR) Um terço da área cultivada com o cereal, no "Delta do Ivaí", já foi perdida pela cheia. Prejuízos devem alcançar também os produtores de leite e os de mandioca Lavouras e propriedades ficaram submersas na região Foto: Diário do Noroeste Pelo menos um terço da área cultiva com arroz irrigado na região de Querência do Norte (a 200 quilômetros de Maringá) já foi destruído pela enchente do Rio Ivaí, próximo à foz, no Rio Paraná. Há duas semanas que a área conhecida como "Delta do Ivaí" está coberta pelas águas, o que apodreceu parte das plantações, semeadas entre setembro e outubro, e impedem a continuidade do plantio. Querência do Norte é considerada a capital do arroz irrigado e semeia entre 6,5 mil e 7 mil hectares a cada safra, colhendo, em condições normais, cerca de 150 sacas, por hectare. Há vários anos o cereal é a base da economia do município e a cultura é explorada tanto em grandes fazendas quanto nos assentamentos de ex-trabalhadores sem terra. De acordo com o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária, Ricardo Paulino da Silva, a enchente foi provocada com a subida do nível das águas do Rio Paraná, o que represou o Ivaí, que se espalhou por todo delta. "As chuvas na região das cabeceiras do Ivaí têm sido em grande volume, o rio encheu e transbordou, invadindo as propriedades", destaca. Em alguns pontos, a água chegou a passar de um metro acima do solo. Paulino ressalta haver caso onde apenas um produtor já perdeu cerca de 30 alqueires (72,5 hectares) e conta como perdidas as cerca de 9 mil sacas que deveria colher. Esse agricultor deverá sofrer um prejuízo em torno de R$ 600 mil. "A gente já está acostumado com os humores da natureza, mas ninguém está preparado para o prejuízo", comenta o agricultor Elias Fernandes, que calcula a perda de 20 alqueires do plantio na propriedade dele e um prejuízo próximo de R$ 400 mil. "O problema é que muitos dos que perdem a safra têm dívidas com o Banco do Brasil e vão ficar complicados", acrescenta. O assentamento Che Guevara e produtores vizinhos tiveram cerca de 600 alqueires alagados e devem deixar de produzir cerca de 160 mil sacas nesta safra. O secretário afirma que, como a agricultura de Querência do Norte é bastante diversificada, os prejuízos devem alcançar também os produtores de leite e os de mandioca. Apenas os plantadores de soja serão menos atingidos por, geralmente, plantarem em regiões mais altas. "Tiro leite, todos os dias, mas não tenho como entregar ao laticínio", lamenta o pequeno pecuarista Matias Soares. Segundo ele, as chuvas destruíram as estradas e o caminhão que passa nas propriedades recolhendo o produto não consegue chegar. O rio saiu tão longe fora do leito que é possível encontrar peixes em estradas, arrozais, plantações de mandioca e pastagens. Muitos destes peixes eram de tanques de criação. O prefeito Carlos Benvenutti decretou estado de calamidade pública e alerta que se não contar com ajuda dos governos estadual e federal a situação de Querência do Norte ficará complicada. Segundo ele, todas as estradas estão esburacadas; algumas intransitáveis; e 12 pontes rodaram, a ponto de o transporte escolar não ser feito em algumas regiões do município. "Esta é uma região de solo arenoso, que desagrega com facilidade com o excesso de chuvas", declara. Para Benvenutti, o problema já é grande, mas pode piorar, porque as chuvas continuam na maior parte do Estado.
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